estabilishment e Outsiders: reflexões sobre dominação e exclusão

Iniciamos uma abordagem que vai de encontro a um conceito intensamente refletido e ainda assim inesgotado: O da dominação e a exclusão. O que pode fazer uma minoria deter privilégios sociais, de oportunidade e ascenção social? Disparidades estritamente marcadas pela dificuldade de acesso de outros grupos ao ensino superior,às boas oportunidades de colocação profissional,e, mesmo quando empregados, à meios para se livrar da dependência do mercado e dos proprietários dos meios de produção. Teriam estes apontamentos ligação com o fato do Brasil estar entre os países mais empreendedores do mundo e ao mesmo tempo com o maior índice de falências, miseráveis e marginais em suas grandes e médias cidades?De termos a segunda pior desigualdade do mundo e ainda assim termos uma populis extremamente conservadora? O entendimento destes fatos demanda uma análise social,assim como de alguns estudos e publicações.Aprofundaremos-na observando eventos e práticas sociais,aqui entendidos como ritos de inversão.Serão eles o carnaval e a convivência na praia. A dominação consiste na dialética entre um grupo mais coeso, que o faz para se defender de outro que considera ameaçador.Trata-se de uma postura motivada pela manutenção de uma posição privilegiosa.Seja a mesma social,financeira,política, ou qualquer outra.Algumas de suas estratégias para o mesmo é a estigmatização, percebida nas ruas a partir de inumeras colocações como àquelas que afirmam: “Mesmo ganhando na loteria,não seríamos parte deles”, “é preciso ter geito de rico”,”povo gosta de carnaval”, “pobre é igual a uma doença”, e “o pobre sente prazer em trabalhar pro rico”. Acrescente-se à isso o alienado político,ou mesmo o cidadão apolítico: conservador na medida em que mantém as coisas como estão. Gostaria de destacar,a princípio,a evitação. Observada com bastante clareza a partir da relação “iguais mas distantes” e “juntos mas diferentes" em pesquisa do brilhante antropólogo Roberto da Mata,autor de Carnavais,malandros e heróis. No Brasil, trabalharíamos com o segundo conceito na medida em que nossa estrutura horizontal e patriarcal criaria uma “regra de ouro” , como também aponta,com semelhante maestria, Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil,em que nossa lei e suas obrigações sociais universais seriam para os iguais nunca para os desiguais: “Aos amigos tudo,aos inimigos à lei” ,atestam os parvos e marginais de nossa sociedade.Demonstração de que,dentro de uma cultura formalmente igualitária principalmente no discurso,no interior dos grupos fechados e estabelecidos prevalece valores e regras próprias como afinidade e pertencimento. A coesão dos estabelecidos se faz pelo “condicionamento implícito”(GALBRAITH,J.K.,Anatomia do poder), do domínio de nossa comunicação de massa,do poder político,da aliança militar e econômica com o stabilishment estadunidense e de primeiro mundo. Fator que explica a sua difícil percepção,comprovando assim sua internalização em nosso inconsciente coletivo. Alguns ritos de nossa sociedade servem para reforçar ou mesmo denunciar essa imobilidade.No carnaval, a percebemos através da inversão, processo onde “é colocado um papel (ou posição social ) e inibido os outros na tentativa de resolver uma situação ambígua” cujo “objetivo é a separação dos elementos,categorias e regras que estão por um momento confundidas”já que “são experimentadas novas avenidas de relacionamento social que,cotidianamente jazem adormecidas ou são colocadas como utopias”( DaMATA,cit). Percebemos que “as escolas de samba são um modo de dialogar com as estruturas de relações sociais vigentes na sociedade brasileira”, colocando “em foco, em close-up, elementos de uma relação” reconhecendo que “o mundo social é, antes de mais nada,humano e portanto dotado de múltiplas determinações”. Encontramos também, em parte por esses apontamentos,mas também pelas inumeras reflexões hodiurnamente presentes em nossos debates, a compreensão da urgência e necessidade da resolução de tais desencontros,de modo a corroborar ao desenvolvimento de nosso país,função social importante da qual nós,administradores,não podemos nos abster. É oportuna a discussão a respeito da manifestação dessa realidade em nossas organizações.Em seus processos de seleção e ritos internos.Estar-se-ia adotando, nos mesmos, critérios sócio-economicos implícitos? Seriam os mesmos produtivos e bons para a empresa, a sociedade e o profissional?Estaríamos em verdade nos defendendo e impedindo o acesso de profissionais mais qualificados ao adotarmos posturas nepotistas e privilegiosas? Essa pergunta deve ser respondida todos os dias.Por todos aqueles que assumiram a responsabilidade de trabalhar pela sobrevivência e competitividade daqueles que amamos.Por todos nós que escolhemos ou fomos escolhidos pela administração .
Um abraço a todos!

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