Empresas, concessões e redes sociais

As redes sociais são um canal de manifestação, mas aparentemente não mobilizam empresas pela melhora de serviços. Em especial as de concessão pública

Uma única mensagem é suficiente para traduzir muito de nosso mundo. O comediante Marcelo Madureira declamou recentemente no Facebook toda sua indignação pela recusa de cobertura do seu plano de saúde a um procedimento indicado para sua filha. Em 13 horas, a mensagem teve mais de 5 mil curtidas, 1,3 mil compartilhamentos e 500 comentários.
Constatações:
1 - Muito se credita ao poder das mídias sociais para propagar opiniões. Até artistas renomados recorrem a elas, no Brasil e no mundo, como uma ferramenta de mobilização social.

2 - A mobilização acontece. Na maioria das vezes apenas dentro da mesma rede onde a mensagem foi propagada. Sair de traz da tela ainda é algo bem vago.
3 - As empresa expostas aos comentários (negativos) sabem disso. Prova que nem se preocupam em responder. Maior a empresa, maior o descaso. Se for de um serviço mediado por uma agência pública de regulação (Bancos, Seguros, TV a Cabo, Cias Aéreas), aí mesmo que não se preocupam porque...

4 - A dica de todos os que se manifestam solidários é a mesma: saia do virtual e aja no mundo real. Mas como? Já que a empresa não tá nem aí pro que a opinião pública pensa dela, vá para o judiciário. Como o que deveria ser último recurso no país é tratado como o único, o processo demora tanto, custa tanto, incomoda tanto, que poucos tomam esta medida (e mesmo assim estes poucos são um universo infinitamente maior que a capacidade de processamento disponível). Os que tomam esta medida muitas vezes por inexperiência, desconhecimento ou orientação falha, nem sempre tem retorno favorável. E os que tem, não encontram o sentimento final de justiça feita.

5 - Não somos muito adeptos de ampla concorrência. Pense agora no nome de mais de 5 bancos. Ou de 5 Cias Aéreas, Ou de 5 Planos de Saúde... Nem todos conseguem, porque as opções são escassas. Desta maneira, você reclama, fala mal, fica indignado, processa, troca de fornecedor, e descobre que o substituto é igual ou pior. Questão de meses ou anos até voltar a ser cliente do reclamado, simplesmente por falta de opção. Ou pior, porque ele era mais baratinho...
Por isso sempre insisti em comparar o mundo virtual dos brasileiros com outros cantos do mundo. Enquanto a internet promove revoluções em outros países, por aqui, parece que ainda vai demorar pra promover mudanças de verdade...
A propósito, todos estes serviços citados são de regulação e concessão pública do executivo. Ou seja, você não apenas paga o tributo que mantém o serviço público que não usa, e o adicional do serviço privado. Paga ainda toda a estrutura que cuida de garantir que este privado seja realmente melhor que o público. No fim, ambos são precários. Ambos com deficiências na mesma fonte. Lembre também que a estrutura do judiciário, aquela que não da conta de tanta demanda, também é de definição pública. E um grande volume de recursos, além do ralo da corrupção, vai pro legislativo sustentar uma estrutura avassaladora pra fazer leis.
Passou da hora do brasileiro parar de reclamar de sintomas e tratar da causa....
ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento