Falta de talento analítico
Falta de talento analítico

Falta de talento analítico

Com todo o avanço tecnológico até o momento, as empresas continuam com dificuldade de transformar dados em inteligência útil para o negócio

A 22º pesquisa anual com CEOs do mundo todo, realizada pela PwC, entrevistou mais de mil executivos em 91 territórios diferentes. A pesquisa contém uma seção sobre Dados, Análises e Inteligência Artificial (IA). O resultado mais notável é que a lacuna de informações entre os dados e os CEOs não diminuiu nos últimos dez anos desde a última vez que esta pesquisa foi feita com os executivos.

Com todo o avanço tecnológico até o momento, as empresas continuam com dificuldade de transformar dados em inteligência útil para o negócio. As principais razões para este fato são: falta de talento analítico e confiabilidade dos dados. As empresas não conseguem avançar com a Inteligência Artificial sem dados limpos e relevantes. E para os CEOs, acredita-se que a Inteligência Artificial irá impactar significativamente seus negócios nos próximos cinco anos.

O gap entre a importância de um dado e o quanto ele é compreensível é bastante expressivo até em dados mais básicos para o negócio, como por exemplo, informações sobre consumidores, marca e projeção financeira. O maior gap apresentado pela pesquisa está em dados de preferências e necessidades dos clientes. Para os executivos, este tipo de dado é o mais crítico/importante para o negócio e o de menor entendimento.

A única categoria que apresentou uma pequena melhora nos últimos dez anos, no que se diz respeito sobre entendimento dos dados, foi de previsões e projeções financeiras. Mas, de um modo geral, não houve melhoras na compreensão dos dados.

Os CEOs afirmam que a falta de dados não é o problema, na verdade estes vêm se expandindo exponencialmente ao longo dos anos. A dificuldade está na falta de talento analítico e na baixa confiabilidade de dados. Em outras palavras, as empresas estão errando em transformar dados em insights para os negócios.

Para os CEOs, o gap nas habilidades não impacta apenas a incapacidade de interpretar dados, mas também a capacidade de inovação da empresa. Também foi notado que as empresas estão tendo uma sobrecarga de custos com o time de dados, já que os melhores salários do mercado estão com os profissionais de dados. Globalmente, os CEOs consideram a reciclagem do conhecimento e a melhoria de qualificações como a melhor resposta para amenizar este problema, mas para isso será necessário investir tempo e dinheiro.

A PwC afirma com a pesquisa que Governos e empresas precisam trabalhar juntos para ajudar seus funcionários a se adaptarem ao impacto disruptivo das novas tecnologias por meio de ambos os canais. Uma cultura de adaptabilidade e o aprendizado ao longo da vida será crucial para disseminar amplamente os benefícios da IA ​​e das tecnologias relacionadas por meio da sociedade.

O estudo também cita a importância das soft e hard skills para tornar as pessoas adaptáveis e empregáveis durante toda a vida profissional. Como hard skills, estão ciência, tecnologia, engenharia e matemática (compreendidas como habilidades STEM, nos Estados Unidos) e como soft skills estão a criatividade e a empatia.

Como resolver o gap de habilidade nas empresas?

Sendo assim, a palavra de ordem para resolver a falta de talentos nas empresas é educação. A tradicional prática da área de Recursos Humanos em contratar profissionais da concorrência ou de fora da indústria não é vista como uma boa solução para solucionar as baixas taxas nas habilidades da companhia. Para os executivos participantes da pesquisa da PwC, a melhor abordagem é investir em reeducação e aprimoramento. Esse pensamento é mais forte entre os executivos da América Latina, onde 58% dos respondentes acreditam no desenvolvimento técnico do time.

Resolver essas lacunas é fundamental, pois a maioria dos CEOs entrevistados acreditam que a Inteligência Artificial terá um impacto maior do que a revolução da Internet, onde 85% dos executivos concordam que a Inteligência Artificial irá mudar significativamente a maneira de fazer negócios nos próximos cinco anos.

Definitivamente, a lacuna de habilidades é um fator que impede o progresso da IA nas organizações, mas não é apenas uma questão de contratar ou desenvolver especialistas em IA e cientistas de dados. É igualmente importante cultivar uma força de trabalho pronta para usar sistemas baseados em Inteligência Artificial e promover clientes e cidadãos que possam reconhecer e praticar um bom gerenciamento de dados e autoproteção.

Além disso, as organizações precisarão se concentrar na criação de um grupo menor de desenvolvedores experientes em inteligência artificial, uma linha de especialistas em negócios que possam aplicar inteligência artificial aos seus domínios e desenvolver soluções em parceria com especialistas em inteligência artificial.

É impossível, ao ler o resultado da pesquisa da PwC, não lembrar do famoso artigo escrito por Leandro DalleMule e Thomas H. Davenport, publicado na Revista Harvard Business Review em junho de 2017 (também quase dez anos depois). Logo no título, os autores nos questionavam: Qual é sua estratégia de dados? E finalizavam o texto com uma alarmante informação: “Antes, os dados eram cruciais em apenas alguns processos de retaguarda, como folha de pagamento e contabilidade. Hoje, são centrais em qualquer negócio, e a importância de gerenciá-los estrategicamente é cada vez maior. (…) Não há como fugir das implicações: as empresas que ainda não construíram uma estratégia de dados e uma forte área de gestão de dados precisam se recuperar o mais rápido possível ou começar a planejar sua saída do mercado.”

Contudo, caso você ainda não tenha iniciado uma estratégia focada em dados ou esteja com dificuldades na execução da sua estratégia, aconselho uma atenção especial à sua equipe.

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    Ligia Galvão

    Ligia Galvão

    Consultora de Inteligência de Mercado apaixonada por dados.
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