Café com ADM
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Gerando confiança

Neste artigo, apresentamos os erros mais comuns que levam à falta de confiança, mostrando em contrapartida, as características e diferenciais das pessoas de confiança.

Nós humanos, somos mesmo criaturas surpreendentes e paradigmáticas. Na busca pela segurança em seus vários aspectos, somos capazes de trair e sermos traídos. Atribuímos nosso fracasso às outras pessoas, sempre colocando nosso advogado interno em nosso favor.

Numa entrevista de emprego, somos criaturas quase perfeitas. No início de um relacionamento, somos "aquilo que o outro ou a outra sempre procuraram". Para pedir um empréstimo no banco, somos os mais assíduos com pagamentos, portanto os mais confiáveis.

Somos questionados, analisados, pesados e medidos. Mas é só assumirmos os papéis que nós mesmos requisitamos que as máscaras começam a cair. Vem a cobrança da empresa que te empregou, da noiva que aceitou seu pedido de casamento, do gerente do banco que lhe concedeu o empréstimo pela confiança que você transmitiu e não conseguiu manter.

As crises se iniciam como fogo que se alastra em capim seco. Daí questionamos se o mundo é realmente bom, se as empresas nos contratam para sugar nossa energia, se as pessoas com quem relacionamos são mesmo ideais para continuar os relacionamentos, se o gerente com os "juros abusivos" do banco querem falir conosco.

Damos à burocracia o sinônimo de atraso. Ficamos enfurecidos com a quantidade de documentos que exigem de nós para uma admissão em um emprego ou um simples empréstimo pessoal. Não gostamos de sentar no sofá da casa da sogra para sermos argüidos de nossos relacionamentos pretéritos e de nossa árvore genealógica.

Falamos muito em confiança, porém somos os primeiros a traí-la com uma multiplicidade de desculpas que dariam um nó na cabeça de muitos psicólogos. Não somos capazes de mantê-la quando não temos condições de cumprir com o que prometemos. Sabendo disso, vem a pergunta: Como instigar as pessoas a confiarem mais uma nas outras quando a desconfiança parece ser necessária para a autopreservação?

Para gerar e manter relações de confiança precisamos fazer realmente o que dizemos. Com a virtualização de inúmeros trabalhos, tornou-se imprescindível valorizar ainda mais o tempo. Quando agendamos algum compromisso com alguém, é por que tanto nós quanto este alguém julgou ser importante dividir nosso tempo. Se não cumprimos o que prometemos, transparecemos não ser tão sérios quanto julgaram-nos ser.

Se o prazo de entrega de seu produto ou serviço, ou os compromissos agendados para o dia 20 não forem cumpridos, eis o primeiro ponto da quebra de confiança. Se esta atitude se repete, criam-nos a imagem de desonestos.

Pessoas confiáveis são coerentes. Se não gostarem do que ouviram, não dirão que gostaram pelo simples fato de querer nos agradar. Uma característica dos "coerentes" (confiáveis) é descrever os fatos como são e não tentar colorir o que não tem cor. Enxergar a realidade como ela é, e a partir daí, de maneira consciente, trabalhar o que pode ser melhorado, compõe os atributos de uma personalidade confiável.

Aceitar novas idéias e estar disposto a aprender com elas não é fácil. Idéias novas são repelidas por diretores, gerentes e em linhas de produção no mundo inteiro. Segundo Joel Backer, "idéias boas são derrubadas por pessoas que supõem que o futuro nada mais é que uma simples continuação do passado, que as idéias que nos trouxeram até onde estamos hoje são as mesmas idéias que irão nos levar até o amanhã."

As pessoas que transmitem confiança são em geral mais abertas a inovações, mais capazes de conduzir mudanças, consequentemente, estão prontas para descobrir o futuro. Com tantos avanços tecnológicos e o encurtamento de nosso tempo, quando nos comunicamos, temos nos preocupado muito mais em sermos ouvidos que ouvir.

Aprendi muito quando comecei a fazer um curso de canto. O professor me pediu para que não conversasse pelo menos dois dias antes das aulas. Percebi o quanto foi importante aprender a ficar calado. Vi um mundo diferente a minha volta. Em dois dias de silêncio, aprendi mais que em um ano de estudos. Ouvir e aceitar as idéias dos outros se torna muito proveitoso quando não interrompemos as pessoas no meio da frase, dizendo que temos uma idéia melhor.

Pessoas confiáveis são objetivas. Já participei de inúmeras reuniões em que perdi tempo e recursos por não terem decidido absolutamente nada. Adolfo Sachsida num de seus artigos refere-se à falta de objetividade nas reuniões: "O incompetente, o enrolador, o puxa-saco, sente uma compulsão para aproveitar qualquer reunião para impor a seus colegas 15 minutos de discurso absolutamente vazio, chato e pedante." Este tipo de personalidade impede a sinergia nos relacionamentos, pois faz questão de não ser claro em suas informações.

Pessoas confiáveis convivem bem com sentimentos, valores e prioridades diferentes das suas. Respeitam esperando serem respeitados. Agora, lhes pergunto: Somos capazes de conviver sem o estabelecimento dos vínculos de confiança? Como disse Públio Siro: "Quem perdeu a confiança não tem mais que perder."

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