Inovação disruptiva e a democracia do mercado

É comum que quando as pessoas ouvem falar em inovação imediatamente elas pensam em tecnologias avançadas, futurísticas e longe da realidade das pessoas. No entanto, é pela inovação, principalmente a disruptiva, que as grandes massas passam a poder disfrutar de bens e serviços que antes eram praticamente inacessíveis a elas a partir da simplificação e da redução de custos vinculados a esses bens e serviços

De acordo com o dicionário eletrônico Houaiss a inovação pode ser definida como uma novidade, algo que é novo. Desde já é preciso dissociar a inovação do senso comum de grandes invenções tecnológicas. Nos negócios podem existir inovação em processos, em marketing, em produto, em serviço e em outras vertentes da empresa. De modo geral, há dois importantes graus de inovação a depender do contexto de mercado: a inovação incremental e a inovação radical.

Pense na comercialização de músicas em CDs e na sua seguinte comercialização em formatos digitais online e terá uma boa ideia de inovação radical. Pense agora no ganho continuo de espaço de armazenamento que os discos rígidos de computadores vem ganhando nos últimos anos e terá uma ideia do que seria a inovação incremental. Ambas se concentram em aperfeiçoar ainda mais um bem ou serviço já existente.

Diversos produtos em uma determinada época foram fornecidos por poucas empresas e acessíveis somente para um determinado grupo pequeno de consumidores, os que possuíam um certo conhecimento diferenciado e/ou um maior poder aquisitivo para o seu consumo e utilização. Ou seja, uma grande parte do mercado que não possuíam estas características ficavam sem ser atendidas por estes. Pode-se citar os primeiros computadores por volta da década de setenta e oitenta para ilustrar a situação, por exemplo.

Contudo, por vezes, surgia no mercado produtos que desempenhavam as funções essenciais daqueles até então quase inacessíveis e que começaram, com algum tempo depois, torna-se disponíveis as grandes massas de consumidores que em outrora não eram capazes de possui-los. Em vez de produzirem produtos mais complexos e sofisticados certas empresas começaram a produzi-los mais simples, com menores custos e focado nos ganhos marginais de escala do mercado de massas.

A este fenômeno dá-se o nome de inovação disruptiva, uma expressão criada pelo professor de administração da universidade de Harvard, Clayton Christensen, e que a descreve como um processo pelo qual um bem ou serviço tem uma origem inicialmente com uma performance baixa focada em entender um grande mercado que não estava sendo atendido e em seguida começa a atender novos mercados em uma escala crescente de renda dispostos a pagar mais e que requerem esses produtos com um grau de performance e sofisticação maior, fazendo com a empresa disruptora comece a inovar no seu produto para atender as esses novos mercados.

Para melhor simplificar o entendimento cabe a utilização de alguns exemplos. Foi com a simplificação da linha de montagem de Henry Ford no início do século passado que começou a produção de carros padronizados e de baixo custo que favoreceu o mercado de consumidores com poder aquisitivo menor a começarem a comprar carros que antes somente poucos indivíduos podiam possuir. Outros exemplos de inovações disruptivas foram a disponibilidade das câmeras digitais, dos smartphones, da Wikipédia, dos computadores portáteis, entre outras.

Pouco tempo atrás houve uma grande inovação disruptiva no modo que as pessoas se comunicam, foi o advento do WhatsApp. Não é recente que as pessoas se comunicam por meio eletrônico, mas até então nenhuma plataforma simplificou tanto (cabe atentar a diferença de simples e simplista) como o WhatsApp. Graças aos avanços tecnológicos, um aplicativo de uso simples se tornou parte da vida de – até o momento - de quase 1 bilhão de pessoas ao longo do planeta. Uma das suas principais razões de seu sucesso é pela facilidade de possuí-lo em um celular smartphone, vincular facilmente contatos já presentes no aparelho e logo em seguida já ser possível trocar e compartilhar texto, imagens e outros conteúdos instantaneamente com quaisquer pessoas em qualquer lugar de forma móvel, contando apenas que se esteja conectado à internet. Uma ferramenta usada até mesmo por pessoas menos familiarizadas com a tecnologia e que faz parte tanto da rotina profissional e pessoal de diversos indivíduos.

Como visto, a inovação é um processo que, ao contrário do que muitos pensam, tende muito mais beneficiar as grandes massas, as pessoas com baixo poder aquisitivo e com nível conhecimento menor do que aquelas com alto poder aquisitivo. É possível dizer que a inovação disruptiva democratiza todos os produtos, no que tange a sua utilidade, que antes somente pessoas mais afortunadas conseguiam usufruir. De qualquer forma, a inovação disruptiva é a inovação das massas.

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