Executivo para consultor

CEO, em transição involuntária de carreira aos 52 anos, dava início à sua catarse

1. Isso foi ontem:

CEO, em transição involuntária de carreira aos 52 anos, dava início a sua catarse:

“Hoje, as pessoas não aparecem para me propor um trabalho, um serviço, e sim uma 'negociata'. Encabula-me essa esculhambação, mas a eles não. É natural, dizem.

Aqui, nesta grande empresa, cumpro determinações importadas, os membros do CA adoram o status e a remuneração, a auditoria sou eu mesmo quem contrata, mas por orientação do CFO. Ganho bem, porém vivo na periferia dos grandes negócios, igual àquelas pessoas que ficam na ponta dos pés e esticam o pescoço para ver a festa, as personalidades/celebridades adentrarem, e conseguem enxergar apenas um detalhe, veem amiúde, de soslaio, enquanto os do “negócio” não percebem, pois logo se aprumam, levantam os ombros interrompendo o que ficava de fora, eu e o detalhe do 'negócio'.

Aqui, apoiam-se na intriga, na dissimulação, torturam ideias e ideais. Gostaria, tal e qual Fernando Pessoa, de ter a grande saúde de não perturbar coisa alguma.

Aqui, deixam-me à margem, fora da patota. Pena, porque tenho tanto a contribuir, a orientá-los, explicar-lhes, mostrar a extensão e a profundidade das mudanças que ocorrem e a nova arrumação do mercado.

Aqui, ali e acolá, as pessoas são desatentas, sentenciosas, ignoram os bons modos, rudes nesse aspecto, conhecem apenas educação formal - por hora que permaneceram sentados em sala de aula - e a valorizam como status máximo, junto com os brevês que adquiriram nos países ditos “civilizados”.

Aqui, não conhecem as origens, o nosso país, e não compreendem as mudanças silenciosas e as abruptas, estão à mercê dos modismos, são profissionais rasos e ligeiros.

Aqui, são servis, colonizados e medrosos. Formam um grupo repugnante, que alegraria Lombroso. Os risos mais parecem com esgares.

Torço para a imprensa, agora livre, e que algumas cabeças à prova de consumo não se infectem e que consigamos por as mãos nos corruptores. Porque sem eles não há corrupto.

Quando sai é que notei que havia metrô, atentei para o bom comportamento no Ano novo, e à época com a adesão à poupar energia, aos que rejeitaram a bolsa- ditadura, mas que exigem apuração dos crimes cometidos, com o não ficar no trânsito sobre as faixas, com a prioridade para os pedestres. Perplexo fico com os que têm direito à pensão/aposentadoria inventando dependente, com os que os que realizam casamento da filha fajuto, luto para que sejamos- empregadores, empregados e independentes- livres para aderir aos sistemas e sindicatos, que as instituições cumpram os seus objetivos, que as propostas não sirvam para calçar contratações, que o recebimento seja de quem foi contratado e não parte para quem contratou…o tal rebate.

E que o impostos sirvam para a Educação e para a promoção da Saúde, para a prevenção à doença, e também para cuidar da doença- da introdução do co- pagamento dos medicamentos, porque ninguém banca a doença, à última etapa, que deve ser constantemente adiada, a derradeira: a hospitalização, alegria dos empreiteiros.

Quero me preparar para ir embora. Cinquentinha artífice da minha própria vida e carreira. Preciso da sua ajuda para migrar para a consultoria, independente e podendo escolher o cliente.”

2. Hoje, nove anos depois do coaching para consultoria, encontro-o no aeroporto, diz que a concorrência é grande- 78% das consultorias, com apenas um consultor, formatam parcerias por projetos, equipes multidisciplinares, saberes interconectados-, está fechando o mês no próprio mês, investindo em atualização e na rede e muito feliz com a vida ora vivida e a consultoria. “Quisera ter mudado antes, disse ele e foi-se…”

Ouvimos por aí nº 70, abril 2016

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