Entendendo o silêncio na comunicação

Quem cala consente e falar pelos cotovelos são ditados populares comuns em quase todas as regiões do Brasil. Até que ponto podemos aceitá-los? Será que o silêncio consente ou omite? Falar muito esconde ou distorce a mensagem principal? Segundo Bleger (1993), só com o reconhecimento dos diferentes tipos de silêncio e uma boa observação podemos ter as respostas de algumas dessas perguntas, pois perceberemos informações importantes sobre a personalidade em seu comportamento. É por meio deste comportamento, ou seja, desta linguagem do corpo que dizemos muitas coisas aos outros e eles têm muitas coisas a dizer para nós, sendo também nosso corpo um centro de informações para nós mesmos, nele evidencia-se a verdade, pois a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal não mente (Weil e Tompakow, 2002). Pois é justamente o silêncio que permite a organização dos pensamentos e encoraja a outra pessoa a expandir suas idéias, reações ou sentimentos (Robbins, 1994). Para Rosângela Emrich (1999), aprender a se servir da linguagem consiste também em saber calar quando necessário, inclusive ela cita dois outros provérbios que enriquecem sua argumentação: A palavra é de prata e o silêncio é de ouro e
Quem muito fala muito erra. Na mesma linha de raciocínio o escritor e professor Léo da Silva Alves (2004), em seu artigo O

orador e o poder do silêncio, diz que o silêncio é tão importante, que é ele sobretudo ele que faz a boa música. Vale a pena transcrever a brilhante citação do professor: A grandeza de uma peça musical está exatamente no silêncio interposto entre as notas musicais. Os clássicos dentre eles Beethoven souberam explorar esse jogo, no qual as notas são intercaladas com frações de silêncio. Segundo ele, o orador, não diferente dos músicos, deve combinar a voz, a palavra, com instantes de silêncio, com os quais encantará a mais exigente platéia. Como dosar o silêncio e a fala numa conversa, numa entrevista ou numa palestra é a grande questão. Há quem diga que a proporção entre o silêncio e a fala é de dois para um, ou seja, por possuirmos dois ouvidos e uma boca, devemos ouvir mais e falar menos. A própria Bíblia Sagrada (SBB, 1993) diz que devemos ser prontos para ouvir e tardios para falar. É! Parece que o silêncio traz proveito para quem o faz, mas e quanto à dosagem? Se ela já é complicada para a própria pessoa, quanto mais não será dosar a outra. Entretanto, com um mínimo de experiência não haverá fracassos (Bleger, 1993). Em síntese, apesar de subjetivo o comportamento humano, seja ele silencioso ou falador, evidenciará o essencial, cabe-nos o preparo.

Referências Bibliográficas: ALVES, Léo da Silva. O orador e o poder do silêncio. Prática Jurídica

, Brasília, ano 3, n. 25, p. 12-13, 30 abr. 2004. EMRICH, Rosângela. Marketing pessoal e etiqueta profissional: a arte do sucesso pessoal e profissional. Goiânia: Coleção dos manuais, 1999, 67 p. (Coleção Faça Certo, v. 1). ROBBINS, Harvey A. Como ouvir e falar com eficácia. Rio de Janeiro: Campus, 1994, 85 p. (Série Trabalho Eficaz, tradução de Talita Macedo Rodrigues). SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL -SBB. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Revista e Atualizada no Brasil. ed. 2. São Paulo: SBB, 1996. WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. ed. 55. Petrópolis: Vozes, 1986.
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.