Inovar é preciso, sobreviver não!

Porque ser criativo e inovador? As pessoas não estão preparadas para pensar por si só, precisam ser motivadas a fazer isso o tempo todo

"Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra: "Navegar é preciso, viver não é preciso".

Talvez se Pompeu vivesse nos dias de hoje, e fosse um palestrante corporativo, diria: “Inovar é preciso, sobreviver não é preciso!” onde preciso pode ser conotado tanto quanto uma necessidade, quanto um alvo que se atinge.

E por que isso? Fomos educados para sermos conformados, rotineiros e repetitivos. Estamos preparados a reproduzir sempre as mesmas atividades e/ou até os mesmos erros, e quando nos deparamos com algum obstáculo, por exemplo, a atual crise econômica e política, geralmente apenas esperamos ela passar, estamos bloqueados mentalmente à criar ou inovar para superar momentos difíceis ou até tirarmos oportunidades de momentos ruins.

Infelizmente ideias criativas e inovadoras, não estão em uma prateleira onde possam ser escolhidas e adquiridas. Nosso imediatismo nos impede, muitas vezes, de investir em algo que nos trará frutos a médio ou longo prazo. Além do mais, por vezes, somos motivados a crer que ambientes coorporativos são assassinos de ideias, afinal "fomos contratados para fazer e não para pensar", certo? E quando pensamos em algo novo, logo surgem comentários como: "Isso não tem lógica"; "Isso não é prático e não funciona"; "Isso é óbvio"; " Tolice!"; "não é da minha área"; "Vão me chamar te louco"; "O chefe não vai aceitar"; "Não dá certo nessa empresa"; "Vá direto ao finalmente"; "Na empresa é proibido errar"; "Temos que acertar logo na primeira jogada".

Notemos que essa inibição à inovação e criatividade ocorre desde nosso sistema educacional, onde apenas aprendemos a repetir cálculos matemáticos, decorar e reproduzir lições já vividas por outros. Diante desta realidade, muitas empresas têm tentado desinibir este potencial de seus colaboradores, incentivando-os a exercerem a atividade de pensar além de suas próprias “caixinhas” através da criação ambientes lúdicos e valorização do ócio criativo.

Como assim? Disse o professor e sociólogo italiano Domenico De Masi, em seu livro Ócio Criativo, "É preciso dar valor à introspecção, ao convívio, à amizade, ao amor e às atividades lúdicas para se tornar um ser criativo." Ou seja, devemos transcender o tradicional para incentivar a criatividade, deixemos de ter salas de reuniões e espaço para café, e passemos a ter espaços onde se é possível tomar café, e discutir ideias aos mesmo tempo. Tão verdadeira é essa necessidade que a professora Kalina Christoff, do Departamento de Psicologia da Universidade British Columbia, no Canadá, em uma pesquisa, publicada na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), provou por meio de imagens de ressonância magnética que o cérebro está bem mais ativo durante o devaneio do que se imaginava, ela comparou esse estado a um momento de raciocínio lógico. Ou seja, mesmo num ritmo menos acelerado, o cérebro está criando. Isso significa que distração e a diversão não são coisas de gente preguiçosa ou folgada, muito pelo contrário, podem ser um caminho para ter boas ideias, manter a saúde e resolver problemas.

Um exemplo da atual conhecido onde estas técnicas são adotadas é a Google, também referência como uma empresa do futuro e inovadora, onde em plena crise mundial em 2008, lançou seu navegador Google Chrome, produto que hoje é um dos carros chefe da empresa.

E nós, como temos inovado? Que diante dos desafios, possamos ser, ter e valorizar pessoas empreendedoras, curiosas, atualizadas, auto-suficientes, persistentes, perseverantes, autônomas, corajosas, sempre bem-informadas, autodisciplinadas, em busca da auto-realização, automotivadoras e motivantes. Só assim, poderemos transpor a caixa que aprisiona nossos pensamentos criativos e inovadores, nos possibilitando sonhar acordado e fazendo com que realizemos feitos além de nossa atividade funcional. Que deixemos um legado que possa ser lembrado e reconhecido pela sua excelência, afinal como diz o filósofo, professor e ex-secretário da educação de São Paulo, Mario Sergio Cortell, "O conhecimento serve para encantar as pessoas".

ExibirMinimizar
aci baixe o app