Gestão e espiritualidade

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yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay (Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, exis-tem) – dito popular espanhol.

O povo brasileiro é tido como um dos povos mais afetos a crenças místicas do mundo. Crenças estas que se manifestam tanto em ritos religiosos quanto em pequenas ações tais como bater na madeira, usar fitas nos pulsos, guardar sementes de romãs na carteira, copos com água nas portas, bíblia aberta no recinto principal (preferencialmente no Salmo 91), velas acesas, dentre muitas. É um povo que crê firmemente que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vão filosofia” (Shakespeare, Hamlet, Ato I, cena V). É comum ver uma loja de comércio com altares; escritórios com crucifixos, pirâ-mides e cristais; casas com quadros, ícones e estátuas de ídolos; pessoas com correntes, pingentes, pulseiras, “santinhos” na carteira; pular sete vezes na onda do mar no primeiro dia do ano, etc. Em cada esquina leem-se propagandas de “trago amor de volta em x dias”, “desfaço qualquer tipo de mal-dição”, etc. Se há propaganda é porque há mercado! Recentemente, uma ex-primeira-dama do Brasil deu uma entrevista em um programa de televisão no qual descreveu ritos de magia encomendados e feitos pelo então Presidente da República com a finalidade de se “proteger” contra investidas de inimi-gos políticos. Seja verdade ou não, o fato é que Brasília está localizada em uma região de grande con-centração de centros místicos frequentados por todo o tipo de gente, incluindo autoridades e celebri-dades internacionais. Para fugir dos rótulos, nomenclaturas como “transferência de energia”, “limpeza energética”, “sintonia com o universo”, “energia cósmica”, etc., são as expressões de ordem. E como as organizações são feitas por pessoas... de algum modo as crenças permeiam suas ações, suas decisões, seu dia a dia. Se funcionam ou não, será como Jesus falou: “... seja feito conforme a tua fé” (Bíblia, RA, Mateus 8:13), ou seja, se a crença possui fundamento, que mostre seu resultado. Se não possui fun-damento, trata-se de superstição, de “simpatia”, crendice, cujos resultados são decorrentes da loteria do acaso.

Uma fé saudável promove resultados saudáveis, seja no âmbito pessoal ou organizacional. Por resulta-dos saudáveis entenda-se o bem-estar, segurança e prosperidade para todo o sistema, não só para o indivíduo (ou organização isolada). É a fé que de algum modo alimenta e é retroalimentada por um conjunto de elementos que expressam a espiritualidade em sua forma mais concreta. Dentre outros, destaco os seguintes:

a) Senso de propósito: é expresso pelo resultado maior esperado do conjunto de ações que se empre-ende; pelos sonhos e visões pelos quais se luta e trabalha; é aquilo pelo qual fazemos e suportamos sacrifícios, ao que se dedica as melhores horas e esforços e que será a grande recompensa. Em geral é expressa pela missão, visão e valores pessoais e organizacionais.
b) Conexões saudáveis: são um tipo de relacionamentos entre pessoas, entre organizações e organiza-ções, entre organizações e pessoas e vice-versa, que possuem vínculos tais, que geram ‘co-laboração’, ‘inter-dependência’, sinergia e geram lealdade mútua, além do desejo de contribuir com o melhor de si e orgulho de pertencimento.
c) Valores éticos: são os elementos que orientam as decisões e ações e aos quais não se está disposto a sacrificar e abrir mão. Não se resumem a comportamentos, mas dizem respeito às motivações in-trínsecas dos comportamentos.
d) Contribuição social: é o compromisso e a ação assumidos para contribuir com benefícios para com elementos de fora da fronteira do sistema de modo a promover ambientes propícios ao desenvol-vimento sustentável em sua acepção mais ampla. É o investimento lucrativo no intangível.
e) Contentamento: é o que o psicólogo Abraham Maslow chamava de último nível das necessidades humanas – a auto realização. O pianista Cláudio Arrau dizia que “quanto mais eu gosto do que faço, menos eu chamo de trabalho”. Contentamento é o nível de satisfação da alma encontrado no en-contro do propósito com a realização.

Esses são os elementos que mais observo na expressão da espiritualidade. Jorge Ben Jor, em sua músi-ca “Caramba... Galileu da Galiléia” colocou o seguinte verso “[O] malandro se soubesse quanto é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”. Parodiando, poderíamos dizer que “[O] religioso se sou-besse quanto é bom ser espiritual, seria espiritual só por religiosidade”, ou ainda “[O] gestor se soubes-se quanto é bom ser espiritual, seria espiritual só por performance”.

Medite: 1) Quais os resultados efetivos de suas crenças? 2) Quanto que suas crenças promovem a sua espiritualidade? 3) Qual o nível de contentamento que suas crenças lhe promovem?
Palavras de sabedoria: “[O] gestor se soubesse quanto é bom ser espiritual, seria espiritual só por per-formance”
Sabedoria da palavra: “... seja feito conforme a tua fé” (Bíblia, RA, Mateus 8:13)

Viva com∞paixão
(*) Wesley W. Cavalheiro é assessor, mentor e coach Pessoal, Profissional, Executivo e de Negócios, com Certifica-ções Internacionais; profissional certificado pela International Enneagram Association. Contatos: <contato@enealumen.net>

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    Wesley Cavalheiro

    Wesley Cavalheiro

    Oficial da Reserva da Marinha, exerceu cargos de chefia, liderança, e direção de pequenas, médias e grandes organizações por mais de 20 anos. Desde 2002 se dedica à prestação de serviços de assessoria em organização, planejamento e estratégia, bem como coaching pessoal e organizacional.

    Coach Pessoal, Profissional, Executivo, e de Corporativo com Certificações Internacionais. Treinador Comportamental formato pelo Instituto de Formação de Treinadores.

    Mestrado em Ciências Navais (planejamento e estratégia militar) pela Escola de Guerra Naval; Graduado em Advanced Leadership pelo Haggai Institute; Membro da Banca Examinadora da Fundação Prêmio Nacional de Quali-dade dos ciclos de 2004 e 2005; Tutor do Sistema Ving Tsun de desenvolvimento estratégico; Colaborador do Instituto Haggai do Brasil.

    Contatos: www.Lumen4You.net

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