Escravidão das ideias

Por que é tão difícil ter opiniões diferentes do "padrão"?

Há alguns dias, um jornalista emitiu a sua opinião sobre um assunto especifico do momento e aquilo deu um grande murmúrio negativo quanto à pessoa daquele homem. Eu, na minha particularidade, fiquei pensando o quanto as pessoas não estão acostumadas a conviver com opiniões que sejam diferentes das suas.

Há um discurso muito hipócrita que não condiz com a verdadeira postura comportamental. Vivemos em um tempo que a formosura do sepulcro serve apenas para encobrir a podridão que se esconde um pouco abaixo. É fomentada uma ideia de que todos têm que tomar atitudes, contudo, quando alguém tem a coragem de se expressar naquilo que acredita de fato, é alijada e posta no canto dos insurgentes.

É muito discutida a questão das diferenças, quanto à raça, cor, sexo e até mesmo sobre a orientação sexual, mas na verdade, ninguém pode ser ninguém em contexto algum. Todos têm de ser iguais em ideias, pensamentos, sacrifícios.... Se o movimento diferir da turba o apedrejamento é certo. Até pra roubar e ter um relacionamento extraconjugal tem que ser todo mundo igual! Um político que rouba fora dos parâmetros estabelecidos em algum código organizacional da partilha das propinas sofre as sanções sem detença, porque roubar pode, mas tem que dividir com os demais da laia e do conluio, para se perpetuar no poder; um líder, seja religioso ou não, pode até ter seus “casinhos”, desde que faça de um jeito que ninguém fique sabendo e que mantenha um discurso firme e forte sobre a valorização e proteção da família.

Ao expressar-se, a pessoa, de antemão, tem de procurar saber qual é o pensamento da moda e montar o seu discurso na retórica das repetições aceitas pela maioria. Os jacarés de aquário, acostumados a receber tudo em suas bocas, preguiçosos quanto à produção de seus pensamentos, ficam ali sob os auspícios do emaranhado de discursos produzidos apenas para enganar e manter as plateias sob a escravidão das ideias.

Achamos lindo o estudo dos grandes pensadores do passado; aplaudimos um Lutero, congratulamos um Tomaz de Aquino, saudamos um Spinoza e chamamos de “tadinho” um Cristo crucificado, todavia, as bulas da excomunhão, o fósforo para arder a fogueira e os pregos para a crucificação estão guardados no quarto da tortura de cada coração que não aceita um pensamento diferente, prontos para serem usados a quem se atreva opor-se, com um adendo sequer.

Se não ler direitinho a cartilha: palmatória!

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