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Estratégia: responsabilidade social no Brasil como conteúdo estratégico

No Brasil, o início da discussão sobre a responsabilidade social nas empresas data dos anos 60, após a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas - ADCE e o surgimento da Lei nº 76.000/75, que obrigou as empresas a fornecer informações individuais sobre seus empregados. A crise do modelo econômico centralizado no Estado, mais recentemente, fez que os aspectos sociais anteriormente relegados ao segundo plano, assumissem uma importância maior no modo como as empresas passaram a atuar e a serem avaliadas.

Surgem os chamados relatórios sociais, como uma forma de divulgar as ações sociais da organização e ajudar a construir uma imagem positiva perante a sociedade. No início do século XXI, o debate em torno do tema permanece na agenda de pesquisadores e sociedade em geral, e multiplicam-se as iniciativas em direção à concretização do compromisso social das empresas, como demonstram estudos, pesquisas, publicações, premiações, bancos de projetos, entre outras.

O prêmio Eco - Prêmio de Contribuição Empresarial à Comunidade - , por exemplo, foi criado em 1982 pelo Comitê de Comunicação das Câmaras Americanas de Comércio de São Paulo com o objetivo de estimular e premiar projetos privados com fins sociais. Outro incentivo, o Prêmio Nacional da Qualidade - reconhecido internacionalmente por estimular a melhora da qualidade de produtos e serviços das empresas - , incluiu como critério de avaliação, a partir de 1999, a preocupação social da empresa.

No setor de pesquisas, destaca-se no Brasil a pesquisa Ipea, desenvolvida desde 1999 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea - por meio do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Ações Púbicas não Estatais - Neap. Seus estudos têm como objetivo a ampliação do conhecimento sobre a atuação das empresas na área social por meio do mapeamento das principais questões de interesse dos atores públicos e privados. Muitos outros exemplos poderiam ser citados para compor um retrato aproximado, ainda que parcial, do estado atual de iniciativas nesta área.

Atualmente, muitas fundações e institutos focados em responsabilidade social com atuação no Brasil são mantidos ou administrados por empresas multinacionais. São exemplos a Fundação American Express, a Fundação BankBoston, a Bristol-Myers Squibb, a fundação Citigroup, o Instituto Coca-Cola para a Educação, o Instituto Credicard, a Fundação Deutshe Bank, o Instituto General Motors, a fundação Escola de Enfermagem R. W Johnson, o Instituto Ronald McDonald, a fundação Monsanto, a fundação Nestlé de Cultura, a fundação Novartis para o Desenvolvimento Sustentável, a fundação Pfizer, a fundação Shell, a fundação Peter Von Siemens, a fundação Volksvagen, o Instituto Xerox, para citar apenas algumas das mais conhecidas, pelo menos segundo a Revista Exame (2002).

Um dos principais responsáveis pela divulgação do conceito de Responsabilidade Social, o Instituto Ethos, foi fundado em 1998 e possui hoje 1.140 organizações associadas, cujo faturamento somado representa cerca de 25% do PIB brasileiro. De acordo com Oded Grajew, seu fundador, a responsabilidade social empresarial hoje já se tornou critério para fundos de investimento e para a realização de transações comerciais de diversos tipos. Além disso, um outro indicador do interesse empresarial pela responsabilidade social empresarial é a busca crescente por certificações, tais como a SA 8000, norma que trata de questões, tais como mão-de-obra infantil, segurança e saúde do trabalhador, liberdade de associação, discriminação, remuneração e horas-extras.

Em pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Administração do Terceiro Setor - Ceats e divulgada em 2001 na Revista Administração, foi revelado que mais de 50% das empresas brasileiras realizam algum tipo de atuação social, com investimento prioritário em programas focados na infância e adolescência (47%). Outros temas sociais - minorias étnicas, portadores de vírus HIV, dependentes químicos, pessoas com deficiência - PcD - ficam geralmente relegados ao apoio de uma pequena parcela do esforço empresarial. Também parece haver uma correlação entre tamanho da empresa e voluntariado - ou seja, as empresas maiores estão mais envolvidas e organizadas em relação ao trabalho voluntário, pelo menos segundo Rosa Maria Fischer e Adrés Pablo Falconer em "Voluntariado empresarial - estratégias de empresas no Brasil". Outras informações podem ser obtidas no livro "Administração estratégica - teoria e prática" de autoria de Sergio Bulgacov.

PS: O presente artigo foi citado no trabalho intitulado "A IMPORTÂNCIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS" de autoria de LILIANE VILAS BOAS PASSOS, disponível em https://cepein.femanet.com.br/BDigital/arqTccs/1211390540.pdf .

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