Gestão Financeira de Empresas do ramo do varejo usando os modelos WACC e CAPM

Estudo de caso sobre os modelos CAPM (Capital Asset Pricing Model) e WACC (Weighted Average Cost Of Capital)

Contextos econômicos e estruturais no ramo do varejo exigem das empresas maior eficiência na gestão financeira de seus recursos, não cabendo mais hoje em dia indecisões e improvisações sobre o que fazer com eles. Sabe-se, que uma boa gestão de recursos financeiros reduz substancialmente a necessidade de capital de giro, proporcionando maiores lucros com a redução das despesas financeiras e melhor destinação do capital disponível.


Um dos principais componentes para auxiliar a administração financeira de uma empresa e estudar a viabilidade de um projeto chama-se fluxo de caixa, ferramenta gerencial que apoia os administradores no processo decisório das organizações, bem como permite aos mesmos avaliarem a viabilidade de um novo projeto. Se os fluxos de caixa são otimizados, obtém-se maior segurança na utilização do capital de giro.

Essa é e deve ser a preocupação constante das empresas, pois os custos financeiros podem absorver valores significativos da sua receita operacional, lembrando ainda que hoje em dia no Brasil o custo de capital de curto prazo é altíssimo.

Ainda dentro do propósito do fluxo de caixa, para se chegar ao estudo de viabilidade financeira de um projeto é importante à consideração de alguns termos. Primeiramente deve-se definir a taxa de desconto que trará todos os fluxos projetados a valores presentes, já que não se pode comparar valores em tempos distintos. Para se chegar a esta taxa é necessário observar a estrutura de capital da empresa e então fazer uso do custo de capital próprio ou, segundo Ross, Westerfield & Jordan (2002) "modelo de precificação de ativos" (CAPM) e do custo de capital de terceiros.

Modelo CAPM

Ks = Krf + B ( Km - Krf)

Ks = A Taxa de Retorno Requerida, (ou apenas a taxa de retorno).

Krf = A Taxa Livre de Risco (a taxa de retorno sobre um "investimento livre de risco", como U.S. Government Treasury Bonds

B = Beta do setor ou da empresa

Km = O retorno esperado sobre o mercado de ações global. (Você tem de advinhar qual a taxa de retorno que você acha que mercado de ações global produzirá).

A partir do cálculo do custo de capital próprio e com o custo de capital de terceiros faz-se uma ponderação entre tais taxas e os valores de cada recurso, chegando finalmente à taxa efetiva de desconto utilizada para trazer os fluxos de caixa projetados a valor presente, taxa essa encontrada pelo modelo WACC.

WACC = Ke[E / (E + D + PS)] + Kd[D / (E + D + PS)] + Kps[PS / (E + D + PS)]

Ke = custo do patrimônio líquido;

Kd = custo das dívidas após impostos;

Kps = custo das ações preferenciais;

E / (E + D + PS) = proporção, em valor de mercado, do patrimônio líquido em relação ao valor do mix de financiamento;

D / (E + D + PS) = proporção, em valor de mercado, da dívida em relação ao valor do mix de financiamento;

PS / (E + D + PS) = proporção, em valor de mercado, das ações preferenciais em relação ao valor do mix de financiamento.

Finalmente, com o propósito de se chegar ao resultado final que permite a avaliação definitiva do projeto, é comum fazer uso dos seguintes índices:

Payback Simples – O payback é um índice que mede o tempo de retorno do projeto, entretanto desconsidera o valor do dinheiro no tempo.

Valor Presente Líquido (VPL) – Trazendo os valores projetados do fluxo de caixa a valores atuais, através do desconto da taxa atrativa encontrada e deste valor descontado subtraindo o investimento inicial, chega-se ao VPL.

Taxa Interna de Retorno (TIR) – É o mais próximo que se pode chegar do VPL, sem que realmente se tenha um critério como o do VPL. Segundo Ross, Westerfield & Jordan (2002) o raciocínio básico por trás da TIR é o de que se procura obter uma única cifra para sintetizar os méritos de um projeto.

Neste contexto, têm-se as ferramentas necessárias para se avaliar definitivamente a viabilidade mercadológica e financeira de qualquer empresa.

Alexandre Silva Martins é economista pela UFJF, especialista em Finanças Corporativas (IBMEC) e orçamento empresarial (IDEMP).

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