Gerenciamento de facilidades no Brasil

O Gerenciamento de Facilidades ainda não se vê consolidado no nosso país, sendo a área considerada pela grande maioria das empresas apenas como geradora de custos, trazendo consigo o estigma do personagem “Severino”, funcionário dos serviços gerais, aquele brasileiro que dá um jeitinho em tudo, o quebra-galho

O Gerenciamento de Facilidades ainda não se vê consolidado no nosso país, sendo a área considerada pela grande maioria das empresas apenas como geradora de custos, trazendo consigo o estigma do personagem “Severino”, funcionário dos serviços gerais, aquele brasileiro que dá um jeitinho em tudo, o quebra-galho.

Além do que, são raros, quando não padecem de qualidade, os cursos de graduação e especialização na área e alguns poucos cursos de extensão e aperfeiçoamento, ainda longe de ser acessíveis a grande maioria dos profissionais que desejam atuar no segmento.

As atividades do GF podem ser divididas em proativas e corretivas, sendo as primeiras direcionadas para evitar antecipadamente as quebras, as falhas, os defeitos, as reclamações, e as segundas focadas na recuperação, resolução imediata e restabelecimento da funcionalidade de serviços ou equipamentos. Se por um lado, as ações corretivas possuem um efeito valorizado e “marqueteiro” dentro das organizações, na medida em que exalta o papel do herói, “do solucionador de problemas”, no reverso da medalha, as ações de prevenção, mal percebidas, pouco valorizadas e de baixo "ibope", evitam os aborrecimentos de eventos indesejados, inesperados e muitas vezes de grandes e graves proporções e consequências.

Devido à incompatibilidade de interesses departamentais dentro das organizações o gestor de facilidades deve absorver as diversas expectativas de todos os elos estratégicos da empresa para um desempenho eficaz das suas atividades, e isso pode não ser tarefa fácil requerendo talentos específicos desse profissional, como a flexibilidade, a persuasão, negociação e algum conhecimento em psicologia, no sentido de saber lidar com as diferenças existentes no grupo, principalmente considerando que o Gerenciamento de Facilidades é uma atividade que mescla três elementos: homem, artefatos (objetos físicos aos quais as pessoas se afeiçoam) e seus significados.

Os artefatos e seus significados geralmente diferenciam e identificam os indivíduos dentro do grupo de diversas maneiras, inclusive pelo status e apego que proporcionam aos seus possuidores (ex: sala, mesa, cadeiras, áreas privativas), sendo que a sua supressão ou a mínima modificação de cenário geram conflitos que podem e devem ser estrategicamente evitados pelo GF. Assim, a adequada comunicação de alterações do ambiente e a maneira como elas serão conduzidas e afetarão o cotidiano de cada um, pode minimizar os sentimentos de raiva e os ressentimentos, facilitando o processo de mudança quando necessário aplica-lo. Exemplificadamente, uma mudança na estrutura hierárquica, nos processos organizacionais ou mesmo em uma simples alteração de layout do mobiliário há que se considerar sempre a estreita ligação entre o homem os objetos e os seus significados.

A escolha entre as vantagens e desvantagens do outsourcing x in house deve ser criteriosa e avaliar a porcentagem de ganhos que podem ser auferidos quando da opção por uma ou outra modalidade nos diversos serviços de Gerenciamento de Facilidades, como limpeza e zeladoria, segurança, manutenção preventiva, engenharia etc, e aqui um benchmarking seria uma das opções a orientar o GF em suas decisões.

Por fim, não obstante as indispensáveis ações preventivas, o GF e sua equipe devem estar sempre de prontidão, e em uma constante busca por novas estratégias para maximizar os recursos e minimizar os custos visando obter vantagem competitiva para a empresa.

https://www.linkedin.com/pulse/gerenciamento-de-facilidades-brasil-cláudia-cristina

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento