Futurista das Megatrends regressa às lides literárias

John NAISBITT agora a viver na Europa, depois de sete anos de interregno, regressa com «Mind Set!», um livro de retratos sobre o futuro, que sairá em Outubro. Em entrevista a Jorge Nascimento Rodrigues antecipa as megatendências que vão marcar o início deste século.

JOHN NAISBITT passou por Lisboa para apresentar o próximo livro sobre as «ideias fixas» que temos de mudar urgentemente. Uma série de murros no estômago do leitor, apontam para as novas megatendências do início do século XXI. Dez anos depois da entrevista sobre Megatrends Asia, concedida a Jorge Nascimento Rodrigues, o futurista levanta o véu do seu próximo livro
Mind Set!.



RETRATOS-CHAVE

. Não há nenhuma «next big thing» nas próximas décadas
. A linguagem visual vai dominar


. A grande oportunidade é o talento, numa era de «customização» em massa do dito
. Prioridade geo-económica número um é a Educação


Vamos todos ter de fazer «re-set» das ideias fixas que temos sobre a geo-economia, a geo-política e a tecnologia. Quem o diz é John Naisbitt, o conhecido futurista norte-americano que nos anos 1980 e 1990 popularizou as «megatendências», um lote de antevisões do futuro, que ele foi actualizando ao longo de quinze anos, em quatro livros, até que largou a «buzzword». A sua contribuição para esta limpeza de princípio de século é o livro que vai lançar em Outubro próximo com o título Mind Set!, onde adverte: «Temos de corrigir as falsas impressões sobre a realidade. Temos de perceber o quadro global que está por detrás dessas falsas impressões».

Naisbitt veio apresentar em Lisboa os seus «retratos» do futuro no âmbito da entrega dos diplomas dos alunos do MBA Executivo de 2004/2005, da Escola de Gestão do ISCTE. Faz algum tempo desde a época das «megatendências» - que Naisbitt não nos presenteia com uma obra de vulto. A última High Tech/High Touch (1999) - foi escrita com a sua filha Nana, desenvolvendo uma das tendências reveladas no livro pioneiro de 1982 (precisamente intitulado Megatrends).

A primeira ideia fixa a deitar fora não agrada nada aos tecnólogos, nem aos media que empolam a revolução tecnológica. «Esqueçam a tal próxima grande coisa» a famosa expressão «the next big thing» «Vamos viver os próximos cinquenta anos a absorver e a melhorar as enormes inovações revolucionárias a que assistimos. Entrámos num período de mudança incremental. Não há nenhuma next big thing nos tempos mais próximos. E ponto final», diz-nos o futurista com 77 anos.

Doris e a Europa
O segundo murro no estômago tem a ver com a Europa: «É um dilema complicado. Tem de optar ou se reforma, ou continua o seu modelo social. Há hoje muito palavreado, mas no terreno tudo continua na mesma. Eu penso que a Europa vai continuar com o seu modelo, ainda que num contexto de declínio. Duvido que concretize a Agenda de Lisboa». Naisbitt ele próprio vive esse dilema: as suas raízes são as de um americano do Utah da cultura dos Chevys (Chevrolet) - que olha a Europa de fora, mas que hoje vive nela gozando o «lifestyle» europeu. «Enquanto o pau vai e vem, tenho vivido uns anos óptimos ultimamente», comenta, no meio de uma das suas risadas típicas.

Naisbitt, aos 71 anos, resolveu mudar de continente e de mulher. Casou com Doris, a sua editora em língua alemã, e veio para Viena de Áustria, «no coração da Europa», sublinha. Para trás deixou o período das «megatrends» com Patrícia Aburdene. O ano 2000 foi para Naisbitt um ponto de ruptura, literalmente na alvorada do novo século. Diz ele: «Foi como um novo recomeço. A minha definição preferida de crescimento e que, também, é válida para os humanos é a do reagrupamento num nível mais elevado. Doris e a Europa estão a permitir-me isso».

Os socos ditos no meio de risadas continuam: a linguagem visual está a ganhar. «O mundo da escrita está a ser substituído. Vamos assistir a uma morte ainda que lenta da cultura do jornal impresso. Também as novelas estão em queda apesar da correcção temporária trazida por Harry Potter. A Arte, a moda e o design são as forças motrizes. O visual vai dominar. Não se enganem sobre isso», afirma o futurista, brincando com um recorte de uma entrevista de 1996 dada à revista portuguesa Executive Digest, sobre a Ásia, disponível na Janelanaweb.com.

A grande oportunidade
Esse é, aliás, o continente que continua a fasciná-lo desde que falou da sua emergência, quanto toda a gente só tinha olhos na revolução digital nos Estados Unidos. Mas, adverte-nos, que «há muito exagero». Ele continua a dar aulas na Universidade de Nanjing e, ao longo dos anos, falou em privado «em inglês», especifica com muitos líderes chineses, por isso é, com à vontade, que refere: «A caminhada da China ainda leva uns 30 a 40 anos. E, nessa altura, a cena geopolítica será muito diferente. É difícil antecipar os detalhes. Uma coisa é certa: começarão por ter supremacia nos desportos. Outra coisa que perceberam é o papel do design e do talento».

E com o tema do talento encerrou a entrevista, quase cronometrada ao minuto: «É a grande oportunidade. Se quer uma ?next big thing? para se entreter é essa. Entrámos na era da customização em massa do talento. Ao tornar-se, também, uma commodity, isso exige mais do que nunca a prioridade número um dada à Educação».

Uma versão em inglês da entrevista integral, agora, realizada pode ser encontrada em Gurusonline.tv, no «mirror» em inglês.

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