ENSINO MÉDIO, PARA QUÊ?

Cerca de 62,5 milhões de brasileiros não passaram pelo ensino médio; entre jovens de 23 anos, só 48,6% o concluíram. Claro: ao compararmos este percentual aos 21% do início dos anos 90, reconheceremos um tremendo salto quantitativo. Mas, ...

Cerca de 62,5 milhões de brasileiros não passaram pelo ensino médio; entre jovens de 23 anos, só 48,6% o concluíram. Claro: ao compararmos este percentual aos 21% do início dos anos 90, reconheceremos um tremendo salto quantitativo. Mas, considerando o ainda baixíssimo grau de escolaridade da população, devemos admitir que nada justifica a retração nas matrículas neste nível de ensino (9.169.357 para 9.032.320) e nem os altos índices de reprovação e abandono (10% e 15%) registrados no último censo da educação básica os mais altos dos últimos dez anos. Até o ministro da educação, Fernando Haddad, pessimista, declarou que, sem maiores investimentos em educação agora, os indicadores só tendem a piorar.
Entre as teorias para explicar os números negativos estão a eventual migração de estudantes do ensino médio regular para a educação de jovens e adultos (mais de 50% dos participantes do último Exame Nacional do Ensino Médio tinham mais de 18 anos); seu desinteresse por conteúdos desvinculados da realidade; a precária infra-estrutura das escolas e a falta de professores (estima-se um déficit de 250 mil), problemas que afetam a qualidade de um ensino que nem prepara o jovem para a vida e o trabalho (seu objetivo central) e nem para disputar uma vaga no ensino superior, meta de 67% dos inscritos no Enem.

O que se percebe é que, na verdade, o ensino médio não cresceu apenas inchou. Acolheu milhões de jovens das classes populares, sem prover as escolas com instrumentos para que elas lhes proporcionassem um ensino moderno, adequado às suas carências (como acesso a bens culturais e à tecnologia da informação). São alunos que, hoje, encaram o ensino médio como uma ponte frágil para o ensino superior, ou perda de tempo.


No entanto, o ensino médio é crucial para a formação intelectual e social do jovem é onde ele tem a chance de aprimorar conhecimentos, descobrir suas vocações, desenvolver as competências requeridas para tornar-se um ser social, capaz de interagir com o seu meio de maneira responsável.
As ferramentas para tornar isso possível estão em um novo fazer pedagógico, na interdisciplionaridade, no ideal das diretrizes curriculares nacionais, aprovadas na década passada, que prevêem um ensino permeado por assuntos de interesse coletivo, como educação ambiental, saúde, cidadania. Infelizmente, as escolas não aderiram à proposta, ou por lhes faltarem os meios, ou porque muita gente não entendeu o recado e crê em soluções como o acréscimo de disciplinas, quando se deve pensar mais na qualidade que na quantidade do que se ensina. Está até tramitando no Congresso projeto de lei prevendo 11 disciplinas mais na educação básica.


Entretanto, soterrar alunos com conteúdos é contraproducente. O ensino médio só vai cumprir seus objetivos quando saltar para o século XXI e estabelecer links com a vida real e com um projeto para a juventude e para o país. Não há porque inventar ou mudar leis, mas unicamente cumprir o já estabelecido, o que só será viável com maiores recursos. Hoje, concordo com o ministro da Educação. Ou mais investimentos, ou nos preparamos para o pior.



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