Gestão de pessoas ou de si mesmo?

Novos gestores e donos de empresas têm trazido uma nova dinâmica para o cenário atual. Busca constante por inovação e crescimento profissional marcam esta nova era. Mas será que a ânsia pelo sucesso e a falta de preparo destes profissionais podem trazer prejuízo à equipe?

Ao ler sobre o fim de uma das agências digitais mais promissoras do Brasil, comecei a refletir sobre a nova dinâmica de gestão que as empresas vêm trazendo para o mercado.

No caso da agência, a matéria afirmava que seu fim, após 3 anos de sucesso, ocorreu por motivos de desentendimentos entre os sócios. O texto afirmava, também, que os colaboradores haviam sido avisados algumas semanas antes sobre o encerramento das atividades. Já os comentários da matéria, diziam que ninguém havia sido avisado com antecedência sobre o caso e que a gestão da empresa era extremamente egocêntrica, centralizadora e pouco preocupada com “a real” proposta de negócio.

Não cabe a este texto julgar a situação nem trazer à tona o nome da empresa. Tampouco conheço alguém que tenha trabalhado lá. O fato é que a notícia me fez lembrar alguns comentários que tenho ouvido de colaboradores sobre seus gestores. O mais comum deles é dizer que a pessoa subiu ao cargo com o intuito único de ter visibilidade para crescer na carreira. Querer visibilidade na vida profissional, ao meu ver, não é problema algum. A questão é quando isso acaba sendo o único fim, fazendo com que a preocupação com a equipe (ou empresa) fique em segundo, terceiro ou último plano.

Isso tem se repetido e mostrado que talvez muitos dos gestores e donos de novas empresas ainda não se deram conta de um ponto extremamente relevante: a importância que têm seus colaboradores.

Vivemos, hoje, uma cultura na qual não se permite admitir que algo possa dar errado e que incentiva os profissionais a olharem apenas para frente. Além disso, as pessoas são bombardeadas pela ideia de que “devem amar o que fazem” e, preferencialmente, abrindo seu próprio negócio.

Particularmente, não acho que todo o ser humano tenha competência – nem desejo – para abrir uma empresa. E nem acho que seja saudável todos pensarem dessa forma. A onda de estímulo para que todos sejam empreendedores e amem o que façam gera uma insegurança e insatisfação tremenda.

Por outro lado, todo esse novo movimento faz com que jovens recém-chegados ao mercado julguem-se capazes de gerir uma equipe sem ter o mínimo de conhecimento de leis trabalhistas, sindicatos e questões burocráticas da profissão. Na maioria das vezes, ter interesse e preocupar-se com questões trabalhistas é visto como retrógrado, chato e, principalmente, pouco “cool”. Confesso que eu mesma já tive esse tipo de pensamento e sim, concordo que muita coisa deve ser revista e repensada na maneira de gerir empresas (assim como nas leis), mas isso não exime a responsabilidade de um gestor ou dono de negócio em ter o mínimo de preocupação com os profissionais geridos ou contratados.

Ao ler a matéria sobre a empresa que fechou com pouco mais de 3 anos – mesmo sendo tão inovadora e promissora – fiquei pensando se esta não seria apenas uma entre tantas outras que estão se equilibrando na imagem de profissionais superficiais e egocêntricos que, no fundo, não sabem gerir nem a própria vida.

Essa pode ser apenas minha opinião, mas acredito que qualquer um que pense em abrir um negócio, ou gerir uma equipe, deveria ter uma preocupação fundamental com seu principal bem: as pessoas.

Mesmo empresas enxutas devem lembrar que um dia seus colaboradores podem querer processá-las. Devem lembrar que, embora o discurso e os valores do contratado estejam “alinhados” à corporação, o que conta no final é ser tratado com respeito e como ser humano. E não apenas como base para a construção de um novo negócio ou da carreira de outro profissional.

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