Há lugar para todos

Entre os temas que mais preocupam os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho, estão a escolha da profissão e as incertezas com relação ao futuro. As dificuldades para descobrir oportunidades, em meio a tantas variáveis e diante da acirrada competição, têm contribuído para a formação de profissionais fora de sintonia com suas próprias aptidões e vocações. Estes momentos vividos pelos jovens nos últimos tempos, me faz lembrar de uma brincadeira de crianças chamada dança das cadeiras, na qual, a cada etapa diminui uma cadeira e sobra um componente, até que só reste um, quando a brincadeira acaba. Talvez não possamos mudar este quadro de escassez de estágios ou de empregos, mas, certamente podemos melhorar a qualidade e as condições de trabalho de estagiários ou profissionais recém-formados, aproximando-os o quanto possível de suas habilidades mais fluentes. As empresas precisam cuidar da continuação e aperfeiçoamento de suas culturas. Uma marca forte e de referência se constrói através da valorização de sua história e a história se compõe a partir das ações das pessoas. Precisamos abrir espaço para a criatividade, para a novidade e para o pensamento sem vícios, isto só é possível a partir de pessoas livres de paradigmas e que não acreditem na existência do impossível, características encontradas em abundância na juventude. O tempo nos transforma em profissionais experientes, no entanto, quanto mais experientes nos sentirmos, mais precisamos estar atentos às novidades e atualizações. Precisamos perceber as novidades expressas pela tecnologia, pela ciência e pelas artes. Uma música nova pode nos ensinar um novo ritmo para um pensamento antigo, na maioria das vezes, soluções do passado não servem para problemas atuais, as informações e os dados nos traduzem novas leituras a cada momento. Estamos acostumados a regras, símbolos e convenções que, devido às influências de nossos modelos mentais, tomamos como naturais. Para que tenhamos argumento diante de situações novas, precisamos ouvir e escutar, olhar e ver a partir de uma ótica que nos permita ampliar as possibilidades. É tudo uma questão de referência e isto só é possível se estivermos em constante atenção aos velhos e também aos novos conceitos e suas linhas de pensamento. É preciso estimular os jovens para que cresçam fortalecidos também pelos erros e correções, pelas perdas e ganhos. É preciso acreditar no potencial que desponta cauteloso e cheio de vigor, ansioso e sedento por um futuro que acabou de nascer. A filosofia nos mostra que início e fim podem ser apenas pontos de marcação e referências; que não há verdade absoluta. A relatividade difundida por Albert Einstein nos coloca diante de conceitos diferentes até para o tempo e para o espaço, logo, uma nova maneira de realizar pode nos surpreender e nos ensinar. O velho e o novo se completam. A experiência guarda em sua essência e em seu DNA o prazer da descoberta e a lembrança dos primeiros passos. Os homens de Neandertau viam o mundo através das sombras nas paredes das cavernas, até o dia em que um deles decidiu sair para ver o sol.

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    Laercio Filho

    Laercio Filho

    Administrador de Empresas, MBA em Planejamento e Gestão Organizacional pela Universidade de Pernambuco, Professor Universitário, Empresário, Palestrante, Escritor e Poeta.
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