Falar mal de ex-funcionário pode acabar na justiça

Você já deve ter ouvido aquela expressão "culpar o morto". Um morto pode voltar à vida em casos de injustiça? Não. Assim como um ex-funcionário não pode voltar para se defender de acusações dos colegas. É sobre isso que vamos falar neste artigo

Você já deve ter ouvido aquela expressão "culpar o morto". Um morto pode voltar à vida em casos de injustiça? Não. Então é mais fácil "culpar o morto" do que buscar entender a situação em que ocorreu o "crime", já que ele não está lá para se defender.
O mesmo ocorre com um ex-funcionário, que não está presente para se defender de eventuais acusações em relação ao tempo que esteve na empresa.

A empresa ou o empregador tem a responsabilidade de escolher bem seus funcionários e responde por qualquer ato deles, positivos ou negativos, mesmo após o término do contrato de trabalho. Se o mesmo não for capacitado, é responsabilidade da empresa treiná-lo e/ou corrigir seus erros.

"A culpa não é minha, é do fulano que não trabalha mais aqui"

Quando um funcionário deixa uma empresa, leva consigo boa parte dos conhecimentos adquiridos durante o contrato de trabalho. Mesmo que tenha ocorrido um treinamento de um substituto ou o cumprimento de um aviso prévio é impossível transferir todos os conhecimentos de anos de trabalho em dias para um novo funcionário.

Esta nova equipe certamente passará um tempo revisando e repassando o trabalho feito por este ex-funcionário para seguir adiante. Poderão encontrar erros, atividades inacabadas e acertos. Não devem usar estas informações como blindagem ou fuga da responsabilidade, muito menos denegrir a imagem do ex-funcionário perante colegas, clientes e mercado.

Imagine que você trabalhe em uma empresa de TI, responsável por criação e implantação de sistemas. Alguns projetos de implantação de sistemas podem levar meses ou anos! Não é possível portanto garantir que seus recursos estarão no projeto do início ao fim. Não é porque você trocou de pedreiro que precisará derrubar e refazer o muro.

A gestão deve atuar próxima ao projeto para acompanhar e armazenar o máximo de informações possíveis. Atitudes como "está assim porque fulano deixou assim e não posso fazer nada" não resolverá o problema encontrado, pelo contrário, apenas mostrará a ineficiência da sua empresa e da nova equipe na solução dos problemas e no controle das informações.

A situação fica grave quando ocorrem falsas alegações. A nova equipe encontra um problema e, ao invés de buscar resolvê-lo, informa que está assim por culpa de um ex-funcionário como uma forma de justificar ou se isentar da questão, mesmo que isso não seja verdade, como forma de ganhar tempo.

E se o ex-funcionário ficar sabendo, o que acontece?

Alguns setores do mercado são pequenos, onde as pessoas se conhecem, os concorrentes se relacionam e podemos encontrar ex-colegas em outras empresas. Uma recomendação falsa, um boato, pode acabar na justiça.

Não sou advogado nem especialista. Fiz algumas pesquisas e vou relatar abaixo o que pode acontecer quando sua empresa e seus funcionários, ao invés de trabalhar para/com o cliente, se blinda falando mal de quem não está na equipe.

De acordo com a advogada trabalhista Caterine da Silva Ferreira, mesmo que não seja o proprietário o responsável por difamar o funcionário, e sim algum dos demais empregados, as empresas respondem pelos danos que seus funcionários venham a causar a ex-empregados. “Quando o contrato deixa de existir permanece a boa-fé contratual de ambas as partes”, explica.

“Quanto mais específico for o setor em que se trabalha e as pessoas se conhecerem fica mais fácil reunir provas porque há uma gama menor de profissionais e eles são mais próximos. Nessa hora o networking é muito bom para descobrir ofensas, difamações e arrumar provas dos fatos”, diz. Fonte: Univem

Você esteve com o seu funcionário por anos e após ele deixar a empresa resolve culpá-lo por tudo? Pense bem, pois o mercado é pequeno e você poderá encontrá-lo novamente. E este encontro pode ser em um novo trabalho lucrativo ou numa sala com um advogado.

Não estou dizendo que as empresas devem elogiar todos os ex-funcionários e sim focar no seu trabalho e no seu produto após a saída dele, não usando a ausência do mesmo como justificativa para a incapacidade da empresa de lidar com o novo cenário.

Ex-patrão indeniza por dar referência lesiva a trabalhador

O trabalhador relata que ao dar o telefone do ex-patrão para o fornecimento de referências, os futuros empregadores desistiam da contratação.
Desconfiado, ele pediu para um amigo ligar para a metalúrgica se passando por um futuro patrão. A conversa foi gravada. Nela, o ex-chefe declarava que “o cara é calculista, o que ele puder judiar com a gente ele faz”, que “ele enrola para trabalhar” e que o empregado era “uma cobra cascavel”.
A Vara do Trabalho reconheceu a fita cassete como prova do dano sofrido e condenou a empresa ao pagamento de 12 salários mínimos. A empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (Goiás). Fonte: Conjur

A consulta por uma referência é mais comum do que você imagina, principalmente para cargos gerenciais. O RH da nova empresa pode consultar seus ex-empregadores, você informando o contato ou não. Dar referências lesivas ou falsas, não prejudica somente a imagem do funcionário como da própria empresa, demonstrando que não é capaz de cuidar da sua equipe enquanto ela está na empresa.

Este assunto é complexo, impossível de tratar apenas em um artigo. Por isso gostaria apenas de deixar a recomendação do que penso ser importante nestes casos.

Produto ou serviço, seu foco é no cliente e não em quem não está mais trabalhando contigo. Se quem deixou a equipe errou ou não, se a nova equipe é ineficiente e prefere culpar outros do que assumir o problema, abrace a questão e resolva, independente de quem supostamente errou. Um cliente valoriza atitudes que buscam a solução e não atitudes que busquem justificativas do erro.

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Publicado originalmente em: http://www.alefininho.com.br/xk/gestao-de-projetos/falar-mal-de-ex-funcionario-pode-acabar-na-justica/

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