Inglês fluente pra quê mesmo?

Todos nós já ouvimos algumas vezes que é preciso ter inglês fluente nos dias de hoje, mas você sabe por quê? Se estiver pensando que é apenas para "engordar" o currículo e/ou deixar de perder oportunidades de emprego você está muito enganado. Confira

Seu pai, sua mãe, seus tios, até mesmo seus avós, todos os recrutadores e headhunters, meia dúzia de pessoas que gostam de você no trabalho (incluindo seu chefe) e uma infinidade de artigos e textos publicados já te disseram um dia: Tem que ter inglês fluente nos dias de hoje, senão….

- Senão o quê? Eu te pergunto.

E as respostas geralmente são:

  • Senão... eu não vou conseguir crescer em minha carreira, talvez nunca consiga ser um grande Diretor ou um Presidente;
  • Senão... eu não vou conseguir uma vaga de trabalho nesse mercado competitivo;
  • Senão... eu não vou nem ser chamado para entrevistas de emprego, porque concorrendo comigo para a mesma vaga tem outros profissionais igualmente qualificados, mas que falam inglês.
  • Senão... eu não vou ter oportunidade de experiências profissionais internacionais;
  • Senão... talvez eu nem mesmo consiga manter o emprego que tenho hoje, uma vez que as demandas internacionais estão começando a surgir e meus colegas estão sendo convidados para reuniões que antes eu atendia

Tudo isso é verdade! E tantas outras respostas cabem aqui.

Como headhunter eu confirmo todas as informações acima. Em muitos casos já trabalhei posições em que o profissional não usaria o inglês para absolutamente nada no dia a dia e em que a empresa não tinha nenhuma interface com outros países.

Entretanto, vejam pelo lado da empresa: 1º E se amanhã formos comprados por um grupo internacional?; 2º E se amanhã descobrirmos um mercado externo potencial para nossos produtos?; 3º E se amanhã fecharmos contrato com um fornecedor internacional? 4º E se quisermos contratar um treinamento para a equipe de gestores da companhia e não houver tradução?

Já vi tudo isso descrito acima acontecer. E se ainda quiser um 5º ponto: Em uma vaga que não demanda inglês para uma empresa que não está preocupada com nenhum dos pontos acima, se todos os candidatos finalistas de um processo seletivo tiverem as mesmas qualificações técnicas, comportamentais e experiências, ter o inglês pode ser um diferencial.

Querem um 6º ponto? O profissional que se propôs a estudar inglês transmite a mensagem de que se importa com seu futuro, de que investe em si mesmo e de que entende as necessidades e demandas dos negócios no século 21.

O artigo, na verdade, começa aqui!

Mas isso tudo ainda é pequeno, apesar de importante, considerando o fato de que você está perdendo oportunidade de adquirir conhecimentos e aprendizados que não estão em português.

Como Coach eu te pergunto: O que as pessoas ao seu redor estão fazendo para evoluir, crescer e se desenvolver que você não está? Elas estão lendo e se atualizando! Todos os dias! Enquanto você está limitado a ter acesso aos conhecimentos traduzidos para sua língua.

Já ouviu falar que estamos na era do conhecimento? (Sim, ela substituiu a era industrial, que por sua vez substituiu a era da agricultura). Este período é marcado pela ausência de barreiras geográficas, transpostas principalmente pela existência da internet, que democratizou e barateou o acesso às informações.

No entanto, sem saber falar inglês, essas barreiras ainda existem pra você!

MBAs e pós-graduações já começam a perder valor prático frente a troca de experiências virtuais, em tempo real, com pessoas de todos os lugares do mundo. Enquanto para os primeiros você precisa de dinheiro (no mínimo R$ 15.000,00) e de tempo (no mínimo 1 ano e meio), para o segundo você precisa de conexão com a internet (o que você provavelmente já tem), uma conta no Skype e no LinkedIn (de graça) e SABER FALAR INGLÊS.

No próprio LinkedIn, e fora dele, eu mesma já fiz contato com experts na minha área de atuação de todos os lugares do mundo e trocamos boas práticas: desde como funciona o processo de Coaching na Austrália à compreender o que é importante para um perfil de LinkedIn na Hungria.


Mas é preciso agir com bom senso, pois muitas empresas aqui no Brasil ainda não acompanharam todas essas transformações e ter um MBA ou uma Pós no currículo ainda fazem diferença na hora ser contratado.

Entretanto, depois de conseguir a vaga, o que você vai fazer para se destacar e crescer dentro da empresa pode estar muito mais relacionado com outros conhecimentos.

Só para não ser injusta, eu já pesquisei e vi que existem instituições de ensino preocupadas em acompanhar esse movimento e que estão começando a oferecer MBAs que não ensinam, por exemplo, SWOT na matéria de Marketing. Não que a Análise SWOT seja ruim, mas outros tipos de análises já foram inventadas depois dela.

E para que fique claro: o conteúdo produzido em português é de altíssima qualidade e o que vem de fora nem sempre é o melhor. Se você entendeu algo diferente disso nesse artigo, você simplesmente não entendeu o meu ponto.

Em resumo, sem saber falar inglês você está perdendo a independência de escolher o que quer aprender e de ser o profissional que você quer ser. Hoje você é apenas aquilo que tem disponível em português.

E aí? Vai aprender inglês agora ou vai ficar cada vez mais pra trás nessa corrida pelo conhecimento?

Texto publicado originalmente no LinkedIn em minha página

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