Gestão do Capital Humano: o grande desafio do varejo no século XXI

Atrair, reter e formar talentos sempre foi palavra de ordem dentro das grandes companhias, mas infelizmente este assunto tem estado muito aquém de onde de fato deveria estar.

A gestão do capital humano está diretamente ligada a qualidade de vida e proposta de valor que a empresa transmite aos seus funcionários. É um conceito de gestão mais eficiente e eficaz de pessoas e que explora primordialmente o bem-estar do colaborador.

A grande pergunta chave deve ser, sem dúvidas, como e quais estratégias as empresas devem desenvolver para atrair e reter uma nova geração de colaboradores que, em breve, será maioria no ambiente corporativo. Sim, estamos falando das gerações Y e Z.

O Futuro - Gerações Y e Z

Otimistas, agitados, comprometidos em mudar o mundo, ansiosos e conectados, as gerações Y (pessoas nascidas na década de 80) e Z (pessoas nascidas na década de 90) irão, em 2020, representar 50% da força de trabalho global, segundo a consultora da PwC Brasil, Eliza Albuquerque.

As empresas brasileiras devem ficar atentas a esta movimentação no mercado para não ficarem ultrapassadas e perderem talentos para os seus concorrentes. Sabe-se, que ambientes mais descontraídos, vestimentas menos formais e horários flexíveis atraem essa nova geração.

Segundo pesquisa realizada em 2013 pela PwC, os pontos mais relevantes para os profissionais das gerações Y e Z ao avaliar uma proposta de trabalho são: 1. Possibilidade de desenvolvimento pessoal, 2.Horário flexível, 3. Remuneração, 4. Posicionamento social corporativo e 5. Marca do empregador.

Avalia-se, portanto, uma mudança de valores e oportunidade estratégica para as empresas atraírem e reterem novos talentos.

People Over Profit

Um conceito ainda embrionário e com pouco material publicado vem ganhando forças nos dias atuais ao explorar o fato de que as empresas devem olhar primeiramente ao ativo mais importante da companhia, ou seja, os colaboradores. O conceito de forma macro sustenta a prerrogativa de questionar alguns métodos capitalistas e valorizar mais o indivíduo.

Blake Mycoskie, autor do livro: “People Over Profit: Break the System, Live with Purpose, Be More Successful”, acredita que a valorização dos colaboradores potencializa a última linha de resultado das companhias. Isso porque, segundo ele, as empresas aumentam a sua capacidade de produzir mais riquezas a partir do momento que possui funcionários felizes, motivados e engajados.

Vale destacar que empresas que utilizam este método devem ter objetivos, metas e prazo muito claros, uma vez que os funcionários respondem pelo cumprimento do trabalho acordado.

Como o varejo pode se beneficiar deste movimento?

O varejo sempre foi conhecido por seus salários abaixo do mercado, a alta carga horária e aos grandes desafios de operar com margens apertadas. Um dos principais ativos das redes varejistas foi e sempre será os seus colaboradores, que vestem a camisa e trabalham duro para juntos, entregar, ano após ano, o resultado para a companhia e seus acionistas.

Sabe-se, que os grandes talentos neste setor são disputados entre as empresas e na grande maioria das vezes acabam trocando de emprego por ofertas atreladas ao salário. Surge então, a grande oportunidade de as empresas investirem em pessoas e consequentemente diminuir a rotatividade do setor, atrair e reter talentos, não mais pelos salários, mas pelo clima organizacional e estrutura oferecida.

E-commerce, agente da mudança?

As movimentações do varejo já começaram e tem como primogênito o e-commerce. Salas de descompressão, sacos de boxe espalhados pelo escritório, horários flexíveis e bermudas, marcam a operação do Walmart.com.

Segundo a especialista em cultura corporativa Cristina Nogueira, o espaço físico tem muito a dizer sobre uma empresa e seus funcionários e é exatamente onde o Walmart está investindo.

Segundo ela, as grandes redes do varejo físico vêm perdendo espaço para gigantes online e este efeito talvez só não se replique a curto e médio prazo para alimentos.

O fato do varejo estar perdendo espaço para gigantes online levanta ainda mais a discussão de que o mesmo deve se reinventar com urgência ou, sem grandes talentos, estará fadado ao fracasso. Os agentes da mudança serão o grande diferencial das companhias, basta saber apenas, de qual geração eles virão.

“The way you treat your employees is the way they will treat your customers.” - Richard Brandson

Referências

Estadão - Escritório atrai talentos ao Walmart

Forbes - People Over Profit

Pesquisa PwC - Capital Humano

Propeg - Quem Somos

Techtudo - Sede do Google Brasil

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