Impeachments, golpes e democracias

Na atual política brasileira, dominada por coronéis de paletó, gravata e Iphone, não existem ideologias. O que existem são interesses pessoais dissimulados por ideologias ultrapassadas.

Por 38 votos a favor e 27 contra, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que trata da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma aprovou relatório que recomenda tal afastamento da Presidente.

Pelo lado dos que apoiam o impeachment, esse resultado na comissão representa um grande passo rumo à aprovação do referido processo no Plenário da Câmara. Para os que apoiam a permanência de Dilma, o placar aponta para uma proporcionalidade de votos que, se mantida no próximo dia 17, representará a derrota de um suposto golpe e a vitória da democracia.

Em que pesem tais discursos para quem ainda está indeciso acerca da aprovação ou não do impeachment de Dilma, uma constatação é certa: mais uma vez, quem ganha com a condução equilibrada desse processo é a própria democracia, na medida em que, apesar da propaganda contrária ao afastamento de Dilma que aponta para um suposto golpe, o processo de impeachment em curso vem sendo regido pelas normas jurídicas de nosso Estado de direito.

Porém, com ou sem Dilma, uma outra constatação é certa: precisamos escolher melhor os que guiarão o destino de nosso país. Desde a redemocratização do país na década de 1980, já é o segundo processo de impeachment de um Presidente da República sendo debatido e votado pelo Congresso Nacional, o que aponta para a falta de estadismo e de compromisso com a res publica pelos grupos políticos que vêm se apropriando do poder no país.

Não adianta dissimular ou se espernear: sendo coxinha ou mortadela, leitor da Veja ou da Carta Capital, negar que a dicotomia política esquerda/direita está ultrapassada no país é tentar negar que o próprio uso de dicotomias numa sociedade só tem servido para acirrar paixões e gerar divisões no tecido social, facilitando, assim, a conquista e perpetuação no poder pelos que tão somente vêm se alternando na condução do país. Afinal de contas, e a história recente bem evidenciou isto, não há nada mais esquerdista do que um coxinha no poder e nada mais direita do que um mortadela na oposição.

E não nos esqueçamos: tão necessário quanto o impeachment de Dilma é o impeachment das forças políticas que se alternam no poder baseadas no atraso econômico-social e que se locupletam da coisa pública. Para tanto, o poder popular deve ser usado com parcimônia e sabedoria, tanto nas urnas quanto nas ruas.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

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