Eu não sei bem o que quero, mas sei que quero já

Era do conhecimento, da tecnologia e sem dúvida da velocidade. Somos a era do não sei bem o que quero, mas sei que quero já. Queremos tudo para ontem

A evolução do homem foi de caçador nas florestas a dependente aficionado por tecnologia. Quantos de nós não passamos boa parte do dia na frente de um computador e com o fone de ouvido com música ou falando ao telefone? Esperar um e-mail como resposta de um negócio ou agendamento de um compromisso é tão natural quanto se comunicar via torpedo e whatsapp. Com que frequência ‘conversamos’ e damos risada ou até brigamos e ficamos frustrados com e-mails ou bate papo pelo whatsapp? Quantos relacionamentos começam e quantos outros terminam por causa de websites como, Facebook, Twitter e aplicativos?

Hoje ou antigamente?

O que faz vocês pensarem que a era em que vivemos hoje é melhor do que antigamente? Temos muita velocidade, agilidade e informação hoje, mas em compensação perdemos muito das relações humanas de décadas atrás. Fazemos pesquisas de preço de um produto em apenas alguns minutos, reservamos um hotel do outro lado do mundo pelo computador, conversamos com um amigo que está no Japão em tempo real, pesquisamos sobre destinos que sonhamos em conhecer, lemos críticas e comentários de consumidores sobre todos os tipos de serviços e produtos.

Podemos fazer supermercado pela internet, farmácia por telefone, e também pizza, sushi, comida italiana, chinesa e quase todas as outras a disposição com apenas um telefonema ou toque no aplicativo e meia hora de espera. Temos revistas e jornais entregues em casa, com a opção de negociar também com a padaria a entrega do pão, frios e leite. Em apenas alguns minutos temos acesso a praticamente qualquer informação, podemos comprar qualquer produto e nos comunicarmos com qualquer pessoa. Vemos séries e filmes pela internet, vamos ao cinema e o assento tem local marcado, assistimos à televisão colorida e mudamos de canal sem parar pela quantidade de opções. As crianças têm tantos brinquedos e alternativas tecnológicas que enjoam de tudo muito rápido. Velocidade. Era do conhecimento, da tecnologia e sem dúvida da velocidade. Somos a era do não sei bem o que quero, mas sei que quero já. Queremos tudo para ontem.

Mas imaginem como era lá atrás quando as pessoas se falavam mais por telefone, se reuniam na porta de casa, escutavam música, faziam as refeições juntos, conversavam muito, se divertiam com qualquer jogo ou brincadeira, namoravam na frente do portão, revelavam fotos e faziam álbuns maravilhosos. E ir ao cinema era uma grande expectativa e um grande evento para qualquer um.

Falamos em fotos e hoje temos máquinas digitais e profissionais, tiramos várias fotos e se não ficou bom já avaliamos na hora e pedimos outras poses das pessoas. Olhamos no computador e raramente revelamos, montamos álbuns ou porta retratos, isso quando nos lembramos de compartilhar as fotos com os outros. A tecnologia facilitou muitas coisas, mas também tirou muito dos encontros, das trocas, dos telefonemas, da essência, das relações pessoais.

Se um tinha o açúcar e o outro o café, já faziam um bolo e virava uma agradável reunião. Imagino que era assim, todo mundo se cumprimentava, batia papo, conhecia os vizinhos pelo nome. Com quantos vizinhos vocês conversam ou passam de um cordial bom dia?

Passar semanas ou meses sem ouvir a voz de um amigo querido não é incomum, e nem por isso você não sabe o que está acontecendo com ele. Desejar Feliz Aniversário, Natal, Ano Novo, Páscoa, bom final de semana, boa semana pela internet é igualmente comum. Da mesma forma como mandamos convites para festas e eventos que desenhamos no computador para nossa lista de contatos de e-mail, que fazemos a lista de presentes de casamento e bodas em websites e claro, que também compramos presentes e itens de uso pessoal pela internet.

Hoje vivemos 24 horas no ar. Não há quem não nos encontre, seja por celular, por e-mail, whatsapp. E se for viajar escreva em todas as suas páginas e e-mails a mensagem de ausência temporária: Estarei ausente pelo período de 30 dias e com acesso bem limitado a e-mails e celular. Mesmo assim corre-se o risco de procurarem você em hospitais, terminar amizades e outros conflitos. Tem gente que paga para tirar férias e se isolar no meio do nada onde a cobertura da operadora não pega. Coisa bem rara hoje em dia.

Um dia sem tecnologia é um dia a deriva. E com isso, os relacionamentos vão ficando cada vez mais frios e distantes. Você conversa por whatsapp com seu amigo e ai logo ele fala: o que aconteceu? Você está diferente? Só digitou oi ao invés de oiiiii! E os emoticons? Aconteceu alguma coisa? Você está brava?

Apesar de adorar tecnologia, às vezes penso que antigamente deveria ser melhor, com mais comunicação e relações menos frias e mais cordiais. Por um lado muito mais simples, mas por outro extremamente rico e valioso.

Podemos só tirar um pouco o pé do acelerador, com um pouco menos velocidade e mais olho no olho, menos ansiedade e mais diálogo, mais paciência e menos stress. Como tudo na vida, quanto mais equilibrados melhor. Porque às vezes menos é mais.

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