Inovar para não afundar

<b>Quanto mais se inova, mais campos novos se abrem para exigir produtos e serviços ainda mais inovadores. Inovar virou um processo contínuo. Virou uma engrenagem. Um rolo compressor que acaba moendo, transformando em pó, aquelas empresas mais lentas e conservadoras.</b>

Nunca na história humana se valorizou tanto o talento criativo. Idéias criativas e inovadoras movem o mundo dos negócios. Elas partem de pessoas especiais. Pessoas que sonham. Que ousam quebrar paradigmas. Na maioria das empresas existem muitos empregados trabalhadores, competentes, leais e dedicados. Esse universo se estreita quando se procuram os criativos, inventivos, capazes de pensar de uma maneira diferente do convencional. Se esse capital intelectual diferenciado continuar no atual ritmo de valorização, ainda vai parar nas bolsas de valores. Num futuro não muito distante, as pessoas criativas vão vender suas ações para investidores. Sonhar, ter idéias inovadoras, ver o invisível e criar o que não existe já vale tanto quanto ouro ou diamantes. Mas, se esse potencial criativo é inerente a todo ser humano, por que tão poucos garimpam essas preciosidades? Por que tão poucos conseguem atravessar o portal que separa os notoriamente criativos da imensa massa de pessoas comuns? Talvez a resposta para essa escassez de criativos esteja no nosso antiquado sistema educacional. Nos freios e bloqueios impostos na mente criativa das crianças pelas famílias e escolas. Talvez sejam resquícios de uma mentalidade de escola-fábrica, concebida para não deixar nenhum empregado sonhar ou pensar. Concebida para que ninguém se atrevesse a usar o hemisfério direito do cérebro. Para que ninguém adentrasse no terreno sagrado da imaginação, da criação. Tudo porque, durante a revolução industrial, essas áreas eram restritas para as incursões dos chefes ou patrões. Naquela época, os empregados que ousassem pensar e ter idéias inovadoras, viravam logo desempregados.

Todo ser humano é criativo. Em alguns a criatividade aflora com maior intensidade. É comum, no ambiente de trabalho, ouvir-se pessoas dizendo que fulano é brilhante. Nem sempre esses brilhantes são os empregados mais inteligentes da empresa. Esse brilhantismo, invariavelmente, está muito mais associado à criatividade do que à inteligência. O professor italiano Domenico De Masi costuma dizer que a criatividade é a principal e mais importante característica de um empreendedor, pois o resto da lista das características desejáveis é mais fácil de se conseguir. A história da humanidade mostra que os gigantes da criatividade como Thomas Edison, Leonardo Da Vinci, Mozart, Van Gogh e Henry Ford foram relativamente poucos. O surgimento de um Bill Gates ou um Pablo Picasso é uma raridade, gênios desse tipo não aparecem todo dia. A falta de pessoas criativas é preocupante, pois o modelo atual de sociedade de consumo é totalmente dependente de inovações.


O aparelho de telex está no museu. A fita cassete já era. O fax está mofando. O telefone fixo está emudecendo. O cipoal de cabos dos computadores vai virar sucata. O tempo entre lançamento e aposentadoria das inovações está ficando cada vez menor. Quanto mais se inova, mais campos novos se abrem para exigir produtos e serviços ainda mais inovadores. Inovar virou um processo contínuo. Virou uma engrenagem. Um rolo compressor que acaba moendo, transformando em pó, aquelas empresas mais lentas e conservadoras. Elas vão acabar desaparecendo porque seus dirigentes jurássicos ainda estão sonhando com aquelas antigas máquinas de escrever da Olivetti. Essas empresas vão afundar porque ainda não entenderam que os seus ativos mais importantes não estão mais nas máquinas e instalações. Que agora eles estão depositados nas mentes de uns poucos empregados talentosos e criativos. Elas vão afundar porque não conseguem acompanhar o passo da cultura inovadora. Não conseguem a rapidez necessária para fugir dos velozes predadores que já predominam na selva empresarial da era do conhecimento.

Implantar uma cultura de valorização das inovações numa empresa conservadora é um processo lento. Muitos comandantes de Titanics são levados instintivamente a resistir, a bloquear sua imaginação quando apresentados a cenários futuros que não se encaixam naquilo que haviam idealizado. É muito difícil mostrar para determinados dirigentes jurássicos que as soluções administrativas que sempre funcionaram tão bem no passado, podem não dar certo na semana que vem. Nesses casos, é muito difícil mostrar que é preciso inovar para não afundar.

Eder Bolson, empresário, autor de Tchau, Patrão! www.tchaupatrao.com.br


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