Café com ADM
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Entre o nós a necessidade do eu e do outro para o bem de nossas vidas.

Reclamamos muito dos nossos relacionamentos e dos nossos companheiros de relação (se você é homem e heterossexual leia companheira em todo texto). Vez por outra, estamos a meditar, tentando resolver aquilo que julgamos errado no nosso convívio com o ser amado sempre partindo do pressuposto de que ele comete erros irreparáveis a ponto de minar aquilo que resolvemos acreditar ser uma união indissociável e eternamente duradoura, principalmente se depender de nós. Acontece que relação sempre envolve, no mínimo, duas pessoas e, nesse caso, essa outra pessoa sou eu. Portanto, é prudente que em nome do meu relacionamento, eu sempre me analise e me questione como aquele que, tanto quanto a minha outra metade, é responsável, também, pela união dos dois. E, por falar em minha outra metade, acredito que esse tipo de visão do outro é uma das maiores responsáveis pelos fracassos nas relações e pela impossibilidade de muitas delas, já que denota alguém que, inserido em um relacionamento, busca no outro a outra metade dele mesmo ou busca na união dos corpos a fusão das almas, o que acaba matando as partes, necessariamente independentes, da relação. Isso sem falar que, acreditar que somos metades de alguma outra parte é apenas uma quase verdade, pois, na verdade, somos sempre duas metades que formam um todo que somos nós mesmos. É por isso que a nossa vida é caracterizada pelas escolhas que temos que fazer. Dessa forma, como diz Rosana Braga (2004), somos o sim e o não, mesmo que saibamos da existência do talvez. Somos o amor e a razão, embora optemos, quase sempre, pela loucura. Somos o antes e o agora, ainda que estejamos sempre à espera do depois. Somos santos e pecadores, simplesmente porque um não pode existir sem o outro. Somos corpo e espírito, embora a nossa essência esteja na alma. Somos medo e coragem, porque dentro de nós grita o desejo. Somos vida e morte, mesmo que acreditemos na existência de apenas uma de cada vez. Somos som e silêncio, ainda que as nossas vozes independam deles. Somos um constante ir e vir, porque, ainda que estejamos aqui, estamos também em outros lugares, muitos lugares. Somos dúvida e certeza, simplesmente porque ambas são idênticas. Somos ilusão e realidade. Vê-se, portanto, que a minha outra metade encontra-se em mim e não no outro e eu preciso estar inteiro para considerá-lo também inteiro. Apenas isso me dará capacidade para sentir que o meu outro, quando no outro, não sou eu. Uma vez isso esclarecido, posso então considerar que tanto a minha metade, assim como a metade do outro, são igualmente sagradas e que ambas só podem Ser quando inteiras. Observe que, somente quando mergulho na minha individualidade eu posso ter condição de ver a individualidade da minha outra metade não como metade de mim, pois estaria morta, mas, do mesmo modo, como metade dela mesma. Isso é novo padrão para a relação e para o relacionamento, pois cada um estaria imerso na sua totalidade para ser inteiro e completo. Quando isso não ocorre, as pessoas se arvoram no comportamento patológico de se doarem 100% para as outras ou o contrário e o resultado disso é a morte: a morte de quem se doa 100%, pois saco vazio não fica em pé, a morte de quem recebe 100%, pois saco abarrotado estoura e a morte do relacionamento pela inexistência de seus protagonistas. É essa base nova que me dará condição de, no relacionamento, não ser sempre uma surpresa desagradável para o outro, por considerar que as minhas vontades, sempre, devem ser satisfeitas pegando quase sempre o outro desprevenido. É essa nova base que me possibilitará dar ao outro, no seu tempo, tempo para me conhecer e me dará, também, discernimento para ser eu mesmo para ele e não exigir, da sua parte, uma postura falsa. É essa base nova que me dará condição, também, de, não exigir a contrapartida da recíproca do tratamento igual que eu dou por amor. É essa visão que me dará sensibilidade para ser eu sabendo que o outro é o outro. Referência BRAGA, Rosana.
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