Globalização, Desemprego e Informalidade

A idéia deste texto começa com uma cena que presenciei em uma grande rede de supermercados aqui de Salvador, vendida a uma grande multinacional. O supermercado deve ter uns 40 caixas e apenas uns 10 empacotadores, ou seja, a caixa passava uma certa quantidade de compras e parava para embalar, e assim sucessivamente. A fila começou a crescer e as pessoas a reclamar. Em Salvador existe uma lei municipal que em estabelecimentos com mais de 3 caixas é obrigatória a contratação de empacotadores em igual número de caixas. O que acontece então? Entra em cena, a automação que se tornou uma das principais ferramentas do processo de globalização. Voltando ao exemplo dos supermercados, foi criada a esteira rolante que permite a caixa colocar os produtos em sacos plásticos e à medida que ela aciona a esteira leva as compras empacotadas até perto do consumidor. Um dos grandes objetivos do processo de automação, é a redução dos custos das empresas, pois acaba sendo não mais necessária a mesma quantidade de empregados para a execução de determinada tarefa. O desemprego é o grande produto de todo este processo. Quando se trata de automação e avanços tecnológicos, a estrutura de recursos humanos das empresas foi modificada, ocorrendo assim uma redução significativa das oportunidades de emprego. São encontrados outros exemplos além dos supermercados, como as agências bancárias, hoje muito informatizadas. A busca incessante por produtividade nas empresas, virou sinônimo de exclusão, levando a substituição do trabalho braçal pelo automatizado. A cada nova onda da globalização, acontecem grandes mudanças nas necessidades do homem que refletem no conceito de emprego e nas relações de trabalho de forma drástica. O que resta a estas pessoas que se desempregam em função da automação de escritórios ou indústrias? Se não tiverem condições de buscar um processo de qualificação profissional ou até mesmo investir em uma nova carreira de trabalho, ficarão à margem de todo este processo, e o pior sem uma ocupação. A informalidade passa a ser um meio de trabalhar para garantir o sustento. A OIT, Organização Internacional do Trabalho, divulgou em um dos seus relatórios que no período de 1991 a 1995, de cada 10 trabalhadores que conseguiam uma ocupação, 6 eram para o trabalho informal. No período de Dez/03 a Dez/04, a revista Exame divulgou que enquanto o emprego formal cresceu 4,2% em todo o Brasil, o mercado informal cresceu 5,5%, ou seja, o mercado informal vem crescendo de forma muito rápida no país. Quando se fala em trabalho informal, logo vêm a cabeça a lembrança dos populares camelôs, vendedores ambulantes que se alojam nas ruas, vendendo desde artesanato, comidas até produtos importados, CD e DVD piratas. A informalidade também está presente nos grandes shoppings das grandes cidades, pois algumas empresas sem condições de assumir com todos os encargos, não assinam a carteira de trabalho de seus funcionários. Encontram-se também na informalidade empregadas domésticas, professores particulares, músicos, taxistas, etc. O trabalho informal foi a solução que estas pessoas encontraram, mas é extremamente importante assegurar proteção a estes trabalhadores. A informalidade acaba escondendo o quadro real do emprego no Brasil. Para se gerar mais emprego é necessário combater a informalidade, para tal é muito importante a realização de uma reforma séria e profunda nos sistemas trabalhistas, previdenciário e principalmente tributário. A globalização é um fato e contra este processo não se pode atuar, porém em um mundo com ética a solução de problemas facilita se a ação for conjunta (empresas, governo e sociedade), visando uma ação principal na educação e no conhecimento do novo trabalhador.
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.