Inovação ou Morte

Não é um exagero. Não é uma força de expressão. Nem se quer uma novidade. Na gestão, como em qualquer outra atividade intelectual, o sucesso depende da capacidade de inovação, ou seja, de fazermos algo diferente e melhor. Só que entramos numa nova era, em que tal nunca foi tão necessário. Inovar já não é uma questão de opção, mas sim de sobrevivência. É no terreno da inovação que as grandes batalhas empresariais se estão a decidir. Logo, os gestores não têm alternativas. Ou apostam na inovação ou sucumbem. O mundo mudou e a empresa também precisa mudar. O ponto central é que não há mudança sem mudança. Acontece, porém que a maioria das pessoas não gosta de mudanças. Elas são forçadas pela crise e pela descontinuidade. Colocadas diante de novas coisas e novas formas de pensar, há um confronto com novas possibilidades e a descoberta do que desconheciam. A mudança não precisa ser imposta por crises ou calamidades, porém as pessoas precisam ser levadas ao desconhecido. Os que estão sempre aprendendo são aqueles capazes de enxergar as mudanças como cenário de oportunidades e não de prejuízos. São estes que sobrevivem na descontinuidade própria dos processos de mudança. É importante chamar a atenção para o seguinte: para obter a adesão das pessoas é necessária a flexibilidade do grupo que dirige o processo, mas para obter flexibilidade das outras pessoas é necessário que o processo seja rigoroso e determinado. Para que um processo de mudança seja bem conduzido, pelo menos outras duas questões precisam ser discutidas: uma diz respeito ao esforço de liderança no topo, com os entusiastas; outra, talvez mais fundamental, é saber como conduzir a mudança sem que as pessoas percam a confiança em si mesmas e na organização.
Inovação não é um resultado da sorte, ou do talento individual, mas sim uma disciplina que pode e deve ser ministrada em qualquer organização. Ao falar-se de inovação pensa-se, na maioria dos casos, em inovação tecnológica, em grandes unidades de pesquisas, efetuando atividades de pesquisas e desenvolvimento (P&D) conducentes à concepção e desenvolvimento de novos produtos e processos. E argumenta-se freqüentemente que não conseguimos inovar porque não realizamos investimentos suficientes na área de (P&D). Isso é verdade, mas é só uma parte da verdade. Esta nossa perspectiva assenta em duas razões relacionadas entre si. A primeira razão é que nem sempre as inovações validadas pelo mercado exigem desenvolvimentos tecnológicos de ponta efetuados no interior das empresas. Elas têm de dispor de uma capacidade básica de engenharia para integrar tecnologias e para apresentar respostas criativas. Para isso não é sempre necessário que a empresa tenha pesquisado profundamente as tecnologias mais sofisticadas. Em certos casos, estas podem ser obtidas no exterior e reformatadas pela empresa. Os conceitos de imitação criativa e de adaptação criativa traduzem esta lógica de atuação. O elemento-chave da inovação está freqüentemente nas idéias sobre a forma de responder a uma necessidade e na articulação de saberes dispersos, necessariamente no desenvolvimento interno desses saberes. A segunda razão tem a ver com o fato de haver outras dimensões da inovação para além da tecnológica a inovação comercial e a organizacional. A primeira, inovação comercial, corresponde à identificação de novas oportunidades de mercado necessidades não plenamente satisfeitas, aspirações não respondidas, novas aplicações de conhecimentos existentes, extensão geográfica , à introdução de novas formas de relacionamentos com clientes novos sistemas de distribuição, resposta rápida, customization dos produtos (concepção de produtos ou serviços à medida do consumidor), lançamento de marcas próprias, diálogo on-line no desenvolvimento de produtos específicos ou à utilidade de novas formas de promoção comercial. A capacidade de interpretação dos mercados não apenas o conhecimento dos mercados já existentes, mas também a identificação de tendências futuras p constitui um ingrediente essencial para o desenvolvimento da inovação comercial. Por seu turno, a inovação organizacional respeita as novas formas de estruturação, funcionamento interno e relacionamento externo das empresas. Por exemplo, a estrutura organizacional, as rotinas de atuação, a promoção de aprendizagem, a motivação dos recursos humanos e a política de alianças. Estas três dimensões da inovação complementam-se. Uma atitude organizacional de olhar para o futuro e de formular novos desafios, envolvendo o esforço conjunto da organização, conduz a uma nova forma, mais ousada, de perscrutar e de interpretar os mercados. Esta interpretação existente na empresa, identificando os elementos a obter no exterior e articulando-os de modo criativo. Na economia do conhecimento, a criatividade e a flexibilidade contam mais do que o controle de ativos físicos. A capacidade de identificar novas necessidades e de lhes dar respostas através da articulação de conhecimento de diversas origens é mais relevantes que as posições de mercado conquistadas. A exploração de tais possibilidades exige, no entanto, uma nova atitude empresarial que interiorize a inovação. O olhar do outro modo deve ser imperativo da empresa e um elemento mobilizador e integrador da imaginação e das competências dos seus membros. Porque não basta ter um produto inovador uma vez, é preciso, inovar sempre!
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