Eu dizia direito e agora não o digo mais

Uma nova forma de pensar em gestão da advocacia corporativa e de escritórios. Uma razão que supera a forma atual de conduzir o direito na sociedade. Uma abordagem sobre os advogados, seus usos e costumes e a necessidade de mudança

Os advogados de forma genérica estão acomodados; outros, mais inovadores incomodados. Mas insistimos. A definição das escolhas de direito (ou que ensinam esta arte) ainda sugerem que o “ser” advogado implica em tão necessariamente dirigir-se ao Judiciário.

Existe uma enorme carência de conteúdo. Se não o fora assim, os estudantes de graduação de direito não entenderiam que a função desta profissão está apenas dirigida ao fórum e demais atividades operacionais, recorrendo apenas aos resultados em sua banca.

Além disso, os graduandos não compreenderiam de que a profissão nada mais é do que uma combinação de brocardos, tecnicidade e teses conhecidas.

A minha tentativa de resenha está abarcada de que um advogado, precisa de algo a mais: - diria que bem mais!

Nos dias atuais, temos dois grandes perfis de advogados. Aqueles que flertam com o direito romântico e outros que flertam com o direito mecânico.

Os advogados românticos são defensores de suas causas com profunda reverência. Nobres a eles, já que o direito de seus clientes são vistos como os seus, e assim, avidamente buscam a pretensão resistida das mais variadas formas técnicas.

Este perfil de profissional são avaliados pela inteligência e especializações obtidas. São minimalistas e extremamente técnicos. E a grande curiosidade deste perfil é a estreita relação entre si mesmo e sua obra-prima. Ao que parece, existe uma relação quase que matrimonial entre estes advogados e suas teses. Um caso de amor ágape!

Já os advogados mecânicos são aqueles que enviesam o direito através das teorias da administração em busca do resultado. Não existe nenhum comprometimento ou apego a sua tese ou uma “causa de vida”; e não raramente valem-se de uma boa organização para justificarem sua contratação. Este tipo de advocacia é negócio, ganhar dinheiro, aumentar o lucro e satisfazer razoavelmente os seus clientes.

E a considerar estes dois cenários, estamos diante de uma celeuma incalculável. Será o fim de uma profissão que deveria reconhecer que os meandros da vida vão além do que a conformação de dois estilos da advocacia?

O advogado atual ora repreende as estatísticas e ora repreende o motivo da causa que gera a tese.

Em alguns momentos tem certa curiosidade aos indicadores e reflexões sobre os seus resultados, mas nada que o leve a considerar profissionalmente estes fatos.

No cenário social atual, a abertura das informações pelos advogados aos clientes é cada vez menos decidida pelos profissionais.

A informação nada mais é do que o resultado do processamento, manipulação e organização de dados de tal forma que represente uma modificação (quantitativa e qualitativa no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe.

Com o advento da informatização eletrônica, não é mais facultado ao advogado o processamento dos resultados do processo de seus clientes, já que não raramente os clientes buscam informações por si mesmos.

A intermediação deste objetivo está superada.

E nesta falta de controle do advogado, tenho visto a irritação dos profissionais “românticos”, os quais resistem brava e indômita ao avanço da informação direta sem a sua intermediação.

Refletimos: - O advogado romântico não deveria ter mais apego a sua tese do que com o controle de informação visualizada pelo seu cliente? Não seria um apego em demasia ao controle total de suas ações?

Não obstante a tal situação, ainda temos outro ponto desta necessidade de controle total. São advogados que em razão da falta de controle atual, interpretam de maneira equivocada a informação que já foi oferecida ao cliente através de outros meios, os quais causam desconfiança e dissabor à classe.

Em resumo, o advogado dito por romântico deveria preocupar-se com o aprendizado social do mundo atual, ao invés de esperar por um retorno da advocacia do início do século XX onde toda a informação era gerada apenas pelo defensor da causa.

Gosto da alusão ao utensílio chamado escarradeira. Até o início do século XX, o hábito de escarrar era considerado refinado, demonstrava saúde e intimidade entre visitantes e visitados.

Será que os costumes vividos no início do século passado na advocacia, refletem a necessidade e urgência de uma sociedade em franco desenvolvimento?

A reflexão desta seção da resenha é: - Qual é o advogado: - Senhor Doutor, que eu gostaria de contratar?

De outro lado temos os advogados “fordistas”. Os que atuam em linha de produção, com organização precisamente desenhada os quais valem-se de células estruturadas em “nível massa”, “nível volume” e “estratégico”.

A primeira baila é de que este advogado está inteiramente comprometido com o desenvolvimento de sua empresa (escritório). E em alguns momentos o conflito de interesses com o seu cliente é evidente.

Imaginemos que esta banca de advogados é contratada para assumir a carteira de uma grande empresa. Para o profundo conhecedor do negócio de seu cliente, a primeira avaliação é pelo pagamento destes débitos antes mesmo da apresentação de defesa, já que são mínimas as chances de mitigação do risco envolvido.

Contudo, o advogado está contratado para receber o volume do contencioso e manter sua empresa (escritório) girando, afinal de contas é um empregador, um dos sustentáculos da advocacia moderna.

Neste ínterim, o advogado aconselha que o seu cliente faça acordos ou conduza o processo até o fim, afim de receber seus honorários pelo trabalho desenvolvido apenas dentro do judiciário.

Observe que no exemplo acima, não se trata de uma questão de ajuste de honorários para que esta banca de advogado receba pela consulta, mas sim, parâmetro diametralmente oposto as necessidades da estrutura criada para girar como um organismo vivo e sempre com fome por mais carteira.

A visão acima é a referência clara de que a administração está acima do direito. O desenvolvimento de qualquer tarefa organizada gerará a aplicação dos conceitos básicos da Administração, levando o direito em segundo plano, tão somente pela necessidade de subsistência do escritório de advocacia.

O ponto desta resenha é que não busco convergir entendimentos. As estruturas atendem os públicos alvos, com algum grau e tolerância entre as necessidades distintas nos casos concretos.

Todavia, o que gostaria de observar é a nossa necessidade na imposição de rótulos em nossa profissão. Não consigo visualizar a distinção da função “advogado”, senão pelo escopo de trabalho a ser desenvolvido.

Advogado em sua essência deveria ser um exímio conhecedor das ciências sociais, das alterações ocorridas e não concentrar-se em tecnicidade, as quais são facilmente consultadas em qualquer livro sobre o assunto.

A impressão que nos passa de ambos os advogados é que nós agimos fundados nos ensinamentos e senso comum que flerta com o século XX.

O capítulo resenhado idealiza uma dicotomia pelo escopo de trabalho desenvolvido pelo advogado corporativo e do advogado de escritório.

Ao meu modo de ver, o autor realizou o rótulo do que vemos hoje em dia. O meu pedido de reflexão a quem se prestar a ler esta resenha é pelo debate de uma nova linha de advocacia que consiga atingir outros níveis de sabedoria e entendimento sobre diversas áreas que contribuem para o exercício da advocacia verdadeira, genuína; destinada a compreensão da sociedade e de seus problemas.

O mero aborrecimento por parte de alguns não me assusta. O que me move a escrever e reescrever sobre o dizer direito atual é a esperança de encontrar uma solução para os rótulos atuais.

Concluindo, a resenha não pode ser conclusiva por carência de fontes. Identifico que o autor do texto estava em busca de trilhar um perfil profissional para cada advogado e como adequá-lo as necessidades. Desconfio que pouco evoluiu. É necessário uma revisão do pensamento da advocacia ao ponto de compreender o âmbito social, econômico das partes e considerando que a integralidade de pensamento é fundamental para justificar o direito de forma correta perante todos os envolvidos.

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