Empresas tóxicas
Empresas tóxicas

Empresas tóxicas

Existem empresas que são contagiantes e empresas que são contagiosas. Qual a diferença entre elas e como descobrir até onde esta energia é nociva para você?

O psicólogo sul-africano Peter Froust, autor do livro "Emoções Tóxicas no Trabalho", da Editora Futura, descobriu que doenças como o câncer podem ser desencadeadas por altos níveis de estresse. Frost cristalizou suas ideias sobre dor emocional nas organizações e os efeitos sobre as pessoas que tentam gerenciá-las. Ele ressaltou que fortes emoções negativas, como a raiva, a tristeza, a frustração e o desespero, podem ser particularmente “tóxicas” para o corpo humano e afetar a habilidade que o sistema imunológico tem em protegê-lo.

E como se livrar dessa dor? O psicólogo afirma que você não se livra dela. “Todas as empresas enfrentam, uma vez ou outra, essa dor emocional. O que transforma dor emocional em toxicidade é a resposta dada à ela”. Ele explica que apesar da difusão das toxinas emocionais nas empresas e de seus efeitos negativos nas pessoas e nos lucros, ninguém vai levantar o assunto porque a discussão de emoção e dor em situações de trabalho tende a ser vista como “fraqueza” ou “moleza”. Mas moleza para ele é fingir que isso não acontece e continuar a fazer o de sempre. Existem maneiras de fazer com que sua empresa torne-se mais saudável.

Não basta tentar remover a dor ao seu redor. É preciso ajudar as pessoas a enxergá-la sob uma ótica mais positiva, permitindo que as pessoas superem uma experiência dolorosa. Como fazer isso? Ajustando a dor de maneira construtiva, mudando a visão de experiências dolorosas e com ensinamento empático.

Percebe-se que a vantagem competitiva vai para as empresas que aproveitam e ampliam a energia intelectual, emocional e o comprometimento de sua força de trabalho. Frost afirma que criar ou ignorar o sofrimento humano diminui significativamente essas vantagens. Para ele, secar as lágrimas de uma pessoa pode ser tão real quanto fechar um contrato.

Laboratório Sabin: sem dor

O meu primeiro contato com Janete Vaz aconteceu em uma palestra que fiz em Brasília, em fevereiro de 2009. Na época, o Laboratório Sabin, do qual ela é sócia juntamente com a empresária Sandra Soares Costa, tinha sido eleito pela revista Você S.A. a 9ª Melhor Empresa para se trabalhar no Brasil. Alguns anos mais tarde, o Laboratório continua se mantendo no topo desta lista, com um crescimento fantástico, sob o ponto de vista administrativo.

Mas, qual será o segredo? Parece mesmo que o ato de cuidar dos colaboradores está no DNA do Laboratório Sabin e as empresárias realmente acreditam que o “jeito família” de gerenciar as pessoas, criando vínculos emocionais e um ambiente que favorece o relacionamento, é o melhor caminho para a eficiência e eficácia.

Em entrevista concedida à repórter Rose Crespo, colaboradora da revista HSM Management - Brasil - Presença na Gestão que dá certo, elas afirmaram que o investimento humano e profissional foi o ponto mais valorizado pelos colaboradores da empresa na pesquisa do Great Place to Work. O bem-sucedido modelo de gestão usa as mais modernas ferramentas que contribuem para o crescimento do colaborador. “Os gestores são preparados para falar a verdade, mas com amor, deixando de lado questões pessoais”.

O relacionamento informal com o “olho no olho” também gera resultados positivos. Outro ponto importante: um sistema de comunicação eficaz que utiliza várias ferramentas. “É preciso falar de quatro a sete vezes de formas diferentes para que o colaborador entenda o que deve ser feito”, dizem as empresárias. O Laboratório Sabin incentiva que todos os colaboradores estudem e se desenvolvam profissionalmente, fator que foi mais valorizado do que o salário. “Cuidar do colaborador e ajudá-lo no desenvolvimento de sua carreira não é só responsabilidade dele, mas também da empresa. É importante que a companhia assuma a missão de ajudar no crescimento individual de seu time, o que trará resultados para a própria pessoa e para a empresa”, ressalta Janete. Há premiações que estimulam a estabilidade no emprego e a fidelidade dos funcionários, desde um carro popular 0 km para quem completa 20 anos de casa até uma viagem a Porto Seguro com acompanhante para o colaborador que comemora 15 anos.

Desde sua fundação, nos anos 1980, até hoje, o Sabin já premiou quase 2 mil colaboradores. Em média, a empresa investe 18% de seu faturamento na área de gestão de pessoas, com benefícios, programa de participação nos lucros, capacitação e treinamento. Agora, a empresa aposta em práticas voltadas para a qualidade de vida. Muitas das políticas de gestão de pessoas criadas pelo Laboratório Sabin foram pensadas para atender as profissionais mulheres, que são maioria ali: 72% dos quase mil colaboradores.

Ao desenvolver um pacote de vantagens e condições de trabalho diferenciadas para elas, o Sabin reduziu de 28% para 12% seu turnover entre 2005 e 2009. A política de benefícios inclui também auxílio-casamento, Dia da Noiva, auxílio para o enxoval do bebê e auxílio-babá para as futuras mamães. A política de premiação para os colaboradores, de acordo com seu tempo de casa, incluiu um kit de beleza e um dia de spa para quem completou seu primeiro ano.

Essa dedicação se traduz em números. A empresa é líder em medicina diagnóstica na região Centro-Oeste e atingiu a marca de 1 milhão de exames mensais. De 2003 a 2009, o faturamento do Sabin registrou aumento de 365%, hoje em torno de R$ 91 milhões, com 62 unidades – entre Distrito Federal, Bahia e Goiás. O aumento de clientes nesse período também chega perto de 400%, com satisfação recorde de 99,83%.

*A matéria sobre o Laboratório Sabin foi publicada na revista HSM Management – Brasil – Presença na Gestão que dá Certo

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