Ficção e realidade: os casos do PAC e da Cidade Olímpica

Se quisermos falar em desenvolvimento econômico sustentável em todos os níveis de governo (municipal, estadual/distrital e federal), há que se repensar a forma como se planeja e se implementa a base estrutural (educação + infraestrutura) local.

Para quem assiste à propaganda da Prefeitura do Rio de Janeiro acerca da Cidade Olímpica, depara-se com uma campanha promocional que mais se assemelha a um stand de vendas de um empreendimento imobiliário em lançamento: do Porto Maravilha à “smart city” (referência que é feita na propaganda ao projeto Nave do Conhecimento), observa-se uma notável divulgação daquela que será o centro das atenções do mundo durante duas semanas de 2016.

De fato, é notória a capacidade da Administração Pública carioca em “vender o peixe” do município. Afinal de contas, se não nos valorizarmos, dificilmente alguém o fará por nós com precisão e perfeição.

Entretanto, algumas considerações precisam ser feitas sobre as intervenções que vêm sendo promovidas na Cidade Maravilhosa e que, se não forem devidamente tratadas, resultarão no mesmo fiasco que a propaganda do “espetáculo do crescimento do PAC” vem se revelando a nível nacional.

Para começar, temos a questão da educação básica. Apesar dos investimentos que vêm sendo feitos na modernização física da rede pública de ensino, falta o investimento qualitativo, que passa por questões como educação básica em período integral, modernização do currículo pedagógico, valorização profissional dos professores e pessoal de apoio das escolas e integração do espaço escolar com a comunidade.

Outro ponto que merece destaque é o sistema de mobilidade urbana municipal. Tal como um paciente, a mobilidade urbana de um município de grande porte como o Rio de Janeiro exige um diagnóstico aplicável ao caso específico, a fim de se recomendar as devidas medidas corretivas (tratamento dos sintomas) e preventivas (tratamento sobre as causas da enfermidade). Dessa forma, soluções como BRTs, VLTs e “racionalização de linhas de ônibus” de nada adiantarão para a cidade se as causas estruturais da imobilidade urbana carioca não forem devidamente tratadas.

Em outras palavras, investimentos em transporte público numa cidade que possui cerca de 6 milhões de habitantes, que funciona como centro econômico-financeiro para uma região metropolitana com 12 milhões de pessoas e que possui uma elevada concentração de suas atividades administrativas e financeiras num só ponto da localidade requerem soluções de longo prazo para os desafios inerentes a uma municipalidade com o perfil do Rio de Janeiro, e isso passa por medidas como: transporte de massa (metrô e trem) como espinhal dorsal da mobilidade, descentralização de atividades administrativas e econômicas e fomento para o desenvolvimento de soluções que diminuam a quantidade e a distância dos deslocamentos de pessoas dentro do perímetro urbano (como o estímulo ao teletrabalho, por exemplo).

Em resumo, se quisermos falar em desenvolvimento econômico sustentável em todos os níveis de governo (municipal, estadual/distrital e federal), há que se repensar a forma como se planeja e se implementa a base estrutural (educação + infraestrutura) local. Somente assim é que se constrói e se mantém smart cities e pátrias educadoras, mesmo após Copas do Mundo e Olimpíadas.

Um forte abraço a todos, sobretudo aos professores nossos de cada dia pelo seu dia que se aproxima, e fiquem com Deus!

T.I.W.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento