Fair Play financeiro e MP do futebol

Sancionada no dia 21 de Março pela presidente Dilma Roussef, a medida provisória (MP) do futebol segue em tramitação no congresso, sem nenhuma adesão de clubes até o momento. O mercado da bola movimenta bilhões por ano no Brasil, mas as dívidas dos maiores clubes do país continuam aumentando e que alguma ação precisa ser tomada em conjunto (governo, clubes e CBF).

O ponto principal da matéria é o financiamento das dívidas com o fisco, mas outros pontos não agradam os clubes como a exigência de investimentos no futebol feminino. De um lado o governo em crise econômica de olho em novas receitas, de outro os clubes que em suma maioria não possui planejamento estratégico definido, com receio das possíveis mudanças.

Os escândalos de corrupção tanto na Federação Internacional de Futebol (FIFA) como na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), colocam mais água no tempero. Afinal a CBF tem se mostrado contra a MP. existe um enorme conflito de interesses entr as partes ao que parece, sem previsão para ser resolvido.

O Parma, time tradicional da Itália está com dívidas equivalentes a 700 milhões de reais, já entrou em processo de falência. Juntos, os 15 maiores clubes devedores do governo brasileiro, sumam mais de 6 bilhões de reais em dividendos. Dito isso, se esses clubes continuarem aumentando o passívo, em 10 a 15 anos, iremos ter clubes tradicionais do Brasil falindo.

Por exemplo, o Esporte Clube Bahia tem um passivo de quase 180 milhões de reais, montante que equivale aproximadamente a 3 vezes a receita anual do clube. Se fosse na Europa onde a União das Federações Europeias de Futebol (UEFA) é mais exigente, o referido clube já poderia ter entrado em processo de falência. O mesmo poderia ter acontecido com outros grandes clubes do país.

Depois de tantos anos com gestões pautadas no conhecimento empírico, é notória a necessidade de profissionalismo na gestão do futebol brasileiro. Ferran Soriano, ex-vice-presidente do Barcelona já disse em seu livro, a bola não entra por acaso. Soriano foi um dos co-responsáveis pela ascensão mundial do Barcelona no início dos anos 2000.

Medir, gerenciar, controlar, planejar, são algumas das tarefas atrabuídas aos profissionais de administração, com exceção dos empreendedores natos, estes não precisam ser necessariamente administradores para tranformar sonhos em realidade.

Montar uma estratégia de refinanciar as dívidas envolve um trabalho conjuntural em diversos setores das agremiações esportivas. Curiosamente o que menos se ver em atuação, são administradores e empreendedores natos. Isso certamente explica a letárgia aplicada na maioria dos clubes do país.

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