Futuro do Ensino Público no Brasil

O que vai acontecer com o ensino público no Brasil daqui a alguns anos? Esta simples dúvida ainda não passou pela cabeça das pessoas que, assim como UFPR, são a favor das cotas para minorias nas universidades. Faça a qualquer médico a seguinte pergunta: é mais eficaz distribuir vacinas ou combater epidemias? Você sabe qual será a resposta. É exatamente isso que querem fazer, e estão fazendo, aqueles que são a favor das cotas. Garantir vagas na universidade para quem supostamente é menos preparado por pertencer a uma ou outra minoria é combater os sintomas da doença chamada decadência do sistema de ensino crônica. Além de ser mais uma entre tantas formas de discriminação, pois se julga que essas minorias são incapazes de conseguir por si só uma vaga na universidade, deixa-se de lado um problema muito maior, que é a péssima qualidade do ensino público em nosso país. Voltar esforços para permitir que indivíduos menos favorecidos cursem universidades públicas através da reserva de vagas é continuar desfavorecendo milhares de usuários do sistema público de ensino de nível fundamental e médio. Até quando a política de tapar buracos vai sustentar a estrutura desta represa? Não é hora de tomarmos atitudes mais drásticas e reforçarmos os alicerces desta estrutura para evitar um problema de proporções catastróficas num futuro bem próximo? Por mais que os critérios de ocupação de vagas priorizem o atendimento a um nível mínimo de preparação, certamente as vagas não serão ocupadas na totalidade pelos mais preparados, o que pode fazer com que os cursos tenham que se adaptar à nova média de preparação. Tal fato só pode prejudicar o ensino superior público em longo prazo. Mas qual será a alternativa mais viável para resolver os problemas de distorções sociais que temos hoje? Fornecer cursinhos preparatórios gratuitos para os indivíduos que não possuem condições de pagar bons cursos particulares me parece uma opção interessante, desde que aliada a uma reforma do ensino público de nível médio e fundamental. E colocar as crianças na escola mais cedo também é crucial. A adoção de média cinco nas escolas públicas permite a entrada de alunos despreparados no ensino médio, que é a base de preparação para o vestibular. Hoje um aluno que passou por todos os anos do ensino fundamental com médias cinco não pode ser considerado como apto a cursar o ensino médio. É natural encontrarmos alunos de 1º ano do ensino médio que não sabem ler e são incapazes de escrever uma boa redação. Políticas eficientes quanto ao ensino público devem ser criadas no curtíssimo prazo para que possamos, no menor espaço possível de tempo, aumentar a qualidade de vida da população e reduzir as distorções sociais existentes. Alternativa interessante, restringindo-se ao ensino público, seria promover a integração de escolas particulares e públicas, nos âmbitos docente e discente, para permitir a troca de experiências bem sucedidas no campo do ensino. Mas não adianta querermos somente melhorar a qualidade de ensino quando existe também um outro problema inserido no contexto: a segurança. Não são inéditas as histórias de violência em escolas de periferia nas grandes cidades, e agora já se houve estas mesmas histórias tendo como palco escolas de cidades interioranas. E não podemos esquecer de que as crianças que vão à escola devem estar bem alimentadas e com boa saúde para que o rendimento escolar seja adequado. Enfim, a cada tentativa de desvendarmos as causas da decadência do nosso ensino, chegamos a causas simples, mas que têm uma solução complexa: nosso país precisa de quem cuide da sua SAÚDE, da sua SEGURANÇA e da sua EDUCAÇÃO. Já li estas três palavras em incontáveis programas de governo antes de eleições municipais, estaduais e federais, porém elas nunca viraram ação...
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