Café com ADM
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IDÉIAS: CUSTO OU DESPESA?

É comum, quando se fala em idéias no processo produtivo das empresas, ocorrer uma das seguintes coisas: ou elas são, assim que apresentadas, encaradas como um custo, inerente a atividade da empresa, ou como uma despesa, ou seja, um desperdício de dinheiro que deve ser cortado. Vejamos o porquê. Custo é, latu sensu, uma quantia que deve ser dependida (em dinheiro, tempo, esforço, etc.) para se obter algo. Quando uma idéia é considerada um custo isso significa que, na empresa, o topo da pirâmide organizacional considera as idéias como inerentes à atividade produtiva. No entanto isso não significa que elas são desejadas, ao contrário, são evitadas. Nessas organizações os únicos funcionários pagos para pensar são os diretores e gerentes. Ao baixo escalão cabe trabalhar incessantemente, sem pausas e, se possível, sem pensar. (Vale a pena gastar um parágrafo para explicitar que, a nosso ver, é muito comum e sempre mais interessante para quem lidera uma população fazer com que as pessoas lideradas não pensem, pois quem não pensa não dá trabalho; aceita tudo passivamente. Isso é lógico. Porém, acreditamos ser miopia pensar por esse viés. É uma tremenda burrice pagar para embecilizar as pessoas.) Nas organizações em que idéias são encaradas como custo a simples menção de um novo modo de produção, uma mudança na avaliação das peças, ou o que quer que for, não importa, deve ser evitada. Toda nova idéia é ouvida, mas não implementada, e o idealizador é orientado a retornar ao processo produtivo. Nesse tipo de ambiente de trabalho, taylorista típico, acredita-se que um funcionário que tem idéias próprias é um incômodo, porém ter que permanecer na organização, pois o processo produtivo precisa dele. Daí decorre o fato de inúmeros funcionários sentirem-se apenas tolerados em suas organizações. Creio de cerca de 45% das empresas pensam assim. Da mesma forma existem as organizações que encaram as idéias como despesa. Despesa, fique-se claro, é todo dispêndio (de dinheiro, tempo, trabalho, etc.) que não se relaciona com o processo produtivo, ocorrido em uma organização. Nesse tipo de empresa também ocorre tudo o que já foi supracitado, porém, com um agravante. Nelas o fator humano não é relevante. Dessa forma, um funcionário que se propõe a discutir os alicerces básicos da cultura organizacional, dos modos de produção, do sistema financeiro, entre outros, é rapidamente substituído. Um cenário ainda pior ocorre quando um funcionário propõe uma mudança estrutural. Nessas horas a empresa volta à Idade Média. Os gerentes viram agentes da Inquisição e o funcionário, já com os pés na fogueira, é induzido a explicar por que maldição ele foi querer mudar um processo que, implementado há dez anos, continua dando certo. E o pior é que de nada importa o que ele falar por que nada irá mudar o ponto de vista da cúpula. No fim da história, o funcionário acaba sempre sendo demitido, por incompetência. Uma empresa com esse perfil é fácil de se identificar: nelas existem os funcionários dinossauros, que trabalham ali desde que a empresa foi fundada e os novatos, pessoas que entraram há não mais que um ano. Nelas não há pessoas meia-vida, com três ou quatro anos de empresa, pois é quando a pessoa já está há mais de dois anos na organização que ela começa a contestar as políticas organizacionais. E acaba sendo cortada! Creio de cerca de 50% das empresas tenham esse perfil. Apesar dessas duas visões comuns no que tange a idéias, é aos 5% restantes que devemos o desenvolvimento. Há uma minoria de organização que vêem idéias não como custo, nem ao menos como despesa, mas sim como Investimentos de Terceiros. Essas organizações compreenderam que é graças às sugestões dos funcionários insatisfeitos com a situação cotidiana que os lucros acontecem. Elas perceberam como é importante ter colaboradores pensantes na empresa, pois são esses pensadores, e idealizadores, que acompanham o que acontecem no mundo afora e tentam trazer para dentro do ambiente organizacional o que julgam que trará lucro para a empresa. Essas empresas têm que suportar falhas (não deve haver a pretensão de que toda idéia sugerida dará certo) porém, na maioria das vezes, as idéias apresentadas trazem benefícios para a firma. Alguns mais tangíveis, outros menos, mas todos importantes.
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