Ética - afinal, o que é ?

Para se entender ética, é preciso pensar em relações humanas, convívio, cultura. Ética e moral estão muito ligadas, às vezes são confundidas

"Tentes ser bem sucedido, tenta, porém antes, ser um homem de valor." - Albert Einstein (adaptado)

"Ética é a concepção dos princípios que eu escolho. Moral é a sua prática." - Mário Sérgio Cortella

Agir com ética, ser ético, pensar a ética, praticar ética, ética nas organizações, ética, ética, ética... Afinal, o que vem a ser ética? Quando é que praticamos ética? Por que essa palavra é tão usada, que atitude é essa que a sociedade espera que todos tenham? Existe ética certa ou errada?

Para se entender ética, é preciso pensar em relações humanas, convívio, cultura. Ética e moral estão muito ligadas, às vezes são confundidas. Ética trata daquilo que é bom para as pessoas e para a sociedade, portanto, podemos afirmar que existe certa relatividade quanto à prática da ética. O que uma sociedade julga ser bom, pode ser abominado por outros povos, com culturas diferentes. A moral, parente próxima da Ética, trata das normas, princípios, costumes, valores, preceitos que norteiam as pessoas e os grupos. Moral e Ética não são leis, mas contribuem para a elaboração delas.

O individuo não nasce com ética ou moral como se fosse um instinto ou uma tendência, ou mesmo um dom. É um processo cognitivo, construído social e historicamente a partir das relações entre as pessoas, tanto na sua individualidade quanto na coletividade. O homem os adquire, ao longo de sua existência. Está diretamente relacionado à capacidade crítica diante da realidade. Portanto, fazer ética é compreender, criticar, explicitar a realidade à nossa volta. É refletir, buscar os porquês das escolhas. Fazer ética é um exercício dinâmico, não existe um manual, é avaliar, fazer um juízo de valor entre o que é socialmente considerado bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado, baseado na moral que permeia certa sociedade.
Encontramos a ética frequentemente descrita como ciência da moralidade, no grego, quer dizer 'Casa da Alma', portanto, passível de interpretação quanto ao conceito de bem e de mal, relativamente a determinado povo ou mesmo de modo absoluto.

Comportamento ético é aquele que é considerado bom. A bondade no entanto, cabe pertinentemente dentro de um dito popular que diz: “o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente não será bom à leoa”. Eis ai um típico dilema ético.

Deixando de lado então, a descrição simplista, deve-se buscar essencialmente num dilema ético, o que é bom, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade como um todo, considerando-se as prioridades para um todo e também a peculiaridade de cada situação. Quando uma lei determina que o roubo deve ser punido, essa determinação surgiu a partir de um conjunto de considerações onde pretendia-se punir aquele que deliberadamente subtrai algo de alguém. Porém, quando a sociedade depara-se com um indivíduo que rouba um pão para alimentar seus filhos, todo o embasamento daquela lei é questionado, já que o próprio grupo, de forma indireta, remeteu aquele indivíduo à ação de subtração de outrem. Nesse exercício filosófico, encontramos a ética com subjetividade semelhante à metafísica e a lógica.

Pode-se traduzir a ética em uma pergunta: “Como devemos agir diante das pessoas e dos fatos?” Eis uma pergunta que requer muita reflexão, pois o que é moralmente aceitável, por exemplo, no Brasil, pode ser abominado moralmente na Europa.

Essencialmente, as percepções quanto ao certo e errado, são especulativas e jamais normativas. Essa leitura do comportamento ético evidencia as mudanças de cultura e as diferentes regras sociais. Diante dos tão efemeros elementos que compoem o comportamento ético, o indivíduo deverá buscar algo que o beneficie e, desejavelmente, não prejudique o outro.

Muitas são as escolhas no campo da ética onde o indivíduo terá que optar entre “o bem” e “o bem”, ou talvez, entre “o mal” e “o mal”, considerando o interesse e o benefício da maioria do grupo. O praticar ética é o indicativo do que se torna mais justo ou menos injusto diante das escolhas que afetam as pessoas.

O agir eticamente não deve ser restrito às relações humanas, estruturas familiares e informais, as relações de trabalho têm buscado conduzir seus processos nessa direção. Todos os segmentos, estão atentos à essa necessidade. Tornou-se comum questionamentos quanto a clonagem, ambientes virtuais, devastação de florestas, poluição das águas, responsabilidade social, impacto ambiental e muitos outros, todos, fundamentados na necessidade de buscar, praticar e se aproximar do que é melhor para todos, o bem comum, o mais adequado à maioria.

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