Há 10 anos Steve Jobs reinventava o telefone
Há 10 anos Steve Jobs reinventava o telefone

Há 10 anos Steve Jobs reinventava o telefone

Fazemos tudo pelo celular hoje em dia. Quer dizer, quase tudo. A tecnologia é tão fantástica, mas tem coisas elementares que ela ainda não resolveu

O mundo nunca mais foi o mesmo depois do dia 9 de janeiro de 2007. Nascia o primeiro iPhone! Coloco esse dia como o marco que dá início à revolução tecnológica que vivemos hoje. Somos peixes e o peixe só se dá conta que vive dentro d’água quando está fora dela, morrendo sem respirar. É mais ou menos como nos sentimos. Nós estamos no meio, no epicentro de um processo de revolução tecnológica e digital. E ela está acontecendo diante de nossos olhos, onde temos que ter a lupa bem ajustada para buscarmos algum tipo de nitidez e enxergar tudo que acontece de fato ao nosso redor. Veio o iPhone e com ele milhares de aplicativos com os quais nos relacionamos a cada minuto.

Eles nos viciam. Não conseguimos imaginar nossas vidas sem nossos smartphones e sem as chamadas redes sociais digitais, como Facebook, Instagram, Whatssapp, Spotify, Waze e tantas outras. Tudo isso veio de 10 anos pra cá, e veja a que nível de sofisticação tudo isso está hoje. A coisa evoluiu de forma ininterrupta. O iPhone 7 foi lançado há poucos meses, com duas câmeras, mais leve, com mais cores, mais discreto e sem cabinho para o fone. Enfim, ele está mais sexy ainda. Em uma espécie de relação simbiótica, nossos celulares hoje interagem conosco a maior parte de nossos dias. Eles nos ajudam a lembrar das coisas, a nos relacionarmos com pessoas, a nos promovermos. Ele otimiza nossas vidas, ele nos ajuda a viver. E quais os possíveis efeitos danosos dessa relação tão íntima, próxima e familiar com esses dispositivos? A resposta é, ainda, uma folha em branco. Mas o fato é que o iPhone da Apple puxou e ainda puxa toda essa carruagem de novidades altamente sedutoras.

O nascimento do iPhone e a forma como nos apropriamos dele nos fez aprender algo novo: somos enquanto conectados. É um caminho sem volta. Alguém consegue imaginar a vida sem esses fantásticos dispositivos de conexão? Não dá mais. Alguns pensadores contemporâneos, capitaneados pelo antropólogo francês Bruno Latour, afirmam que a nossa espécie humana passa hoje em dia por uma transformação de caráter ecológica. Sim, ecológica.

Lembra-se? A ecologia é a ciência que estuda o meio ambiente e os seres vivos que vivem nele, e por conta de novos “seres” (celulares, laptops, aplicativos) há uma mudança absolutamente drástica e significativa na forma como existimos aqui nesse mundo. Esses autores propõem uma nova sociologia e, obviamente, estão sendo muito criticados e pouco compreendidos. E basta olharmos ao nosso redor para vermos que, realmente, há algo muito transformador que acontece em nossas vidas, nas nossas relações, no mundo. Hoje já são mais de 110 milhões de pessoas conectadas no Facebook só no Brasil, no mundo são quase 2 bilhões de terráqueos.

Fazemos tudo pelo celular hoje em dia. Quer dizer, quase tudo. A tecnologia é tão fantástica, mas tem coisas elementares que ela ainda não resolveu. Uma conversa olho no olho com outra pessoa pelo nosso iPhone ainda não tem como. Sim, falamos no Skype ou no Facetime, mas não tem como ainda manter uma conversa com um olhando no olho do outro ao mesmo tempo. Experimente olhar no olho da pessoa. Ela irá te ver olhando levemente pra baixo. Quer olhar no olho da outra pessoa? Olhe pra sua câmera frontal, e não para o olho dela. Talvez até o iPhone 14 eles consigam resolver isso.

A caixa do iPhone abre lentamente e a sua tampa desliza como um véu que está caindo de um corpo. Mas muito mais que um mero dispositivo eletrônico que nos permite nos comunicarmos e com uma miríade de possibilidade, o iPhone da Apple vem revestido de uma camada discursiva extremamente sedutora, criada pela publicidade, e que nos inscreve em imaginários tecnológicos incríveis e marcados por elementos de inovação, elegância e alta distinção sócio-econômica. Ter um iPhone na mão, nos ajuda dizer por mundo quem nós somos, nos permite dizer para as demais pessoas quem nós não somos, ou então quem gostaríamos ser. Isso é tão verdade que, em algumas cidades do nordeste, foi inventado o serviço de aluguel de iPhone apenas por uma noite, apenas para a balada. Quer chamar isso de uma tremenda tolice? Eu chamo de consumo e uma potência incrível. Parabéns, iPhone!

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    Marcos Hiller

    Marcos Hiller

    Marcos Hiller é Diretor de Planejamento da TRUE STORIES, um escritório que atua com posicionamento de marcas, projetos de branded content e educação executiva em clientes como Bauducco, BMW, Habibs, Fujitsu, Ray Ban e Renault. Mestre em comunicação e consumo pela ESPM e pesquisador nas áreas de tendências, branding e cultura digital, Hiller ministra palestras pelo Brasil e exterior sobre inquietantes temas desse ecossistema digital que habitamos. Professor convidado de escolas de negócios como FGV Management, FIA-USP, PUC-PR e autor de 4 livros: em 2012 escreveu “Branding: a arte de construir marcas”, em 2014 “ONdivíduos” e nos últimos anos lançou “WALK edição Nova York e edição Abu Dhabi”, seus mais recentes livros sobre pesquisa de tendências de consumo que tem efetuado em cidades pelo mundo. Seu currículo reúne diversas especializações, entre elas cursos na Santa Fé University (Novo México/USA) e na Universidad Andres Bello (Santiago/Chile). Foi executivo por mais de uma década na indústria financeira, onde ocupou cargos executivos como Gerente de Marketing do BankBoston e Coordenador de Comunicação do Grupo Santander Brasil. Hiller escreve há 5 anos para o Portal Administradores, tem 39 anos e reside na cidade de Campinas/SP.

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