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ESTRATÉGIA DA PRODUÇÃO E FLEXIBILIDADE

ESTRATÉGIA DA PRODUÇÃO E FLEXIBILIDADE André Severgnini Eugênio Vem-se tornando cada vez mais usual denominar a época que atravessamos, como a era do pós-taylorismo, ou da flexibilidade. As actuais condições de mercado, com instabilidade, aumento de concorrência e exigências específicas dos clientes, colocaram em questão a organização do trabalho taylorista-fordista, recorrendo-se, de forma crescente, à automatização flexível. Longe vai o tempo em que a organização do trabalho, marcada pela divisão rígida de funções, fragmentação de tarefas, especialização de conhecimentos, hierarquização e centralização de informações, deu lugar a uma precária flexibilização, frequentemente reduzida a uma componente técnico-empresarial e a uma flexibilidade quantitativa dos recursos humanos como forma de superar os disfuncionamentos tayloristas. A expansão e o predomínio da produção em massa, inerente à criação de mercados suficientemente largos para absorverem a enorme quantidade de mercadorias estandardizadas, seguiram um contexto definido pelas políticas keynesianas, onde os níveis de produtividade resultavam do incremento e aplicação de elevados graus de especialização, quer de homens, quer de máquinas. Contudo, ao pretender-se alcançar uma produção de artigos complexos e de qualidade, em conformidade com as exigências dos clientes e através da variação da produção em termos de produtos, volume e processos, os aspectos organizacionais tornaram-se decisivos numa nova lógica dirigida à implementação de estratégias de produção assentes em automatizações flexíveis. Nos nossos dias, a tendência dirige-se para o aumento substancial da produção em pequenas séries, protótipos ou, no caso da produção em grandes séries, para a sua diversificação. Está-se, pois, em presença de um tipo de produção flexível com qualidade. Neste contexto, as incertezas e as flutuações do mercado são controladas por parâmetros de adaptabilidade e flexibilidade, consubstanciados em factores de competitividade que, para além dos preços, consideram a qualidade, o desenho, o cumprimento de prazos e a satisfação específica dos clientes. Neste âmbito, a organização do trabalho perante a introdução de novas e sofisticadas tecnologias, induziu reflexões e ajustamentos, face à existência de duas estratégias fundamentais, identificadas a partir de dois tipos de produção: Produção em Massa: Produção de produtos em grandes quantidades Baixo nível de inovação Concorrência de preços Produtos estandardizados Grandes unidades de produção Organização burocrática (hierarquizada e centralizada) Forte divisão do trabalho Actividades de investigação e desenvolvimento Máquinas especializadas Operários pouco ou não qualificados Especialização de competências Produção Flexível: Produção de produtos de alta qualidade Alto grau de inovação Concorrência de qualidade, individualização e prazos Produtos variados Pequenas unidades de produção Organização-flexível (policentrada) Fraca divisão do trabalho Intensa actividade I & D Máquinas-multifuncionais programáveis Operários qualificados Polivalência Adaptado de Wener Wobbe: "Tecnologia, Trabalho e Emprego". O confronto entre as duas estratégias de produção permite observar, com alguma clareza, que os princípios das organizações clássicas não se coadunam com a nova lógica requerida às empresas, onde o cerne da modernização se traduz pelo desenvolvimento da flexibilidade específica de cada unidade, em associação com novas formas de organização do trabalho. A flexibilidade não pode, desta forma, ser considerada como um fenómeno técnico, puro e simples, mas antes, um fenómeno técnico-organizacional. Refere-se não apenas à utilização de equipamentos flexíveis, mas, igualmente, à capacidade de adaptação de pessoas que exploram as novas potencialidades tecnológicas. Ao pretendermos seguir a estratégia da flexibilidade e da qualidade, poder-se-á pensar, erradamente, que para alcançar tal objectivo bastará a aquisição de tecnologias assistidas por computador, mantendo métodos de gestão rígidos com marginalização do factor humano. Contudo, quando os resultados ficam aquém do esperado, reconhece-se por vezes e, tardiamente, que uma estratégia de flexibilidade comporta, necessariamente, duas vertentes: a flexibilidade quantitativa do emprego e a flexibilidade organizacional. Na primeira situação, a flexibilidade quantitativa do emprego corresponde a uma flexibilidade operacional, onde novos princípios de organização, estruturas maleáveis e estilos de direcção aberta à participação vão conduzindo a diversas práticas de descentralização dos níveis produtivos (divisão das grandes empresas em unidades autónomas), enriquecimento de tarefas, trabalhos em grupo e círculos de qualidade. Na segunda situação, a flexibilidade organizacional inscreve-se numa lógica claramente pós-taylorista, centrada no factor humano, segundo a qual a competitividade depende não só dos novos equipamentos, mas também, e principalmente, das capacidades especificamente humanas. Flexibilidade Organizacional: Aplica tecnologias avançadas que implicam interdependência de tarefas. Enfrenta instabilidade e diferenciação de mercado. Possui mão de obra qualificada que aspira a maior autonomia e evolução profissional.  Estratégia da Produção Flexível : Induz uma definição global e maleável de tarefas e funções. Reagrupa e integra tarefas e funções (preparação, execução e controlo). Faculta a criação de perfis profissionais híbridos. Reforça o trabalho em grupo face à crescente dependência tecnológica. Incentiva a aprendizagem contínua, na ampliação de conhecimentos. Perante a emergência de novos modelos estratégicos, a gestão da produção nas empresas tende a depender não apenas do tipo de tecnologia escolhido (automatização isolada ou incompleta) mas, também, de um novo paradigma assente na criação de quadros organizacionais flexíveis e do investimento nos Recursos Humanos. O reforço das vantagens competitivas passa, assim, pela procura de métodos de gestão adequados às condições sócio-culturais específicas, que evitem as meras transferências de tecnologia. Bibliografia: - Kovacs, I. (1995); A Gestão face às Novas Tecnologias. - Tarondeau, J. (1993); Tecnologie flexibles: Limpact sur les performances. - Goldratt, E. e Cox J. (1989); Le but. L excellence en prodution, Afnor Gestion. - Molet, Huges (1989); La nouvelle gestion de prodution, Hermes.
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