Falar em público? É simples, pois li todos os livros sobre o assunto

Falar em público pode não ser tão simples assim. O artigo abaixo tem a intenção de esclarecer a distância que pode existir entre a leitura e a prática, quando o assunto é a comunicação não verbal. Comente e sugira novos temas. Boa leitura

Olá, pessoas!

Olho no olho. Olho na testa. Olho no nariz. Braços cruzados. Mãos no bolso. Pés voltados pra dentro. Pés voltados pra fora. Mãos espalmadas. Mão segurando a mão.

Será que a observação de certos comportamentos está sendo feita de forma correta?

Vamos a uma situação que faz parte do quadro: "Aconteceu Comigo":

Logo na primeira aula de Oratória (Falar em Público) que ministrei numa instituição de ensino, durante minha explanação sobre o tema, fui abruptamente interrompido por uma aluna afeita à leitura destes manuais para falar bem em público. Segundo ela, ‘tinha mais de 20 em casa’.

A princípio, achei que ela ia apenas colocar algumas experiências, como é normal os alunos destes cursos fazerem. Assim, cuidadosamente e sem interrompê-la, fui conduzindo a pessoa para o centro da cena até poder me sentar, como se tivesse abdicado da minha posição na aula.

A classe me olhava atônita, talvez esperando uma reação autoritária de minha parte. Mas não. Preferi dar corda à leitora e ouvir suas explicações.

Qual não foi a surpresa de todos que, ao perceber-se no centro da cena, ela começou a se embasbacar, tropeçou nas palavras, nos gestos de que tanto falava e, envergonhada, desculpou-se e sentou.

Situações como estas, embora bizarras às vezes, são comuns a pessoas que, afoitas por falar em público de maneira impressionante, compram pilhas de livros e as interpretam à própria maneira.

Afinal, a profusão de leituras sobre o tema, torna, enganosamente, todas as pessoas aptas a decifrar o outro, a conhecer os trejeitos, a adivinharem o que virá numa comunicação.

Só que não.

O corpo fala (com o perdão da ‘indireta’) de acordo com situações específicas e segue um código de ambientes. Para ser simplista, não dá pra falar de ser sinal de resistência braços cruzados numa sala gelada. Nem ‘pernas voltadas para a máquina de café’, se o sujeito sentou à porta e não quer atrapalhar o trânsito de outras pessoas. Certo?

Precipitar-se em interpretações assim é o mesmo que dizer que se tornou um exímio físico nuclear apenas lendo almanaques em banca de revista!

Claro que a postura corporal e os bons modos têm que ser observados e fazem parte do que tecnicamente chamamos de “Comunicação Não verbal”, mas é necessário analisar todo o contexto em que se está inserido.

A boa comunicação só se dá com uma boa compreensão. Caso contrário, de nada adiantará acumular pilhas de livros de Oratória se a pessoa só consegue falar sozinha e tirar suas próprias conclusões sobre isso.

Livros assim são excelentes, mas são como remédio: só tome sob prescrição de um profissional.

Nos meus cursos, costumo passar referências bibliográficas só ao final, para evitar interpretações equivocadas.

Neste caso, se você é colecionador deste tipo de literatura, parabéns: interesse é importante; mas aconselho que, antes de tecer comentários sobre posturas, faça um bom curso, procure um profissional do ramo e recomece sua leitura. Tenho certeza de que mudará de opinião, como fez aquela aluna que inspirou este texto.

É isso.

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