Gestão no futebol

Precisa haver uma mudança radical na gestão do nosso futebol

Quando um administrador começa a gerir qualquer tipo de instituição são várias as perguntas que devemos fazer. Entre elas estão: "Em que negócio está a empresa?" e "Qual o terreno de jogo?". As respostas a estas duas perguntas básicas possuem um impacto relevante no desempenho do presente e do futuro da sua unidade de negócios.

Identificar o terreno de jogo passa por ter claramente visualizada a necessidade que o mercado procura satisfazer, os mercados e seus objetivos pretendidos, os produtos e serviços para este mercado e o setor competente para tal segmento. Falar da necessidade é falar da permanência no tempo. As necessidades são essências insaturáveis porque focar o negócio e sua razão de ser nelas facilita a adaptação no entorno, e contribui com a permanência do negócio no tempo.

As empresas que definem seu terreno de jogo com base em processos e atividades estão condenadas ao fracasso. Os processos e atividades se tornam obsoletos, as necessidades não. Quem identifica com precisão a necessidade de satisfazer tem maiores probabilidades de encontrar sempre as oportunidades, e de não padecer na enfermidade empresarial conhecida como miopia de marketing.

Por todas estas razões, identificar o terreno de jogo é uma decisão transcendental para a direção estratégia de uma empresa esportiva.

Definir adequadamente a missão determina o sentido, pertinência e indicação à gestão da empresa esportiva. Seus líderes irão entender porque e para que a instituição existe e fundamentam suas decisões sobre a base de fazer realidade esta declaração. Com relação à visão organizacional, podemos destacar que é o objetivo macro que pretende alcançar a empresa em longo prazo. Este é o cenário desejado e para este fator será necessário trabalhar.

Uma empresa de esporte deverá responder a “um grande objetivo”, um resultado desejado a longo prazo, que contemple visões elevadas em todos os aspectos organizacionais respaldados na declaração de missão, incorporando o elemento “tempo” em que se aspira alcançar este grande objetivo.

A visão estratégica vai mais além que jogar um torneio, participar de competições internacionais e ser campeão. Isto é, considerar o sonho da unidade de negócios e de seus membros e grupos de interesse de X até XX anos, deverá ser uma forma de alimentação para que possa motivar o talento humano a trabalhar para alcançar.

Nos negócios, principalmente no esportivo, quando as coisas se tornam difíceis, a primeira ação de alguns diretores é arquivar seu plano estratégico e dedicar-se a voltar a trabalhar o dia a dia, implantando isso como sendo uma ferramenta filosófica de apoio. Existe uma frase conhecida neste sentido, quando o clube abandona e retoma a antiga forma de trabalhar, pode-se dizer que "como estamos vivendo, vamos vivendo”, o que termina gerando catástrofes que induzem ao fechamento dos clubes, fator este que será cada vez mais comum com a nova lei no futebol.

Paradoxalmente, em crise, nada mais conveniente do que ter a direção da empresa claramente definida, saber o quão longe ela aspira, que resultado em médio e longo prazo é desejado, em suma, ter uma direção clara indicando o norte como sendo o percurso planejado. Dar a volta a este pensamento estratégico é condenar a influência do tempo e do ambiente. Temos muito pouca influência sobre destino e os resultados da nossa empresa, por isso, planejar estrategicamente em tempos de turbulência e incerteza é uma obrigação.

Em resumo, a visão, missão e valores são pilares fundamentais no processo de gestão estratégica.

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