Empresa: organismo vivo para aprendizado existencial?
Empresa: organismo vivo para aprendizado existencial?

Empresa: organismo vivo para aprendizado existencial?

A metáfora do "organismo vivo" tem sido largamente empregada para explicar a organização diante de uma perspectiva. Assim como os seres vivos, as empresas buscam a vida, a sobrevivência, a longevidade, e a melhoria contínua. Qual será o caminho onde eles se encontram?

A metáfora do "organismo vivo" tem sido largamente empregada para explicar a organização diante de uma perspectiva. Da mesma forma que seres vivos, a organização busca a sobrevivência e, para isso, ela precisa de recursos. As organizações, assim como os seres vivos, buscam a vida, a sobrevivência, a longevidade, e a melhoria contínua.

Uma pessoa com valores muito diferentes dos valores da empresa em que trabalha é como um corpo estranho dentro de um organismo saudável. Se ele demorar demais lutando contra algo que é totalmente diferente do que está dentro dele, pode se tornar um vírus tóxico ou até mesmo se transformar num câncer, tendo de ser retirado através de uma ou mais cirurgias. Agora, se este corpo estranho percebe que está desalinhado logo no início, pode ser expelido para fora deste organismo por livre e espontânea vontade. De maneira até intuitiva, sem muito esforço ou trauma para o conjunto envolvido.

As empresas são como corpos: precisam ser saudáveis para ter vida longa, e quanto mais forte for a missão, mais fácil de ela ser reconhecida ou rejeitada. Há empresas que têm isso tão fortemente desenvolvido, que a missão chega a ser quase palpável. Um bom exemplo são os valores do Google. A condição básica para trabalhar lá dentro é ter o perfil correspondente ao DNA da companhia. Simplesmente achar uma empresa legal não quer dizer absolutamente nada. Você conseguiria ter disciplina e trabalhar por resultados numa empresa que oferecesse uma série de coisas que podem tirar o seu foco a todo o momento?

Diogo era um exemplo clássico de alguém que amava a empresa onde trabalhava: uma associação católica de ensino. “Eu realmente amava as pessoas, o ambiente e o meu trabalho. Tudo parecia perfeito”. Mas tinha algo que todo fim de dia incomodava Diogo lá no fundo da sua alma. Descendente de judeus e com uma família bastante ativa, religiosamente falando, em algum momento ele entrava em um conflito de valores por causa da sua religião. Isso passou a incomodá-lo cada vez mais, até o dia em que a situação se tornou insustentável para ele. Não teve outra alternativa, a não ser pedir demissão. “Doeu muito, mas era algo mais forte do que eu”, relatou.

Alguns especialistas dizem que assim como nos demais organismos vivos, as células empresariais têm no mesmo DNA os genes que orientam as pessoas e os grupos em direção à “chama sagrada da empresa”, à razão da sua existência, à sua missão, mesmo que cada uma pertença a um sistema ou processo organizacional diferente. E é isso o que vai dar às empresas condições de sobrevivência, crescimento e desenvolvimento em um ambiente de competitividade acelerada, à semelhança dos seres vivos que fazem isso ao longo de todo o seu processo evolutivo.

Para as pessoas, o modelo celular ou de gestão orgânica cria condições e oportunidades concretas para o real aprendizado existencial individual e organizacional, revelando novos talentos, novas habilidades, agregando novas competências à cultura organizacional.

Do mesmo jeito que as empresas fazem seleção de talentos, nós também temos de selecioná-las e sempre perguntar: esta empresa tem a ver com o meu DNA?

As empresas vivas produzem bens e serviços para ganhar seu sustento exatamente como nós fazemos por meio de nossos empregos. Na empresa viva, os membros entendem o que significa "nós" e têm consciência dos valores comuns. Eles sabem a resposta à pergunta fundamental sobre identidade corporativa: "O que valorizamos?". Quem não conseguir conviver com os valores da empresa não pode e não deve fazer parte dela. A sensação de fazer parte do todo une até seus mais diferentes integrantes.

Os profissionais sabem que, em troca de seu esforço e compromisso, a organização os ajudará a desenvolver seu potencial. O dinheiro não é considerado um motivador positivo em uma empresa que funciona como um rio. Se o dinheiro é insuficiente, as pessoas ficam insatisfeitas. Entretanto, aumentar a quantia de dinheiro acima do limite de remuneração suficiente não as motivará a dar mais de si. Para que isso aconteça, os membros precisam saber que a comunidade está interessada neles como indivíduos, e eles precisam estar interessados no destino da empresa. Entidades e pessoas precisam se preocupar mais umas com as outras – esta é a grande questão e é aqui que se encontra o sentido e rumo para o todo e para todos.

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    Alessandra Assad

    Alessandra Assad

    Alessandra Assad é Master of Science in Business Administration in Neuromarketing na instituição de ensino Florida Christian University, é jornalista especializada em management, com MBA em Direção Estratégica e Mestrado em Neuroliderança. Professora nos MBAs da Fundação Getulio Vargas em todo o Brasil e professora no Master of Sciense in Business Administration in Neuromarketing na Florida Christian University. Palestrante internacional e CEO da ASSIM ASSAD - Desenvolvimento Humano. Autora dos livros Atreva-se a Mudar!, Leve o Coração para o Trabalho, A Arte da Guerra para Gestão de Equipes e Liderança Tóxica.

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