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Gente: capital, patrimônio, investimento ou gente???

Um dos assuntos da moda do mundo coorporativo hoje é Investir em Pessoas. Departamentos que cuidam de gente têm sido criados em diversas organizações, bem como áreas específicas para o desenvolvimento humano. É comum lermos em revistas especializadas que o maior investimento que uma empresa pode fazer é nas pessoas. Também não são raros os depoimentos de presidentes e vice-presidentes de recursos humanos de grandes organizações afirmando que o maior capital de uma empresa são as pessoas. Esse discurso se repete também quando se fala que as empresas não devem apenas visar o lucro, mas que também devem se preocupar com seus colaboradores. E muitas empresas têm feito isso! O que não se pode afirmar é se isto ocorre por questões de responsabilidade social ou porque se descobriu a fórmula mágica para crescer e se tornar mais competitivo (?). Assistindo a uma palestra do Waldez Ludwig, há uns 3 anos, me espantei a primeira vez que o ouvi retrucar sobre esse assunto, afirmando que as empresas pregam uma coisa, mas fazem outra, pois no momento do sufoco desfazem-se do que afirmam ser seu maior patrimônio: seus colaboradores. Segundo o Dicionário Houaiss, uma das definições da palavra investimento é aquilo que se adquire, porque permite realizar determinado trabalho a custo mais baixo ou mais eficientemente, ou porque se valorizará com o tempo. No tocante a pessoas, creio que valorizar seja, sim, um bom investimento, e não apenas esperar um retorno, mas acreditar nas pessoas, em seu potencial, em sua capacidade. Descer alguns degraus na pirâmide e conhecer um pouco mais de perto a realidade daqueles que estão na base e que são, na realidade, aqueles que a sustentam, pode ser um começo. Dessa forma será possível ver que pessoas que apenas importam do pescoço para baixo, também existem do pescoço para cima e são pessoas que pensam, que sentem, que têm seus problemas e que podem ser muito mais se apenas lhe for dado um pouco de atenção. Os teóricos da administração concluíram com a experiência de Hawthorne1, há mais de 70 anos, que mesmo em condições desfavoráveis, ao receberem atenção as pessoas trabalham mais felizes e tornavam-se mais produtivas. É importante não apenas dar subsídios para que os funcionários cumpram seus deveres de forma mais eficaz, mas, acima de tudo, é preciso fazer valer seus direitos. É preciso não apenas treinar, mas educar para a vida. É preciso não apenas lhes falar, mas, principalmente, os ouvir. Acredito que as empresas devem não só estampar a palavra pessoas em sua visão, missão e valores, como parte de um planejamento estratégico. As empresas têm também de olhar pra sua gente, para cada ser humano que faz parte do seu quadro funcional, como um indivíduo dotado de atributos como racionalidade, consciência de si, valor moral e capacidade para agir. Enfim, acredito que as empresas devem levar ao pé da letra o que musicou meu ídolo Caetano Veloso quando diz que, gente quer prosseguir, quer durar, quer crescer, gente quer luzir (..) gente é pra brilhar, não pra morrer de fome. 1 Experiência realizada entre os anos 1927 e 1935, na fábrica da Western Electric Company, localizada em Hawthorne, distrito de Chicago coordenada pelo cientista social Elton Mayo e que deu origem ao movimento de relações humanas nos negócios.
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