Governança, assimetria de informação e risco moral

A assimetria de informação está relacionada aos diferentes níveis de informação mantidos ou fornecidos pelos gestores em relação ao negócio e aos investidores de capital, o que pode comprometer a governança da companhia.

Para muitos pesquisadores, a assimetria de informação começou a ser discutida a partir dos problemas da Teoria da Agência, que estuda os conflitos de interesses entre propriedade e gestão. A assimetria de informação está relacionada aos diferentes níveis de informação mantidos ou fornecidos pelos gestores em relação ao negócio e aos investidores de capital. A implementação e efetiva adoção de práticas de governança corporativa contribuem para a melhoria da qualidade da informação, principalmente através do pilar da Transparência, amplamente defendido pelos institutos especializados, a destacar o IBGC (Brasil) e o IPCG (Portugal). Vale a pena destacar que a assimetria informacional pode afetar o negócio como um todo, seja na elaboração de estratégias, nas transações correntes e, principalmente na tomada de decisão. Compromete também outro pilar da GC, a Prestação de Contas (accountability).

Por isso, cabe uma breve discussão da relação deste problema de governança com a questão do risco moral. Ainda no século XVIII, Adam Smith acreditava que, na perspectiva do comportamento econômico, os participantes do mercado eram racionais e bem informados. No entanto, o economista Kenneth Arrow foi o primeiro a estudar a questão da informação incompleta nos mercados. Sem entrar na discussão dos contratos imperfeitos, Arrow apontou que mesmo com a concordâncias das partes na assinatura de um contrato, não existe garantia de que qualquer um o cumprirá. Neste caso, se uma parte não monitorar o comportamento da outra, pode surgir um incentivo para que a parte não observada descumpra o que foi acordado, ocorrendo um desequilíbrio de informação a partir de ações ocultas. Essa situação é conhecida como Risco Moral. Esse Risco pode aparecer em qualquer cenário em que uma pessoa ou instituição tenta levar uma outra parte (agente) a determinado comportamento. Se isso despender algum esforço do agente e o demandante não conseguir observar, aquele tem motivo e oportunidade para descumprir o contrato.

O problema do risco moral ganhou notoriedade com a crise financeira de 2008 e, certamente, está presente em todas os desdobramentos de tentativas de se implantar e realizar práticas de governança corporativa em todas as companhias, com destaque para os grandes agentes econômicos. Finalizo lembrando que a informação (a boa informação) é algo essencial para a governança e gestão, e que muitos estudos se debruçam em situações nas quais uma parte na transação possui mais informações, ou informações mais seguras, que a outra. Certamente, trata-se de um modelo não sustentável.

Comentários

Participe da comunidade, deixe seu comentário:

Deixe sua opinião!  Clique aqui e faça seu login.
    Hélder Castro

    Hélder Castro

    Administrador de Empresas, graduado em Processamento de Dados. Doutorando em Desenvolvimento Regional e Urbano (Universidade Salvador, Brasil | Universidade Nova de Lisboa, Portugal); Mestre em Administração (Universidade Salvador, Brasil); MBA em Gestão Empresarial (FGV); e Especialista em Planejamento e Gestão de Projetos Logísticos (FCA). Associado ao Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e ao Instituto Português de Corporate Governance (IPCG). Experiência na recuperação de empresas, com concentração em Governança e Gestão. Participação em projetos executivos de governança tributária para grandes agentes econômicos, bem como estruturação de serviços compartilhados. Desde 2010, é Diretor Executivo de um Grupo de Consultoria em Gestão. Business Management and Informatics Degree. Regional and Urban Development PhD Candidate (Salvador University, Brazil | New University of Lisbon, Portugal); Master in Business Administration (Salvador University, Brazil); MBA in Business Management (FGV); Logistic Projects Planning and Management (FCA). Brazilian Institute of Corporate Governance (IBGC) and Portuguese Institute of Corporate Governance (IPCG) Associate. Experience in company recovery, with concentration in Governance and Management. Executive projects in large economic agents tax governance, as well as shared services modeling. Management Consulting Service Group CEO, since 2010.
    café com admMinimizar