Flertando com a economia criativa

O artigo pretende conceituar e exemplificar o modelo industrial do século XXI, a economia criativa. E na visão do autor, mostrar o Brasil nesse contexto e as vantagens adquiridas ao investir nesse setor.

A ONU afirma que a economia criativa detém participação de 10% do PIB mundial; no Brasil, dados recentes do IBGE apontam que ela tem crescido mais que o PIB nacional, a FIRJAN mostra que 21,8% dos trabalhadores formais do Brasil trabalham nesse setor; no Reino Unido, estatísticas do governo avaliou que em 2013, a economia criativa foi responsável por 8,7% do total de suas exportações e que existe uma estratégia de desenvolvimento para dobrar esse índice até 2020. Mas afinal, o que é economia criativa? Segundo John Howkins, o economista inglês precursor do tema, ela está baseada em uma nova forma de pensar e de fazer negócios. Howkins diz que nossa capacidade de receber inputs - estímulos e informações percebidos do meio externo - são nossos talentos individuais e que podem ser ideias previamente existentes ou novas, o mais importante é que nossa capacidade criativa os transforme em algo original. Já os outputs - resultados de nosso processo criativo – pode ser medido pela sua unicidade ou pela capacidade de ser facilmente copiado e vendido em larga escala.

A economia criativa está fortalecida basicamente sob quatro pilares: arte, cultura, design e inovação e reúne ideias sobre: indústrias criativas, indústrias culturais, cidades criativas, clusters e a classe criativa. Publicidade, arquitetura, arte, cultura, artesanato, design, moda, jogos, música, publicações, tecnologias, filme e TV são setores que compõem esta ordem econômica e componentes da política econômica industrial do século XXI – onde o foco saiu da manufatura de produtos para ser o conhecimento - que foram criados ou se transformaram com a revolução tecnológica.

Alguns países e cidades investem pesado nesses setores, na Coréia do Sul por exemplo, foi criado um plano estratégico de governo para realizar a transição do país para uma economia criativa e inovadora; a cidade de Sheffield, no Reino Unido, cuja base econômica era siderúrgica e quebrou devido a recessão dos anos 80, recebeu incentivo das autoridades que investiu e criou o comitê de economia criativa, hoje em dia, Sheffield possui o Parque Hill, parque industrial que funciona de forma economicamente sustentável e é modelo de inovação para o mundo; ou o Nordic Built City Challenge, uma competição de inovação e política de negócios entre os países nórdicos que premia a cidade que apresentar melhores resultados na competição usando 3 critérios: ideias que supram as necessidades da população, que sejam soluções inovadoras e com capacidade de desenvolvimento e exportação.

Acompanhando a tendência, foi criada a secretaria de economia criativa do Brasil dentro do ministério da cultura; todavia, a indústria moderna está diretamente ligada a algum tipo de inovação, e com base nesse fato é preciso pensar em um modelo estratégico de desenvolvimento inovador para a indústria brasileira. A perspectiva nacional ainda é muito ligada à cultura e ao artesanato. Além disso, o setor privado brasileiro que busca por financiamento para a inovação, apesar das melhoras, ainda esbarra em estruturas arcaicas que não possuem métricas para financiar o intangível. Diante dos fatos, o país está flertando com a economia criativa, o maior desafio é saber aproveitar o potencial brasileiro ligando-o a um plano de país e criar modelos de negócios economicamente viáveis focando também em setores criativos que gerem impactos na educação e nas camadas sociais como um todo.

Diante desse conceito, o país está defronte a uma grande oportunidade para se tornar mais independente perante a economia global, gerar mais empregos qualificados em seu território e; sobretudo, diversificar sua economia ao tirar o foco das commoditties e dos produtos industrializados, que sofrem com perda de valor agregado por pouca inovação e uma matriz de transportes desigual, cara e de baixa qualidade.

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