Fazer o que se ama ou engolir sapos?

Quem de nós, nunca escutou aqueles lamentáveis e desnecessários burburinhos por detrás dos balcões ou caixas de lojas de varejo, restaurantes ou lojas de departamento, nos quais colegas de trabalho se queixam uns aos outros sobre não gostarem do que fazem, estarem infelizes, não quererem cumprir plantões, cobrir folgas, estenderem horários?

“A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta e, sim, gostar daquilo que se faz”, já dizia Leonardo da Vinci em meados do século XV. De lá para cá muita coisa mudou e, contrariando a máxima de Da Vinci, está cada vez mais difícil encontrar profissionais que se dizem ou demonstram estar satisfeitos em executar, com prazer, aquilo que fazem.

Quem de nós, nunca escutou aqueles lamentáveis e desnecessários burburinhos por detrás dos balcões ou caixas de lojas de varejo, restaurantes e lojas de departamento, nos quais colegas de trabalho se queixam uns aos outros sobre não gostarem do que fazem, estarem infelizes, não quererem cumprir plantões, cobrirem folgas, estenderem horários?

E não adianta culparmos uma dinâmica e promissora ‘Geração Y’ por não conseguir ter foco e se satisfazer ao realizar, ou não, suas tarefas profissionais. É preciso enxergar além do óbvio.

Segundo o especialista em educação, Mário Sérgio Cortella, algumas coisas lhes faltam para o trabalho: Paciência, noção de hierarquia e compromisso com o resultado. Eles, os jovens que estão no mercado, quando insatisfeitos e contrariados irão, sim, pegar seus notes e ir embora. Cortella nos diz ainda: ‘É preciso reconhecer que essa classe média jovem tem um desvio de formação que é confundir desejos com direitos, quando pensam “eu quero, você tem que me dar”.

Todo mundo gostaria de fazer somente aquilo que mais gosta. No entanto, para fazer o que se gosta é preciso dar passos não tão agradáveis no cotidiano. É aquilo que no jargão popular tratamos como ‘os sapos que temos que engolir no dia a dia’. Aguentar calado, ser tolerante (que é diferente de ser passivo).

Na última semana o cantor Dave Grohl, da banda americana de rock Foo Fighters, deu uma demonstração e um exemplo fantástico de como é possível amar o que se faz e não se esquivar de faze-lo ao primeiro sinal de adversidade. Durante um show na Suécia, o cantor caiu do palco e, sob a suspeita de ter quebrado uma perna, enquanto era prontamente atendido no próprio palco, narrou, ele mesmo, o ocorrido aos milhares de fãs presentes, se desculpou e após o atendimento novamente se dirigiu ao público e lhes disse:

- Apesar de não poder mais pular e correr pelo palco, ainda consigo cantar e tocar...E é isso que vamos fazer. Nem é preciso dizer que a plateia foi à loucura. Vale ressaltar ainda que, enquanto era medicado e atendido a banda também mostrou muito respeito aos seus fãs, seguindo o show improvisadamente tocando covers sob os vocais do baterista Taylor Hawkins.

Fato é que, não existem respostas prontas para amar o que se faz ou fazer o que se ama, como receitas de bolos, quase sempre infalíveis. Entretanto é possível se atentar para a motivação inicial de querer ou não fazer algo. Afinal de contas, ninguém gosta de se frustrar, apesar de sabermos que as frustrações de hoje nos preparam para as realizações futuras.

Para aqueles que insistem em buscar respostas prontas, um item fundamental à receita é: Se sua atividade profissional não te entusiasma de imediato, melhor mesmo é se desculpar e seguir seu destino, caso contrário trate de procurar o livro de receitinhas da vovó, só que desta vez, para preparar deliciosos ‘sapos’ todos os dias até o fim dos tempos!

Pensar e agir, faz a diferença!

Nos vemos por aí.

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