Formando empreendedores

Ultimamente tenho recebido muitas perguntas de professores sobre o ensino de empreendedorismo em sala de aula. Mais especificamente, eles perguntam que ferramentas uso, que bibliografia, quais os principais autores e papers ou quais os meus critérios para atribuir notas aos alunos.

Ultimamente tenho recebido muitas perguntas de professores sobre o ensino de empreendedorismo em sala de aula. Mais especificamente, eles perguntam que ferramentas uso, que bibliografia, quais os principais autores e papers ou quais os meus critérios para atribuir notas aos alunos.

Bem, acontece que eles estão fazendo as perguntas erradas. Em primeiro lugar, o conteúdo disciplinar não é muito diferente de outras disciplinas similares: A elaboração de um plano de negócios, as principais causas dos fracassos dos empreendimentos, as características dos empreendedores de sucesso, tipos de empreendedorismo e outros assuntos correlatos. Em segundo lugar, os instrumentos, por força da regulamentação oficial e interna da escola também não dão muita margem para flexibilização: Controle de faltas, notas bimestrais e semestrais, diário de classe, entre outras exigências formais, todos sempre os mesmos.


Se um professor quer realmente saber o que fazer para ensinar seus alunos a empreender, ele deve fazer outras perguntas: Como é a dinâmica das aulas? Que situações são criadas para estimular o comportamento empreendedor? Quais elementos devem ser trabalhados? Este é o verdadeiro desafio do professor que se propõe a tão nobre incumbência.

Dependendo do tempo que o professor terá de contato com os alunos, muita coisa pode ser feita, sem mexer em nada do conteúdo disciplinar. Abaixo vão algumas das coisas que pratico e que tem trazido ótimos resultados.

- Faça-os pensar. Nós estamos na sociedade do conhecimento, mas não na sociedade do pensamento. O excesso de conhecimento pronto e pasteurizado vem atrofiando nossa capacidade de raciocinar, elocubrar, imaginar, conjecturar, abstrair. É preciso muito domínio no assunto para provocar o processo de pensamento grupal. Tente seguir estes passos, nesta ordem: Dê alguma informação inicial sobre um certo tema que desperte a curiosidade e que seja recebido favoravelmente e com unanimidade entre todos, faça-os participar ativamente com exemplos, depois coloque algumas situações que coloquem em xeque estas mesmas afirmativas, semeie a confusão e deixe-os desconfortáveis sobre suas próprias convicções, esta confusão é que provoca o pensamento, no final, comece a trazer alguns elementos que você não apresentou no início e vá mostrando o caminho, valorizando a participação e ressaltando as contribuições que estejam mais perto das conclusões que você quer chegar, faça isso de forma que eles mesmos cheguem às conclusões esperadas e deixe-os que se deleitem sobre sua própria descoberta do conhecimento.

- Elimine as panelas A cada trabalho em equipe monte grupos novos, diferentes, sorteados aleatoriamente. Faça-os descobrir mais sobre si mesmo através do contraste identificado no contato obrigatório com pessoas diferentes deles. Muitos vão reclamar e pleitear os grupos originais que eles já estão acostumados e familiarizados. Reforce a importância do aprendizado mútuo pela diversidade. Faça-os descobrir talentos e valores em quem antes julgavam não existir, ajude-os a desmistificar rótulos e a descobrir o que há de melhor em cada pessoa. Todo futuro líder precisará aprender isso mais cedo ou mais tarde.

- Promova o conflito saudável Em debates sobre um tema pré-determinado, procure montar grupos com opiniões semelhantes e coloque os grupos em confronto direto entre si para defender seus pontos de vista. No começo, cada um vai politicamente evitar criticar às idéias do outro grupo. Com o devido estímulo, este comportamento cordial vai aos poucos dando espaço para defesas mais ardorosas e eventuais ataques às opiniões dos outros. Depois de colocar bastante lenha na fogueira, deixe o barco rolar solto até o nível mínimo de civilidade entre os participantes. Com isso vão aprender a se soltar das rédeas que os impedem de se manifestar e levantar questionamentos. Vão também aprender que todo trabalho em equipe de verdade não se protege uns dos outros, as melhores decisões saem de conflitos verdadeiros com propósitos únicos em que a unanimidade e a omissão são sempre prejudiciais.

- Lidere um projeto que una todos os alunos Uma fonte inesgotável de situações que exploram vários aspectos empreendedores. Escolha um projeto de certa complexidade que exija talentos diversificados e uma boa dose de coordenação. Ensine-os fundamentos de planejamento e organização. Identifique aqueles que trazem as melhores idéias. Solte-os de vez em quando para que se sintam donos do projeto, identificando os líderes. Se não surgir naturalmente, crie propositadamente dificuldades e limitações para ver como se comportam. Mostre as falhas de comunicação entre eles. Ressalte o comportamento positivo daqueles que se apresentam diante das crises. Demonstre a importância de um foco e objetivo único, claro e significativo para concentrar os esforços de todos. Ajude-os a mensurar os riscos de atitudes tomadas. Valorize aqueles que descobrem novas competências. Se for o caso, ensine-os a lidar com o fracasso, sentindo o mesmo na pele.

- Mude as regras do jogo Faça uso da arbitrariedade do poder e mude algumas regras previamente estabelecidas e combinadas com o grupo, como o conteúdo de um trabalho pedido ou a data da prova. Teste o poder de negociação deles. Corrija o comportamento daqueles que chutam o pau da barraca logo de cara, ensine-lhes o que é diplomacia. Flexibilize as medidas se sentir que desanimam, mas mantenha-se rígido diante de comportamentos não apropriados. Não se esqueça de, após chegar a um acordo, explicar-lhes qual foi o objetivo real da situação criada, mesmo que depois volte tudo ao que era antes.

Estas são apenas algumas idéias. Existem outras práticas para promover o auto-conhecimento, a criatividade, as relações inter-pessoais, a identificação de oportunidades, o aprendizado auto-conduzido, etc. Se você pegou o espírito da coisa, vai usar sua criatividade para experimentar outras. Espero que você tenha identificado aqui três constatações: A primeira é que qualquer professor pode ensinar atitude empreendedora e não apenas o professor da disciplina. Em segundo lugar, não é necessário um ambiente acadêmico para formar empreendedores, um líder de equipe dentro de um ambiente organizacional pode e deve aplicar algumas destas técnicas para estimular e despertar seus empreendedores. A terceira é que é preciso ser empreendedor para formar novos empreendedores. Você é?


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