Indicadores de Inovação dos Arranjos Produtivos Locais - O papel estratégico da PINTEC

É pública e notória a revolução que ocorreu no mundo dos negócios. A maturação e disseminação das tecnologias da informação aceleraram tremendamente a velocidade com que se efetuam negócios. Fenômenos como a globalização da economia e da comunicação, estão gerando transformações cada vez mais rápidas no mundo. Para acompanhar tal transformação é importante para as empresas estarem informadas e atentas ao ambiente macroeconômico e de pesquisas que revelam questões importantes para a sua sobrevivência, abertura ou mesmo fortalecimento do negócio. Por outro lado torna-se necessário levantar tais informações junto às empresas. Somente através destas informações será possível avaliar seu desempenho em relação às médias setoriais e também aos governos avaliarem e desenvolverem políticas nacionais, setoriais e regionais. Neste trabalho a finalidade é a de alcançar um nível de compreensão mais elevado e crítico destas pesquisas e informações geradas. Seus resultados são o ponto de partida para que políticas mais eficientes possam ser pensadas e lançadas, visando o planejamento e o desenvolvimento estruturado das atividades produtivas do país. O objeto de estudo escolhido é o papel estratégico da PINTEC (Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica), que é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) do Ministério da Ciência e Tecnologia. A PINTEC tem por objetivo, a construção de indicadores setoriais, nacionais e regionais, das atividades de inovação tecnológica das empresas industriais brasileiras, comparáveis com as informações de outros países. O foco da pesquisa é sobre os fatores que influenciam o comportamento inovador das empresas e sobre as estratégias adotadas, os esforços empreendidos, os incentivos, os obstáculos e os resultados da inovação. A PINTEC em sua estruturação, parte de uma base conceitual aceita internacionalmente e consolidada em manuais padronizados, o que permite comparabilidade. Apresenta tanto indicadores tradicionais, como indicadores de motivação, e de impacto, formando uma base que auxilia entender estratégias setoriais. As informações solicitadas se referem às características da empresa; às inovações de produto e/ou processo implementadas, incompletas ou abandonadas; às atividades inovativas desenvolvidas; aos gastos com estas atividades; ao financiamento destes gastos; ao caráter das atividades internas de P&D e número, nível de qualificação e tempo de dedicação das pessoas envolvidas com esta atividade; aos impactos da inovação no valor das vendas e exportações; às fontes de informação utilizadas; aos arranjos cooperativos estabelecidos com outra(s) organização(ões); ao apoio do governo; às patentes e outros métodos de proteção; aos problemas encontrados; e às mudanças estratégicas e organizacionais empreendidas no período da pesquisa. A última PINTEC foi realizada em abril de 2004 e seus resultados estão previstos para junho de 2005. Portanto os indicadores e a base de estudo que está sendo analisada neste trabalho se refere à PINTEC realizada em 2000, que analisou o setor privado no período entre 1998 e 2000. Na análise destes resultados verifica-se que: - Das 70 mil empresas que contam com 10 ou mais pessoas ocupadas 31,5% implementaram inovações em produtos e/ou processos, ou seja, 22,7 mil indústrias; - As taxas de implementação de novidades tecnológicas reduzem considerando que o referencial de venda é o mercado interno. Dos 17,6% das empresas que lançaram mão de novos produtos ou aprimorados, apenas 4,1% disseram que estavam voltados para dentro do país; - Cerca de 11% das empresas consideradas inovadoras tinham arranjos de cooperação para inovação com outras organizações; - 69,6% das indústrias que apostam na inovação tecnológica o fazem para aumentar a capacidade produtiva. Enquanto 64,8% visam a flexibilização de produção; - Os maiores motivadores da atividade de inovação dentro das fábricas estão relacionados a manter ou ampliar sua participação no mercado, com respectivamente 79,6% e 71% das empresas entrevistadas; - Cerca de 54% das indústrias que inovaram disseram que encontraram problemas que tornaram mais lenta ou inviável a implementação de alguns projetos; - As maiores barreiras enfrentadas pelas indústrias são de natureza financeira: altos custos, riscos e escassez de fontes de financiamento. Ronald Martin Dauscha, da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) em análise a esses indicadores diz: A percentagem é pequena em si, e ainda há dois agravantes: pelos critérios da pesquisa, fazer inovação tecnológica significava fazer uma inovação nesses três anos; além disso, a Pintec entendeu inovação tecnológica de forma muito mais abrangente do que a atividade nobre de fazer P&D incluiu aquisição de tecnologia, compra de novas máquinas, capacitação e treinamento. Conforme, Sicsú e Melo, da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco) A importância da inovação para o aumento da produtividade e para o processo de consolidação do desenvolvimento reconhece, que os indicadores tecnológicos usuais (número de patentes, gastos em P&D sobre faturamento, por exemplo) muito voltados para as lógicas dos países centrais e de inovações radicais, nem sempre atendem às especificidades dos países periféricos, menos ainda quando se trata de periferia da periferia. Ao considerar que a lógica dos indicadores deve estar associada a sua capacidade de monitorar a intensidade ou a capacidade inovativa das empresas, e reconhecendo a importância que exerce o ambiente institucional no processo de inovação, o trabalho alerta para a importância de estabelecer princípios básicos norteadores da construção de indicadores. Estes devem ser representativos e que permitam traduzir a lógica da competitividade regional em espaços distintos e heterogêneos. Enfim, como até muito recentemente, não se contava no Brasil, com uma base de informações ampla e confiável sobre indicadores de inovação, a PINTEC é um avanço significativo nessa direção e um importante instrumento para o planejamento industrial brasileiro; em sua estruturação permite comparabilidade internacional, porém algumas adequações são necessárias principalmente devido aos diversos espaços produtivos regionais distintos do Brasil. Uma idéia seria a ampliação do debate visando esta reformulação e adequação entre as atividades de fomento à pesquisa e de centros de pesquisa, junto com instituições tais como (Sebrae´s regionais, associações empresariais,etc). Tais instituições regionais funcionariam como uma rede tecnológica de apóio regional funcionando na coleta e na disseminação de informações junto às MPE´s e APLL´s. Tais mecanismos de informação para as empresas não somente representa um instrumento gerencial básico para a formulação das políticas de intervenção e de articulação, como também instrumento chave para a avaliação destes impactos e de redefinição dos mecanismos de inserção competitiva.
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