FACULDADES PRODUZEM DESEMPREGADOS

É preciso adequar o ensino universitário ao novo cenário de pouco emprego, mas muito trabalho.

Recentemente visitei uma faculdade dos Estados Unidos onde estudei há quase trinta anos e constatei que ela continua com a mesma grade curricular. Pela internet vi que uma faculdade de Economia de Brasília onde lecionei 20 anos atrás também continua usando os mesmíssimos tijolos para construir o conhecimento dos alunos. O século XXI chegou, o cenário mudou, mas a maioria das faculdades não. Elas seguem formando bons e fiéis empregados para as grandes corporações, bem ao estilo das escolas-fábricas do início da revolução industrial. Elas não viram que estão cada vez mais raros: empresas sólidas, empresas gigantescas, empregos formais, segurança no emprego, carreiras vitalícias, aposentadorias e fundos de pensão garantidos. Elas assistem imóveis ao fato de que cerca de 60% dos seus clientes não conseguem um emprego formal no ramo em que se especializaram.

Muitas faculdades perdem tempo dissecando casos importados sobre empresas gigantes que nada tem a vem com a época e nem com o cenário de negócios do Brasil. Essas escolas não ensinam práticas muito simples, mas que fazem parte da rotina diária das empresas pequenas, que precisam ser desempenhadas pessoalmente pelo gestor. Diante disso, até mesmo executivos com carreiras brilhantes em empresas multinacionais se revelam um fracasso na gestão de pequenas empresas. Esse problema não é só brasileiro, visto que o setor de biotecnologia europeu, por exemplo, reclama da falta de gestores para negócios iniciantes, pequenos. O faz de tudo de uma pequena empresa precisa, por exemplo, conhecer práticas simples e rotineiras como: negociação, técnicas de liderança, contratos trabalhistas, redação comercial, calculo e recolhimento de impostos, entrevista e seleção de pessoal, funcionamento dos sistemas financeiro e tributário.

As faculdades terão que ser reinventadas para formar jovens aptos a enfrentar um novo cenário onde o emprego, em sua velha concepção, não existe mais, mas onde há muito trabalho. Os formandos terão que atuar como empresários de si mesmos, desde o primeiro dia de trabalho porque, ao invés de patrões, terão clientes para os seus serviços. No mundo atual, as mudanças ocorrem na velocidade do pensamento e o acervo de informações disponíveis dobra a cada 500 dias. As escolas precisam estar preparadas para rapidamente receber, tratar, discutir, compreender e disseminar essas informações.


Por sua vez, os alunos precisam entender a importância de concluir o curso superior. Precisam deletar esse sentimento de que não adianta estudar tanto para acabar desempregado. Existe um mundo de trabalho muito mais vasto e excitante do que o mundo decadente dos empregos formais. Todas as pesquisas mostram que uma pessoa com formação superior têm muito mais chances de ser bem sucedida quando parte para fundar o próprio negócio. Para adentrar nesse novo portal é só aprender a empreender. Ser empreendedor significa, entre outras coisas: pensar diferente, aprender sempre, trabalhar cooperativamente, sonhar, visualizar, criar, inovar, planejar, implementar e principalmente, assumir riscos.


Eder Luiz Bolson, empresário, autor do livro Tchau Patrão! (www.tchaupatrao.com.br)



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    Eder Bolson

    Eder Bolson

    Empresário, fundador de cinco empresas e professor universitário. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS com mestrado pela North Dakota State University dos Estados Unidos. Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada. É um estudioso do empreendedorismo que sempre estimula as pessoas a planejarem e implantarem seus próprios negócios. É membro brasileiro da World Future Society. É autor do livro “Tchau, Patrão!” - Editora SENAC.



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