EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE GESTÃO: IMPACTOS, IMPLICAÇÕES E APLICAÇÕES NAS MPE’S.

EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE GESTÃO: IMPACTOS, IMPLICAÇÕES E APLICAÇÕES NAS MPES. FREDERICO VIDIGAL Mestre, especialista e graduado em Administração de Empresas. Professor universitário em níveis de graduação e pós-graduação (MBA) em instituições com FEAD Minas, FACSAL, FAMIG e PUC MInas. Empresário do ramo de turismo e consultor empresarial. Os grandes acontecimentos que marcaram a história da civilização são os pontos de partida para o início de cada era retratada na evolução dos modelos de gestão empresarial. A partir das diferentes eras discutidas neste artigo descreve-se as dificuldades e transformações vividas em diferentes momentos da administração, bem como as influências de alguns países sobre outros. Marcada pela contribuição de Frederick Taylor, inicia-se a discussão abordando a Era da Produção em Massa, caracterizada pela superespecialização do trabalhador no desempenho das tarefas, ressalando o estudo dos tempos e movimentos. Nesse momento, os operários eram vistos com uma extensão da máquina e deveriam especializar-se em tarefas mecânicas e repetitivas a fim de produzir cada vez mais. Vale salientar, os princípios adotados por Henry Ford em sua fábrica de automóveis e a sua importante contribuição através da conquista da elevação da produtividade com a criação da linha de montagem. A era da produção em massa foi marcada também pelo inchaço das organizações, uma vez que concentravam todo o processo produtivo temos como maior exemplo deste fenômeno a indústria automobilística Ford que produzia desde o aço (matéria prima) até o carro pronto (produto final). Este inchaço originou a criação da Escola Burocrática, que por sua vez foi o marco da passagem da Era da Produção em Massa, para a Era da Eficiência. A teoria da Burocracia, proposta por Weber, tinha como característica a criação de diversas regras e padrões acerca do trabalho, hierarquia e relações interpessoais. Tal abordagem exauriu-se com o tempo, dando espaço às novas filosofias, centradas no sistema e nos recursos humanos, resultando em abordagens mais inovadoras. A principal causa dessa exaustão, foi a passagem da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento. A referida passagem aponta para uma mudança da hierarquia, conformidade e padronização - com direção, igualdade, criatividade e diversidade. Nesse sentido, atendia-se a uma nova filosofia de mercado onde o produto passara a apresentar uma nova característica, ou seja, atribuía-se a ele as demandas do cliente. A transformação discutida nesse contexto incentivou as eras da Qualidade e posteriormente, a da Competitividade. Ambas se caracterizaram por uma relação cada vez mais estreita entre empresa e cliente, buscando satisfaze-los em suas necessidades, através da diversidade. Vale salientar a evolução das eras e modelos de gestão, descrevendo os seus impactos sofridos como a elevação da produtividade atingida com o passar do tempo. Uma vez que tais mudanças não se mostram tão expressivas e perceptíveis nas sociedades - considerando que os novos paradigmas geralmente não são aceitos - a evolução nem sempre é bem vinda, produzindo um grau substancial de insegurança. NOVOS MODELOS DE GESTÃO Foi durante a Era da Qualidade que começaram a surgir os novos Modelos de Gestão. O primeiro deles foi a Administração Japonesa, tida como um grande marco na história da administração. A economia japonesa do pós-guerra superou, em curto espaço de tempo, as mais otimistas das expectativas, tornando-se um grande símbolo de evolução. Um dos conceitos criados por este modelo de gestão foi a implantação da qualidade total que ganhou olhares do mundo inteiro, sendo desenvolvida em países tanto de primeiro quanto de terceiro mundo, com ressalvas para os resultados que muitas vezes não eram tão positivos quanto o esperado. A Administração Japonesa caracterizava-se por ter uma relação de fidelidade com o funcionário, oferecendo-lhe participação nos lucros e garantia de emprego vitalício em troca de uma maior dedicação do mesmo mais dias e horas de trabalho. A Administração Empreendedora, por sua vez, era extremamente receptiva à inovação e mudança, vendo nesta, uma oportunidade ao invés de uma ameaça. Esta linha de gestão, foi também marcada pela busca de parceria com outras empresas através de alianças estratégicas, terceirizações e joint ventures. Além disso, referido modelo administrativo contrapõe-se ao estilo japonês, implantando horários flexíveis e desenvolvimento de um clima organizacional favorável, através de políticas transformadoras de RH e do endomarketing. Na Administração Holística, foram criadas as chamadas células de produção, onde os funcionários produzem e se auto-gerenciam. Por isso, esse modelo tem como características principais, a dispensa de autoridade e alto nível de comunicação lateral, rodízio de funções com visão holística, buscando a multifuncionalidade, além do comprometimento individual. O Modelo de Administração Virtual se aplica às empresas virtuais que oferecem um tipo de serviço diferenciado, prezando pela informação e perda dos contornos. Esses mesmos contornos eram antes bem mais definidos, levando em consideração suas estruturas organizacionais. O principal exemplo desse tipo de Administração são os bancos virtuais. As características desta administração são: a automação de serviços administrativos, inovação em produtos e serviços e estilo participativo de gestão. APLICAÇÃO NAS MPEs No cenário atual, a realidade das micro e pequenas empresas (M.P.E.´s) demonstra influências das diferentes eras e modelos de gestão, uma vez que as práticas desenvolvidas no trabalho apresentam reflexos desta evolução. Em uma mesma empresa, percebem-se aspectos de diferentes modelos de gestão. Este fato pode refletir na alta competitividade a qual se submetem nos dias de hoje, as organizações. Com isso os administradores procuram buscar, para cada setor de suas empresas, a forma ou modelo que melhor se adeque aos funcionários e suas realidades. Esse fenômeno pode ser facilmente percebido quando se analisa as empresas sob a ótica dos programas motivacionais, onde normalmente os modelos de premiação são diferenciados dos setores produtivos para os setores administrativos. O reflexo dessa alta competitividade é na verdade a reprodução de um fenômeno ocorrido no passado. Trata-se de um momento em que as empresas perceberam a diversidade de demandas dos clientes e resolveram diversificar também seus produtos. Hoje, tal fenômeno também ocorre em suas relações internas, buscando interagir de formas diferenciadas no sentido de atender aos seus colaboradores internos e suas diferentes necessidades. Cabe finalizar, ressaltando que as M.P.E.´s que utilizam das teorias apresentadas para traçar suas próprias estratégias têm maior probabilidade de êxito, ao passo que grande parcela dos gestores dessas empresas que resistem a observá-las, ou mesmo até mesmo a desconhecem, tende a cometer os mesmos erros. Provavelmente, esses gestores farão parte do grande percentual de empresas de micro e pequeno deste porte que se encaixam nas estatísticas de mortalidade precoce.
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