FAZENDEIRO NÃO, EMPRESÁRIO RURAL

Artigo publicado no Jornal do Comercio de Porto Alegre no mesmo dia que enviei pro Portal Administradores.

A situação da agricultura e da pecuária segue sendo pontos importantes que podem cada vez mais se desenvolver nos próximos anos, escutamos este tipo de comentário há muito tempo, mas o que agropecuária gaúcha fez para que isso acontecesse? Um pouco mais que nada, podemos citar algumas atitudes: o consenso de plantar transgênicos ou rastrear cabeças de gado, que neste caso somente serviu para se adequar às condições externas dos importadores. Atitudes louváveis como estas, impostas, não servem para resolver o grande problema que temos na geração de valor e no fortalecimento dos primeiros elos da cadeia produtiva.
E assim, acabam gerando mais problemas para o produtor do que soluções adequadas para um elo importante da cadeia. É preciso que a agropecuária gaúcha, em cada uma das regiões, municípios, distritos e propriedades se transformem em agroindústria, agregando valor e viabilizando o desenvolvimento econômico da sua região. Iniciativas como as zonas de certificação, cooperativas, investimentos em turismo, parcerias com empresas varejistas e até mesmo a atuação no mercado de capitais, são alternativas muito importantes para que haja retorno para toda a dedicação daqueles que dependem de um pedaço de terra.

A utilização máxima dos recursos é uma premissa das Ciências Econômicas que deve ser seguida à risca no caso dos agropecuaristas. Estes recursos que podem ter as mais diferentes origens como o capital monetário, intelectual, emocional e humano devem ser valorizados. Para isto, é necessário que antigos conceitos como a garantia de compra por grandes frigoríficos, ou importadores famintos que impõem cotações baixas, acabem, pois eles criam a ilusão de que nossos produtores com pouca escala poderão gerar riqueza.


O essencial para a retomada definitiva da economia é participar do efeito da globalização através de produtos consolidados e com qualidade superior. O caminho da comoditização parece ser o mais fácil, mas não ocasiona o desenvolvimento consistente que precisamos. O poder de mudança está na criatividade de cada um de nós que é capaz de superar desafios, e muitos destes estão sendo superados.
O desenvolvimento microeconômico depende mais dos empresários do que dos governos, é preciso que os fazendeiros sejam considerados empresários rurais e que busquem alternativas para gerar riqueza. Do governo, se espera somente que as interferências sejam cirúrgicas para que o mercado não fique traumatizado, e que não esteja de costas para um setor tão importante da economia num país em desenvolvimento. Artigo Publicado originalmente no Jornal do Comércio (Porto Alegre/ RS)
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