Escola e portadores de deficiência: A Difícil lição da inclusão

O que você acha da inserção, no currículo dos cursos de Pedagogia e formação para o magistério, do ensino da Libras - Língua Brasileira de Sinais, reconhecida pela Lei 10.436/2002 como meio legal de comunicação de portadores de deficiências auditivas?

O que você acha da inserção, no currículo dos cursos de Pedagogia e formação para o magistério, do ensino da Libras - Língua Brasileira de Sinais, reconhecida pela Lei 10.436/2002 como meio legal de comunicação de portadores de deficiências auditivas? O projeto de decreto que estipula a obrigatoriedade está aberto à consulta; opine. E quanto ao Braille? Você, professor, não quer participar de um curso para revisão de textos escritos no código inventado para portadores de deficiências visuais? Saiba que a Secretaria de Educação Especial do MEC (Seesp) necessita de educadores que dominem o Braille a fim de atuarem em núcleos de apoio pedagógico e fazerem a adaptação de livros didáticos, para que alunos com problemas de visão sejam incluídos no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que estendeu a distribuição de livros em Braille para todo o ensino fundamental e está providenciando títulos paradidáticos, com o objetivo de que crianças cegas desfrutem do prazer que um bom livro proporciona. Então? Quem se habilita a trabalhar pela construção da sociedade para todos?
Pensemos sobre isso. Restam cinco anos para que o Brasil mostre à comunidade internacional os resultados de seu empenho em eliminar da vida dos 14,5% da população que portam deficiências quaisquer limitações que os impeçam de estudar, trabalhar e contribuir para que a sociedade inclusiva deixe de ser utopia. O compromisso foi firmado há 15 anos, quando a ONU editou a Resolução 45/91, da qual constam os princípios da sonhada sociedade para todos. Para que ela se concretize, porém, é imperioso que todos se mobilizem, nem que a mobilização se resuma a uma reflexão que leve cada indivíduo a modificar sua postura frente a um problema que atinge 610 milhões no planeta e 24,5 milhões no Brasil.

Caso fosse fácil, prescindiríamos das leis que garantem direitos a deficientes. Leis coíbem abusos, mas não impedem discriminações veladas, que denunciam nossa inabilidade em convivermos com a diferença. Os meios de comunicação têm sua cota de responsabilidade: prova disso é a repercussão de nova novela da Rede Globo, que aborda o universo dos portadores de deficiência visual (48,1% dos casos de deficiência no país) e alerta que, por causa dela, eles têm seu potencial intelectual ignorado. O mesmo vale para portadores de outras deficiências: auditiva (caso de 16,7% dos portadores de deficiências); motora (22,9%); física (4,1%) e mental (8,3%).


Meios de comunicação obtêm bons resultados, mas muito mais pode a escola, adequando-se aos portadores de necessidades educacionais especiais, explorando seus talentos e combatendo preconceitos. Os avanços, porém, têm sido lentos. Só em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases estabelece (Artigo 58) que a educação especial deve ser ministrada, preferencialmente, na rede regular de ensino. Hoje, 30,3% dos 503.570 alunos portadores de deficiências são atendidos em turmas regulares (15% em 1998. Isso nem sempre é viável: deficiências severas exigem atendimento especializado. Mas, muitas vezes, a criança não é acolhida na escola comum porque sua arquitetura dificulta a locomoção, ou não dispõe de sala de recursos que auxiliem o aprendizado dos alunos especiais, ou não tem professores preparados. A conseqüência, comprovam as estatísticas, é o afastamento da criança: a taxa de escolarização entre portadores de deficiências dos 7 aos 14 anos era 88,6% em 2000 (entre não portadores, quase 100%); caía para 74,9% no caso de deficiências severas e 61% no caso de deficiências físicas permanentes; a taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais era 87,1%, mas entre portadoras de deficiências, 72%; no grupo com menos instrução, uma entre três pessoas era portadora de deficiência, mas entre os que concluíram o ensino fundamental, a proporção era uma por dez. Segundo a Seesp/MEC, apenas 1,6% dos alunos especiais do ensino fundamental atingem o ensino médio.
Em 2004 foi promulgada a Lei 10.845, que institui no âmbito do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência (Paed). As escolas podem, em suma, requisitar recursos para atender alunos especiais. E algumas devem prestar serviços de qualidade. Mas são referências, para onde outras escolas encaminham os diferentes. Por isso creio, sim, que os cursos para o magistério devem inserir nos currículos disciplinas que capacitem não alguns, mas todos os professores a lidar com deficiências físicas e mentais de crianças, de preferência desde a creche, de maneira que elas possam ter o melhor rendimento possível e chances de progredir para outros níveis de escolaridade. Parabéns às escolas inclusivas e suas iniciativas de sucesso. Mas, enquanto uma só criança matriculada na rede pública sentir sua deficiência como entrave para que goze do direito à educação, não podemos falar em sociedade para todos.



Presidente da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro



O que você acha da inserção, no currículo dos cursos de Pedagogia e formação para o magistério, do ensino da Libras - Língua Brasileira de Sinais, reconhecida pela Lei 10.436/2002 como meio legal de comunicação de portadores de deficiências auditivas? O projeto de decreto que estipula a obrigatoriedade está aberto à consulta; opine. E quanto ao Braille? Você, professor, não quer participar de um curso para revisão de textos escritos no código inventado para portadores de deficiências visuais? Saiba que a Secretaria de Educação Especial do MEC (Seesp) necessita de educadores que dominem o Braille a fim de atuarem em núcleos de apoio pedagógico e fazerem a adaptação de livros didáticos, para que alunos com problemas de visão sejam incluídos no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que estendeu a distribuição de livros em Braille para todo o ensino fundamental e está providenciando títulos paradidáticos, com o objetivo de que crianças cegas desfrutem do prazer que um bom livro proporciona. Então? Quem se habilita a trabalhar pela construção da sociedade para todos?
Pensemos sobre isso. Restam cinco anos para que o Brasil mostre à comunidade internacional os resultados de seu empenho em eliminar da vida dos 14,5% da população que portam deficiências quaisquer limitações que os impeçam de estudar, trabalhar e contribuir para que a sociedade inclusiva deixe de ser utopia. O compromisso foi firmado há 15 anos, quando a ONU editou a Resolução 45/91, da qual constam os princípios da sonhada sociedade para todos. Para que ela se concretize, porém, é imperioso que todos se mobilizem, nem que a mobilização se resuma a uma reflexão que leve cada indivíduo a modificar sua postura frente a um problema que atinge 610 milhões no planeta e 24,5 milhões no Brasil.
Caso fosse fácil, prescindiríamos das leis que garantem direitos a deficientes. Leis coíbem abusos, mas não impedem discriminações veladas, que denunciam nossa inabilidade em convivermos com a diferença. Os meios de comunicação têm sua cota de responsabilidade: prova disso é a repercussão de nova novela da Rede Globo, que aborda o universo dos portadores de deficiência visual (48,1% dos casos de deficiência no país) e alerta que, por causa dela, eles têm seu potencial intelectual ignorado. O mesmo vale para portadores de outras deficiências: auditiva (caso de 16,7% dos portadores de deficiências); motora (22,9%); física (4,1%) e mental (8,3%).
Meios de comunicação obtêm bons resultados, mas muito mais pode a escola, adequando-se aos portadores de necessidades educacionais especiais, explorando seus talentos e combatendo preconceitos. Os avanços, porém, têm sido lentos. Só em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases estabelece (Artigo 58) que a educação especial deve ser ministrada, preferencialmente, na rede regular de ensino. Hoje, 30,3% dos 503.570 alunos portadores de deficiências são atendidos em turmas regulares (15% em 1998. Isso nem sempre é viável: deficiências severas exigem atendimento especializado. Mas, muitas vezes, a criança não é acolhida na escola comum porque sua arquitetura dificulta a locomoção, ou não dispõe de sala de recursos que auxiliem o aprendizado dos alunos especiais, ou não tem professores preparados. A conseqüência, comprovam as estatísticas, é o afastamento da criança: a taxa de escolarização entre portadores de deficiências dos 7 aos 14 anos era 88,6% em 2000 (entre não portadores, quase 100%); caía para 74,9% no caso de deficiências severas e 61% no caso de deficiências físicas permanentes; a taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais era 87,1%, mas entre portadoras de deficiências, 72%; no grupo com menos instrução, uma entre três pessoas era portadora de deficiência, mas entre os que concluíram o ensino fundamental, a proporção era uma por dez. Segundo a Seesp/MEC, apenas 1,6% dos alunos especiais do ensino fundamental atingem o ensino médio.
Em 2004 foi promulgada a Lei 10.845, que institui no âmbito do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência (Paed). As escolas podem, em suma, requisitar recursos para atender alunos especiais. E algumas devem prestar serviços de qualidade. Mas são referências, para onde outras escolas encaminham os diferentes. Por isso creio, sim, que os cursos para o magistério devem inserir nos currículos disciplinas que capacitem não alguns, mas todos os professores a lidar com deficiências físicas e mentais de crianças, de preferência desde a creche, de maneira que elas possam ter o melhor rendimento possível e chances de progredir para outros níveis de escolaridade. Parabéns às escolas inclusivas e suas iniciativas de sucesso. Mas, enquanto uma só criança matriculada na rede pública sentir sua deficiência como entrave para que goze do direito à educação, não podemos falar em sociedade para todos.

Presidente da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro

O que você acha da inserção, no currículo dos cursos de Pedagogia e formação para o magistério, do ensino da Libras - Língua Brasileira de Sinais, reconhecida pela Lei 10.436/2002 como meio legal de comunicação de portadores de deficiências auditivas? O projeto de decreto que estipula a obrigatoriedade está aberto à consulta; opine. E quanto ao Braille? Você, professor, não quer participar de um curso para revisão de textos escritos no código inventado para portadores de deficiências visuais? Saiba que a Secretaria de Educação Especial do MEC (Seesp) necessita de educadores que dominem o Braille a fim de atuarem em núcleos de apoio pedagógico e fazerem a adaptação de livros didáticos, para que alunos com problemas de visão sejam incluídos no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que estendeu a distribuição de livros em Braille para todo o ensino fundamental e está providenciando títulos paradidáticos, com o objetivo de que crianças cegas desfrutem do prazer que um bom livro proporciona. Então? Quem se habilita a trabalhar pela construção da sociedade para todos?
Pensemos sobre isso. Restam cinco anos para que o Brasil mostre à comunidade internacional os resultados de seu empenho em eliminar da vida dos 14,5% da população que portam deficiências quaisquer limitações que os impeçam de estudar, trabalhar e contribuir para que a sociedade inclusiva deixe de ser utopia. O compromisso foi firmado há 15 anos, quando a ONU editou a Resolução 45/91, da qual constam os princípios da sonhada sociedade para todos. Para que ela se concretize, porém, é imperioso que todos se mobilizem, nem que a mobilização se resuma a uma reflexão que leve cada indivíduo a modificar sua postura frente a um problema que atinge 610 milhões no planeta e 24,5 milhões no Brasil.
Caso fosse fácil, prescindiríamos das leis que garantem direitos a deficientes. Leis coíbem abusos, mas não impedem discriminações veladas, que denunciam nossa inabilidade em convivermos com a diferença. Os meios de comunicação têm sua cota de responsabilidade: prova disso é a repercussão de nova novela da Rede Globo, que aborda o universo dos portadores de deficiência visual (48,1% dos casos de deficiência no país) e alerta que, por causa dela, eles têm seu potencial intelectual ignorado. O mesmo vale para portadores de outras deficiências: auditiva (caso de 16,7% dos portadores de deficiências); motora (22,9%); física (4,1%) e mental (8,3%).
Meios de comunicação obtêm bons resultados, mas muito mais pode a escola, adequando-se aos portadores de necessidades educacionais especiais, explorando seus talentos e combatendo preconceitos. Os avanços, porém, têm sido lentos. Só em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases estabelece (Artigo 58) que a educação especial deve ser ministrada, preferencialmente, na rede regular de ensino. Hoje, 30,3% dos 503.570 alunos portadores de deficiências são atendidos em turmas regulares (15% em 1998. Isso nem sempre é viável: deficiências severas exigem atendimento especializado. Mas, muitas vezes, a criança não é acolhida na escola comum porque sua arquitetura dificulta a locomoção, ou não dispõe de sala de recursos que auxiliem o aprendizado dos alunos especiais, ou não tem professores preparados. A conseqüência, comprovam as estatísticas, é o afastamento da criança: a taxa de escolarização entre portadores de deficiências dos 7 aos 14 anos era 88,6% em 2000 (entre não portadores, quase 100%); caía para 74,9% no caso de deficiências severas e 61% no caso de deficiências físicas permanentes; a taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais era 87,1%, mas entre portadoras de deficiências, 72%; no grupo com menos instrução, uma entre três pessoas era portadora de deficiência, mas entre os que concluíram o ensino fundamental, a proporção era uma por dez. Segundo a Seesp/MEC, apenas 1,6% dos alunos especiais do ensino fundamental atingem o ensino médio.
Em 2004 foi promulgada a Lei 10.845, que institui no âmbito do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência (Paed). As escolas podem, em suma, requisitar recursos para atender alunos especiais. E algumas devem prestar serviços de qualidade. Mas são referências, para onde outras escolas encaminham os diferentes. Por isso creio, sim, que os cursos para o magistério devem inserir nos currículos disciplinas que capacitem não alguns, mas todos os professores a lidar com deficiências físicas e mentais de crianças, de preferência desde a creche, de maneira que elas possam ter o melhor rendimento possível e chances de progredir para outros níveis de escolaridade. Parabéns às escolas inclusivas e suas iniciativas de sucesso. Mas, enquanto uma só criança matriculada na rede pública sentir sua deficiência como entrave para que goze do direito à educação, não podemos falar em sociedade para todos.

Presidente da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro

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