Eu não sei de nada. Isso é problema dele(s)...

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

O título acima pode até parecer papo de bêbado ou de maluco, porém se trata de uma postura frente ao problema tão antiga e tão comum que até Presidente da República já se valeu desse expediente.

E por que as pessoas agem dessa forma quando são envolvidas em alguma polêmica?

Desconsiderando as situações em que as pessoas realmente desconhecem um fato, muitos buscam se eximir de responsabilidade quanto a um fato negativo por medo de uma sanção ou falta de escrúpulo. Trazendo o primeiro caso ao mundo corporativo, revela-se um quê de insegurança combinado com indícios de uma cultura organizacional que possui como um de seus valores a intolerância incondicional ao erro. Em relação ao segundo caso, revela-se um desvio de conduta ético-profissional que pode ser perigoso não só ao clima organizacional, mas também à própria sustentabilidade de um negócio.

Sobre o tal “problema é deles”, nem sempre é assim: numa organização, seja ela pública ou privada, as pessoas e os recursos estão interrelacionados e voltados para consecução de um objetivo. Isso é o que chamamos de visão sistêmica.

Dessa forma, quando alguém pratica um ato ilícito, ilegítimo ou antiético e dizemos que isso não é problema nosso, estamos ignorando o fato de que o ato praticado pode resultar em prejuízos que se voltarão contra nós em algum momento, mesmo que a longo prazo.

Para ilustrar, consideremos os escândalos de corrupção envolvendo agentes públicos: quando um agente público age com improbidade, surgem perturbações sistêmicas que resultam em prejuízos para toda a coletividade. Basta pensarmos que o recurso que é desviado ou comprometido por esse agente deixa de ser aplicado na educação, na saúde, na segurança e na infraestrutura. Em outras palavras, quando o dinheiro público é comprometido em favor de uns, isso, sim, é problema nosso.

Se quisermos trazer o exposto acima para uma situação ainda mais concreta, pensemos no caso da saúde pública brasileira: apesar de universal, integral e gratuita, muito de sua efetividade é afetado pela conduta perniciosa de alguns agentes públicos (políticos e administrativos) com a participação de particulares. O resultado é que, atualmente, cerca de 30% da população brasileira se vê obrigada a buscar assistência privada de saúde para obter um atendimento minimamente digno, embora pague tributos ao Estado para custear o Sistema Único de Saúde (o nosso SUS). Nem é preciso dizer que quem agradece o problema gerado por alguns é o segmento de saúde suplementar, que opera segundo regras de mercado e sem compromisso com a justiça social que um SUS possui. Então: isso é ou não é problema nosso?

No caso das empresas, apesar de seus problemas não serem, na maioria das vezes, tão impactantes para a sociedade quanto os problemas de uma organização pública, efeitos perturbadores podem ser acarretados aos seus stakeholders, do dono do negócio à comunidade diretamente atingida pelas operações da empresa.

Portanto, e doravante, pensemos bem no título deste texto. Ao invés de se perguntar o que os outros podem fazer por você, pergunte-se o que você pode fazer por si mesmo, pois o sucesso ou o fracasso depende da maneira como lidamos com os desafios que a vida põe em nosso caminho.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

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