Eu escolhi viver

Você quer viver, morrer ou apenas existir? A escolha é sua

Um dos grandes dilemas presentes na nossa geração, é a velha pergunta, existir ou viver?

Por muito tempo da minha vida eu simplesmente existi, trabalhei e ganhei dinheiro para comprar coisas. Mas sempre esquecendo do principal sentido da vida, viver com intensidade.

Pode parecer clichê de filme, mas as vezes precisamos morrer para vivermos novamente, e na minha vida, isso faz todo o sentido do mundo. Literalmente morri, não apenas uma vez, mas várias vezes, precisei passar por provações extremas. Um acidente terrível, uma experiência de quase morte por obesidade, uma depressão que me matava silenciosamente. Tudo isso para chegar no consultório médico, em uma segunda de manhã, e ouvir do cardiologista a pergunta que mudou minha vida:

- Você quer morrer ou quer viver?

Ali naquela cadeira do consultório minha vida tomaria outro rumo. Precisei encarar meus medos, lutar contra todos os demônios que eu mesmo criei e alimentei durante anos. Decidi lutar silenciosamente usando as mesmas armas que meu oponente. Sem Firulas, sem alardes, sem bradar aos sete ventos que eu estava mudando, apenas fiz. O caminho foi difícil, a perda de peso já não era uma questão estética, era questão de saúde, e foi por ali que iniciei minha batalha.

Comecei a derrotar esse adversário, vencendo várias pequenas batalhas diárias, perdendo outras também, mas nunca desistindo de lutar, minha vida começou a ter uma luz, mesmo que um pequeno facho, começou a sair das trevas. Antes a única luz que eu via no meu túnel era do trem pilotado pela morte vindo ao meu encontro.

Com os quilos que deixei no caminho, a minha autoestima começou a se levantar, ela, que antes acompanhava a sola do meu sapato, começou a fazer cócegas no meu tornozelo, e eu comecei a perceber que a luta estava valendo a pena. E é aí que eu volto no tema principal deste artigo, existir ou viver, foi aí que eu comecei a viver, dar mais valor as pessoas do que para as coisas, conhecer lugares, ter experiências, aproveitar o dia ensolarado, se molhar no dia chuvoso, simplesmente viver.

Nada disso veio fácil, a vida cobrou um preço caro por tudo isso. Já não tinha mais um emprego estável com um bom salário e alguns amigos se foram, mas é nessas horas que conhecemos o real sentido da palavra viver, pois o bom salário nunca comprou tantas boas experiências quanto aquelas moedinhas esquecidas no armário me proporcionaram.

Eu lembro até hoje do meu segundo primeiro beijo, da segunda primeira vez que andei de bicicleta, tudo era tão novo, cada dia era uma nova descoberta, uma nova experiência, cada dia que me levanto da cama lembro da pergunta que meu médico me fez. Morrer ou viver?

Por ironia, eu conheço os dois lados, e digo a todos, não queira morrer, ou apenas existir, vivam, não existe coisa melhor no mundo que possamos fazer, trabalhem, mas não deixem o trabalho e o dinheiro tomarem as rédeas da sua vida. Conheçam pessoas, visite aquela cachoeira que fica a 10 minutos da sua casa, desligue a TV, corra, jogue futebol com seus amigos, enfim, VIVA.

Hoje posso afirmar que vivo, luto diariamente, ainda tenho muitas batalhas a vencer, já venci 33 kg, venci a falta de confiança e venci o medo. Estou aprendendo a viver. Hoje sei que não quero morrer muito menos existir, quero apenas VIVER.

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